Tendo vinificado pela primeira vez em 2010, a Adega Mãe é uma empresa vitivinícola criada pelo grupo familiar Riberalves (uma marca de referência em termos de transformação e comércio de bacalhau), que tem contado com a direção técnica de Diogo Lopes e Anselmo Mendes. À frente da empresa, Bernardo Alves, sempre com o apoio próximo do pai João Alves, o patriarca da família que esteve na génese de todo o projeto.

Apesar da juventude da empresa, a cada ano que passa têm sido introduzidos afinamentos, ao nível da viticultura, dos vinhos ou, até, do modelo de negócio (o enoturismo tem-se desenvolvido bastante). Para a vindima de 2019, a Adega Mãe aponta para a produção de 1,6 milhões de garrafas, com o mercado externo a absorver cerca de 80%, espraiadas por um largo conjunto de referências, onde pontifica em grande destaque a gama Dory (nome inspirado nos dóris, antigos botes da pesca artesanal de bacalhau). Num segmento mais abaixo, a linha Pinta Negra, e no topo os Adega Mãe Terroir, branco e tinto de excelência. Pelo meio, para além de algumas “especialidades”, como o Alvarinho 221 (lote de Monção e Melgaço e Lisboa), menção ainda para os espumantes e, claro, para a gama de monocastas Adega Mãe.

Adega Mãe. Há um novo monocasta que não pode deixar de conhecer
Anselmo Mendes, Bernardo Alves, João Alves e Diogo Lopes têm feito da Adega Mãe uma referência na região de Lisboa. créditos: Adega Mãe

Para conseguir a matéria-prima para tudo isto a empresa conta com 30 hectares de vinha própria, controla/aluga mais 100 hectares e ainda compra uva a viticultores locais. A vinha Adega Mãe está bem pertinho da adega, a 10 km do mar, em solos de argila e calcário e clima de vincada influência atlântica.

Cedo se percebeu que o local era bem mais propício às castas brancas do que às tintas e, hoje em dia, a vinha própria é exclusivamente de uvas brancas, a começar pelas duas que ali mais encantam o enólogo Diogo Lopes, Arinto e Viosinho, variedades que considera como absolutamente essenciais para todo o projeto. Para além destas, Chardonnay, Alvarinho, Sauvignon Blanc e ainda algum Riesling compõem o ramalhete. Outras brancas, como Fernão Pires ou Viognier têm origem noutras vinhas próximas.

Adega Mãe. Há um novo monocasta que não pode deixar de conhecer

As uvas tintas vêm do lado de lá da serra de Montejunto, as vinhas protegidas dos ventos marítimos pela orografia do terreno, já nos concelhos de Alenquer e Arruda dos Vinhos. É em Alenquer que nasce a Touriga Franca que agora se estreia na casa em varietal, bem como um vasto conjunto de outras castas, portuguesas e internacionais, utilizadas nas várias marcas da empresa.

A linha de varietais é extensa, abrangendo sete brancos e cinco tintos, mas nem todos são produzidos anualmente, dependendo das características do ano e qualidade da colheita.

A Touriga Franca é uma casta mais conotada com o Douro (onde se assume como verdadeiramente identitária) mas capaz de se adaptar a diferentes tipos de solos e climas. Na vindima de 2016, os enólogos da Adega Mãe ficaram particularmente entusiasmados com uma parcela desta casta ao ponto de não apenas lhe darem honras de engarrafamento a solo, mas de também a integrarem, pela primeira vez, no lote do Dory Reserva tinto. Os vinhos provados parecem dar-lhes razão.

Adega Mãe, Regional Lisboa, Viosinho, branco, 2018

Adega Mãe, Regional Lisboa, Viosinho, branco, 2018

PVP médio indicado pelo produtor: 8,45 

Nota de prova: 17

Está muito fino de aroma, com leve nota floral, alguma casca de laranja, num registo intenso sem deixar de ser elegante. Na boca tem imensa expressão de fruta citrina, casca de árvore, resultando cheio de sabor e ao mesmo tempo leve, limonado, muito longo, fresco e assertivo. Saiba mais aqui.

