É o gastrónomo Virgílio Gomes que explica ao SAPO Lifestyle o segredo para produzir na perfeição esta especialidade, definida como um “pastel frito feito com um polme preparado geralmente com ovos, farinha, cebola, salsa, a que se junta bacalhau”.

“As pataniscas de acordo com a tradição lisboeta devem, naturalmente, saber a bacalhau, ser finas, como bolachas [acomodam-se assim melhor no pão], com o interior ainda fofo e macio, devem ficar estaladiças ou crocantes e, especialmente devem ficar sem a gordura da fritura”, recorda-nos o gastrónomo que também é o presidente do júri do concurso que decorre anualmente para eleger a melhor patanisca de Lisboa.

Pataniscas de bacalhau
Pataniscas de bacalhau
Ver receita

Ainda de acordo com o gastrónomo, "a patanisca depois de frita deve ser colocada em papel absorvente e virada dos dois lados. Depois há ainda quem as frite duas vezes. Claro que a aparência também conta. Para mim é imperdoável encontrar espinhas, como também o é o sabor a farinha”.

Ainda sobre a patanisca, conta-nos o gastrónomo na sua página de crónicas que “reconheço-lhe a origem na região de Lisboa e só lamento que não sejam um maior emblema culinário dada a sua versatilidade de petisco, ou prato principal. Não tenho nada contra os sonhos de bacalhau mas, por favor, não lhes chamem pataniscas”.

“Gosto de acompanhar com um arroz malandrinho, e leve, de berbigão ou lingueirão, arroz de tomate ou feijão vermelho. Mas o meu acompanhamento favorito são os legumes verdes, cozidos, ou ligeiramente salteados com alho, ou em salada”.

Patanisca: Segredos e receita para conquistar à mesa esta tão saborosa portuguesa

Sobre a origem da patanisca, citando Virgílio Gomes, “a receita mais antiga de um produto semelhante é a de `Bolinhos de Bacalhau` do livro do Visconde de Vilarinho de São Romão, 1841, cujo título é ´Arte do Cozinheiro e do Copeiro` no qual o autor admite que a maioria das receitas são tradução do livro `La Maison de Campagne` de Aglaé Adson, cuja primeira edição saiu em 1822. Não é uma patanisca, mas tem o detalhe de não incluir a batata que veio mais tarde, e deu origem ao pastel de bacalhau ou bolinho de bacalhau como se continua a chamar no Norte”.

Sobre a patanisca em concreto, após investigação, o gastrónomo conclui que a primeira receita reporta a Maria Odete Cortes Valente, no livro “Cozinha Regional Portuguesa”, de 1973.

“Depois Maria de Lourdes Modesto, no livro “Cozinha Tradicional Portuguesa”, 1982, apresenta uma receita de pataniscas e integrada na região da Estremadura”.

Newsletter

Receba o melhor do SAPO Lifestyle diariamente no seu email.

Notificações

Os temas mais inspiradores e atuais estão nas notificações do SAPO Lifestyle.

Na sua rede favorita

Siga-nos na sua rede favorita.