Foi um “trabalho hercúleo”, num ano de pandemia, executar a “construção, arquitetura de interiores, conteúdos e espólio” para o Museu da Moda e do Têxtil, que casa indústria têxtil e moda de autor, avançou hoje a coordenadora do projeto do novo museu, em Portugal, Catarina Jorge, sobre a instituição que vai abrir ao público no próximo dia 20 de maio, pelas 12:00.

O Museu da Moda e do Têxtil vai apresentar a “Fashion & Design”, uma coleção que vai “coser” uma área de cerca de dois mil metros quadrados, organizada em dois pisos, e que nasceu no novo quarteirão WOW, em pleno centro historio de Vila Nova de Gaia, no distrito do Porto, junto às Caves de Vinho do Porto.

O primeiro piso versa sobre a indústria têxtil em Portugal, onde os visitantes podem conhecer a importância daquele setor no desenvolvimento da região Norte de Portugal, bem como na economia nacional.

Quem chegar ao primeiro piso depara-se com uma ‘timeline’ (linha do tempo), com os momentos cronológicos mais relevantes da história da indústria têxtil portuguesa, desde o século XVI até à atualidade.

O visitante descobre também um tear de lançadeira dos anos de 1910, anúncios luminosos alusivos a fábricas têxteis antigas, sementes de linho e espólios das antigas fábricas Têxtil Riopele e da Têxtil Manuel Gonçalves, nos quais se pode observar canelas de fio, medidores de tensão de fios, máquinas de debuxo, amostras de tecido e um livro de tendências.

Ainda no primeiro piso do Museu da Moda há várias oficinas e uma montra, revelando os processos produtivos desde a fiação, debuxo, tecelagem, tinturaria, até à confeção e montra.

Naquela secção, são exibidas duas curtas-metragens, realizadas por alunos de Artes da Universidade da Beira Interior, relacionados com a indústria têxtil.

O segundo piso é dedicado à moda de autor, portuguesa, ao calçado nacional e à arte da filigrana (uma arte portuguesa de soldar finos fios de metal, de forma a compor um desenho).

Ali, o visitante vai poder apreciar peças icónicas de ‘designers’ portugueses, desde os anos 80 do século passado, até aos dias de hoje.

Há um espaço dedicado aos ‘designers’ portugueses pioneiros na moda atual, em que se destacam trabalhos de Eduarda Abbondanza e Mário Matos Ribeiro, Ana Salazar, José António Tenente, João Tomé e Francisco Pontes ou Manuela Gonçalves.

Depois descobre-se uma sala dedicada aos criadores de moda portuguesa, consagrados nacional e internacionalmente, onde se podem apreciar trabalhos de ‘designers’ como Miguel Vieira, Luís Buchinho, Nuno Baltazar, Fátima Lopes, Maria Gambina, Filipe Faísca, Luís Carvalho, Anabela Baldaque, Diogo Miranda, Hugo Costa, Alexandra Moura, Ricardo Preto e Carlos Gil, entre muitos outros.

Depois há também um espaço dedicado aos jovens ‘designers’ emergentes, descobertos através das plataformas ‘Bloom’ e Sangue Novo, dos eventos de moda Portugal Fashion e Moda Lisboa, respetivamente, como por exemplo os ‘designers’ Estelita Mendonça e Gonçalo Peixoto.

O setor do calçado não foi esquecido e existe também um espaço onde se exibe uma linha de montagem de calçado feminino e masculino, desde o esboço, com vários desenhos em papel, até à materialização, e cujo material foi cedido pelos ‘designers’ Luís Onofre e Carlos Santos, e pelo Centro Tecnológico do Calçado em Portugal.

Um dos destaques da coordenadora do projeto do Museu da Moda recaiu numa sala de “curiosidades de moda portuguesa”, onde pode ser descoberto, por exemplo, um par de ‘chinelos peixe’, em borracha, da ‘designer’ Lidija Kolovrat, um medidor de bainhas ‘vintage’, peças para abrir costuras, uma peruca de porcelana de Nuno Gama, um colar de concha e osso, com aplicação de cristais de Ricardo Preto, uma mochila em malha, de Susana Bettencourt, e sapatilhas produzidas com cabelo natural e artificial, de Olga Noronha, entre outras ‘curiosidades’.

Catarina Jorge sublinhou que a sustentabilidade e a reciclagem no mundo da moda e do têxtil foram também objeto de reflexão naquele novo museu, porque, defende, há que “formar as novas gerações para terem o cuidado na compra dos artigos”, e na forma como “consomem moda”.

O Museu da Moda e do Têxtil, desenhado pele arquiteto Vitor Miranda com o Studio Astolfi, está incluído num projeto maior, composto por mais cinco museus — Museu do Vinho, Museu sobre a Região do Porto, Museu da Cortiça, Museu do Chocolate e o Museu sobre o ritual da bebida.

Todos os seis museus são banhados pelo Rio Douro e estão edificados no novo quarteirão de Gaia designado por WOW (‘World of Wine’), em plena zona histórica da cidade de Vila Nova de Gaia, cujo valor do investimento total ronda os “106 milhões de euros”, disse à Lusa a responsável pelas Relações Públicas do projeto.

O Museu da Moda e do Têxtil, tal como os restantes museus do WOW, estão a realizar protocolos com escolas da região com o objetivo de “promover o conhecimento” e “trazer visitantes aos museus”, conta Catarina Jorge, referindo que ainda este ano letivo será possível mobilizar estudantes das escolas para virem visitar o novo equipamento.

“O ideal é virem visitar para perceber toda a complexidade e toda a densidade de conhecimento que temos no museu”, diz orgulhosa por, durante o ano da pandemia, ter sido possível erguer o novo Museu da Moda e do Têxtil.

A abertura do Museu da Moda e do Têxtil esteve prevista para o dia 28 de novembro de 2020, mas, devido às medidas de restrição de mobilidade, a inauguração foi adiada para dia 12 de dezembro e voltou a ser adiada para 2021, sempre por causa da pandemia da covid-19.

O museu, que também tem um restaurante, abre portas no próximo dia 20 e contou com um investimento na ordem dos “10 milhões de euros”, um valor que inclui a construção e a remodelação do edifício para o museu e para as zonas comerciais adjacentes.

A pandemia de covid-19 provocou, pelo menos, 3.230.058 mortos no mundo. A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de 2019, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

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