Adega Mãe, Regional Lisboa, Chardonnay, branco, 2018

Adega Mãe, Regional Lisboa, Chardonnay, branco, 2018

PVP médio indicado pelo produtor: 8,45 

Nota de prova: 17

Fermentado em barrica usada de 400 litros. Muito leves notas fumadas, amparam o aroma complexo, com notas de frutos secos, alperce, especiarias e manteiga fresca. Na boca sente-se um Chardonnay bem atlântico, vibrante, de estilo borgonhês, com notas vegetais, apontamentos de sílex. Um belo vinho, diferente dos Chardonnay habituais, com uma pureza e elegância pouco comuns. Saiba mais aqui.

Adega Mãe, Regional Lisboa, Arinto, branco, 2017

Adega Mãe, Regional Lisboa, Arinto, branco, 2017

PVP médio indicado pelo produtor: 8,45 

Nota de prova: 16,5

Muita casca de limão e lima, bastante citrino, mas tudo num perfil bem fechado, austero. Com sólido corpo e presença, alguns amargos de casca a dar muita firmeza, está muito jovem ainda, firme e sisudo, sério e seco, sem facilidades. A qualidade é notória, mas precisa de tempo em garrafa para ganhar complexidade. Saiba mais aqui.

Adega Mãe, Regional Lisboa, Touriga Franca, tinto, 2016

Adega Mãe, Regional Lisboa, Touriga Franca, tinto, 2016

PVP médio indicado pelo produtor: 8,45 

Nota de prova: 17

Excelente nariz, fruto muito bonito, ameixa e amora, notas de barro húmido, leves fumados. Taninos firmes num corpo cheio, alguns vegetais secos, muita especiaria, complexo e apimentado. Perfeito equilíbrio ácido num vinho longo, cheio de sabor e presença. Saiba mais aqui.

Adega Mãe, Regional Lisboa, Cabernet Sauvignon, tinto, 2015

Adega Mãe, Regional Lisboa, Cabernet Sauvignon, tinto, 2015

PVP médio indicado pelo produtor: 8,45 

Nota de prova: 17

A casta é por demais evidente, com tudo o que lhe é típico: grafite, vegetais secos, especiarias, bagas maceradas. Bem encorpado, seco e sério, com muito bons, maduros e sólidos taninos, frescura no ponto, deixando um travo intenso e firme. Um Cabernet muito equilibrado, que nem sempre é fácil conseguir em Portugal. Saiba mais aqui.

Adega Mãe, Regional Lisboa, Petit Verdot, tinto, 2015

Adega Mãe, Regional Lisboa, Petit Verdot, tinto, 2015

PVP médio indicado pelo produtor: 8,45 

Nota de prova: 17

Aroma muito jovem ainda, bagas do campo (amoras, framboesas), o vegetal típico da casta. Muito bem estruturado, com taninos poderosos mas bem envolvidos pelo corpo cheio, resultando mais elegante do que seria de esperar. Seco, longo, definido. Saiba mais aqui.

Adega Mãe, Regional Lisboa, Merlot, tinto, 2015

Adega Mãe, Regional Lisboa, Adega Mãe, Regional Lisboa, Merlot, tinto, 2015, tinto, 2015

PVP médio indicado pelo produtor: 8,45 

Nota de prova: 16

No aroma sente-se a fruta bem madura, compotas e ameixa, sugestões de cacau. Corpo médio acolhendo bem os taninos suaves, numa macieza cortada por uma acidez muito viva, bastante invulgar na casta. Um Merlot refrescante ainda que não dos mais característicos. Saiba mais aqui.

Dory, Regional Lisboa, Reserva, tinto, 2016

Dory, Regional Lisboa, Reserva, tinto, 2016

PVP médio indicado pelo produtor: 11,95 

Nota de prova: 17,5

Lote de Touriga Franca, Touriga Nacional, Cabernet Sauvignon e Petit Verdot. Nariz profundo e rico, com fruta de grande qualidade, algum funcho, muita pimenta. Enorme frescura de boca, equilibrada numa bela estrutura de taninos, um toque vegetal e especiado no final muito longo. Muita garra, muita juventude, um vinho impositivo, para crescer na garrafa. Saiba mais aqui.

Artigo da revista Grandes Escolhas com versão online no SAPO Lifestyle.

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