Que 2017 vai, no Douro, merecer a declaração de ano Vintage, já não é em si novidade. Nos últimos meses diferentes casas durienses têm vindo a demonstrar intenção conducente à declaração, como são os casos de Dirk Niepoort, The Fladgate Partnership, Quinta da Gaivosa, Ramos Pinto, Churchill’s, Quinta do Noval, Quinta da Romaneira, Quinta de La Rosa, entre outros.

Menos usual, o facto desta declaração de ano Vintage se dar em dois anos consecutivos, 2016 e 2017. Isto depois de, nesta década, termos visto 2011, merecer anúncio análogo. Em 2019, a declaração vai ocorrer a 7 de setembro, com a chancela do Instituto dos Vinhos do Douro e Porto, emparelhando com as comemorações Port Wine Day (Dia do Vinho do Porto).

Antecipando a chegada ao mercado de alguns Portos Vintage, José João Santos, diretor de conteúdos da EV - Essência do Vinho, detentora da Revista de Vinhos, fez, no decorrer do evento Vindouro, em São João da Pesqueira, a apresentação de cinco néctares da safra de 2017. Um quintento de vintages de que iremos ouvir falar nos próximos tempos. Vinhos com um “incrível potencial de envelhecimento e um bom investimento”, como referiu o também provador e crítico de vinhos.

Uma prova comentada que serviu, ainda, de momento educativo com uma introdução ao complexo mundo das famílias de vinhos do Porto. Cabe, por isso, antes de desfilarmos o quinteto magnífico, avaliarmos as famílias dos néctares nascidos durienses e apadrinhados pelo Porto.

O Vinho do Porto em 11 perguntas. Um brinde a quem responder em cheio
créditos: Lifestyle

Nas palavras de José João Santos “o vinho do Porto divide-se, resumidamente, em quatro grandes famílias, o Rosé, elaborado a partir de 2008, pensado para beber, por exemplo, como cocktail. Temos, depois, o vinho do Porto Branco que, por sua vez se subdivide naqueles que se revelam bons como aperitivos e em cocktails, e os que obedecem a envelhecimento, como os vinhos do Porto Twanies. Vinhos com 10, 20, 30 , 40 anos de envelhecimento”.

Prosseguindo na nomenclatura dos vinhos do Porto, o responsável da Revista de Vinhos, fez a apresentação da família Tawny, “vinhos que passam anos em madeira. Aqui, podemos diferenciar os tawnies com três anos, correntes, aqueles com três a cinco anos, Reserva. Depois deste tempo, estamos perante vinhos que ganham caráter. E, aqui, temos néctares que, ao fim de cem anos, estão aptos ao consumo”.

Este não é, contudo, um mundo fácil. “Para complicar, temos os Tawnies Single Vintage, ou seja, vinhos de uma única colheita”. Na prática, vinhos que não sofreram blend (loteamento) de diferentes safras.

Chegada à quarta família de vinhos do Porto, José João Santos, detém-se nos vinhos Ruby, “vinhos pensados para envelhecer dois a três anos em madeira. São engarrafados entre o quarto e o sexto ano”. Podemos, aqui, identificar os Late Bottle Vintage (LBV) também vinhos de um só ano, como os Vintage, mas contrariamente a estes, amadurecem em casco por períodos mais curtos, sendo depois engarrafados.

Aqui chegados, aportemos nos Vintages. De acordo com José João Santos, “num ano clássico de Vintage, a maioria das casas de vinho do Porto declaram-no. Em todos os outros anos, podem ser declarados os Single Quinta Vintage”.

No que respeita à declaração de 2017 como ano Vintage, o redator da Revista de Vinhos, refere que “posso assegurar que 2017 está ao nível do ano 2011 que, considero, foi o melhor deste milénio. Vejo uma qualidade média alta, ao contrário do que aconteceu em 2016, ano em que houve grandes vinhos, mas também grandes oscilações”.

Como provar um vinho do Porto?

Comece por inclinar o copo 45º, tendo como fundo um superfície branca. Tome, assim, a cor ao vinho. Gire o copo e cheire o vinho. Volte a girar o copo, inspirando de novo o néctar. Posto isto, prove. Numa primeira prova, não engula o vinho, antes bocheche-o para lhe sentir as características gustativas.

Acresce que, “está mais ou menos convencionado no vinho do Porto, que não existirá mais do que duas a três declarações de ano Vintage em cada década. Provavelmente, 2017 será a derradeira declaração desta década”, sublinha o jornalista, acrescentando que “2017 é comparável a um ano memorável, 1945. O inverno de 2016 foi chuvoso. Seguiu-se uma primavera quente, sem chuva nos meses subsequentes, até à vindima. Tudo foi antecipado. Várias castas estavam prontas para colheita em meados do mês de agosto”, sublinhou José João Santos.

Em prova comentada, foram apresentados os vinhos que “provavelmente estarão bons para beber pelos nossos netos quando forem adultos”, como refere o crítico.

Vejamos, então, de que néctares se fala, comentados por José João Santos. Vinhos que chegarão às garrafeiras nas próximas semanas:

Porto Vintage da Quinta do Pessegueiro (São João da Pesqueira)

“Um vinho muito elegante e que, dentro de 20 anos, ainda estará a evoluir. Neste momento ainda se apresenta rústico, embora denote já a elegância que o caracteriza”.

O Douro de 2017 produziu um ano Vintage e cinco vinhos do Porto imperdíveis

Churchill Vintage (São João da Pesqueira)

“Tal como o anterior, um vinho rústico, com grande capacidade evolutiva na garrafa. Um néctar que provém de uma quinta com um projeto de enoturismo que merece uma visita”.

O Douro de 2017 produziu um ano Vintage e cinco vinhos do Porto imperdíveis

Família Quevedo (São João da Pesqueira)

“Um vinho que provém de um produtor com um grande percurso de mercado internacional, nomeadamente o Reino Unido. Não são vinhos fáceis de encontrar em Portugal, pois quase 90% da produção vai para mercados externos. Um néctar diferente dos anteriores, com um perfil mais clássico”.

O Douro de 2017 produziu um ano Vintage e cinco vinhos do Porto imperdíveis
Rótulo provisório, meramente indicativo.

Dow's Vintage Porto (diferentes propriedades durienses)

“Um vinho que alcançou 19 pontos, em 20 possíveis na avaliação da Revista de Vinhos. Aliás, em 2014, o Dow's Vintage Porto 2011 foi tido como o melhor vinho do mundo pela Wine Spectator. Um vinho com muita fruta, com nuances de chocolate. Um vinho que, nesta fase, nos dá luta no céu da boca. Sem dúvida, um néctar para dar a beber aos nossos netos quando estes forem adultos”.

O Douro de 2017 produziu um ano Vintage e cinco vinhos do Porto imperdíveis

Croft, Quinta da Roêda, Serikos (Pinhão)

“Um vinho que alcançou 20 pontos, em 20 possíveis na classificação da Revista de Vinhos. Um vinho talhado em frescura, com boa acidez. Um vinho superior”.

O Douro de 2017 produziu um ano Vintage e cinco vinhos do Porto imperdíveis

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