No entanto, a bíblia da gastronomia recusou-se a aceitar a sua solicitação de retirar da lista o seu restaurante "La Maison des Bois", localizado em Manigod, no leste de França.

Numa carta publicada na quarta-feira pelo francês Le Point e dirigida ao guia Michelin, Veyrat, de 69 anos, escreveu: "Estou deprimido há seis meses. Como ousam tomar como refém a saúde dos seus cozinheiros?".

O guia Michelin retirou em janeiro a terceira estrela que havia concedido um ano antes ao seu restaurante especializado em cozinha botânica.

"Não removemos o restaurante La Maison des Bois do guia. Se o estabelecimento permanece aberto e os nossos inspetores avaliam a mesa num nível digno de distinções, vamos continuar a recomendá-lo", declarou à Agência France-Presse (AFP) o diretor internacional do guia, Gwendal Poullennec.

Veyrat, famoso por usar sempre um chapéu preto de abas largas, denunciou "a profunda incompetência" que, segundo ele, reina no guia Michelin.

O chef confirmou à AFP a sua decisão e explicou que o guia "se atreveu a dizer que tínhamos colocado cheddar no nosso 'soufflé' de 'reblochon', 'beaufort' e 'tomme' [queijos franceses]. Insultaram a região, os meus funcionários ficaram loucos!".

"Acima de tudo, nós temos os ovos das nossas galinhas, nós ordenhamos o leite das nossas vacas e dois botânicos apanham as nossas plantas todas as manhãs", enumerou.

Na sua carta, o chef duvida da realidade da visita dos inspetores do guia Michelin e exige provas.

"Vocês são uns impostores que só querem chocar por razões comerciais", conclui.

"Que o chef Veyrat não tenha visto os nossos inspetores não significa que eles não tenham comido na sua mesa", respondeu Poullennec, lembrando que estes visitam restaurantes anonimamente.

Finalmente, Poullennec elogiou o "grande talento" de Veyrat, "uma figura importante na gastronomia francesa", e se mostrou "triste ao saber que ele está a sofrer".

Não é a primeira vez que um chef anuncia a sua intenção de ser retirado da bíblia da gastronomia. No ano passado, o guia aceitou pela primeira excluir um restaurante depois que o seu chef, o francês Sebastien Bras, denunciou a "tremenda pressão" associada.

Antes dele, vários chefs franceses renunciaram a três estrelas, como Alain Senderens, que em 2005 anunciou que não aguentava mais a agonia da perfeição e o falecido Joël Robuchon, que em 1996, em plena glória, fechou as portas do seu estabelecimento citando o stress.

Em Espanha, Ferran Adrià fechou o seu restaurante de três estrelas, El Bulli, em 2010, argumentando o seu desgosto por trabalhar 15 horas por dia.

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