Pessoas e entidades espalhadas pelo globo criam projetos sustentáveis que não agridem tanto a nossa fonte de rendimento principal, os animais e a natureza. Perante este cenário, marcas de moda estão a investir em peças de roupas eco-friendly e de fonte sustentável, onde os materiais usados são feitos à base de matérias-primas orgânicas e recicláveis. O verde está na moda. E não falamos da cor. Falamos de uma nova forma de fazer moda que tem envolvido marcas, criadores e até celebridades.

O que está na mira de marcas nacionais e internacionais é fazer da moda um negócio limpo, sustentável e amigo da natureza. O que está lenta, mas, seguramente, a tornar-se mais mainstream. Liderada por pioneiros da indústria da moda, como a designer britânica Stella McCartney, conhecida por excluir a pele das suas coleções, divulgando a tendência de um vestuário sustentável e ético. A criadora, anteriormente contra a promoção do que ela denomina de aparência de pele, incluiu, pela primeira vez, pele sintética numa colecção.

Dessa forma provou que os materiais e as técnicas existentes têm evoluído o suficiente para que essa possa, agora, ser classificada como um estilo luxuoso. Até a H&M, rede sueca de fast fashion, entrou na onda e, além da sua linha Conscious, lançada todas as primaveras, criou em 2015 a coleção «Close the Loop», provando que até os gigantes da moda podem investir num tipo de confeção mais consciente e preocupada com os estragos que a produção e o consumo em larga escala podem causar.

Falso mas sustentável

Da mesma forma que a utilização de peles falsas é agora a norma, as atitudes face à utilização de pele e pelo de animal estão, também, a mudar, com um número crescente de entidades a disponibilizarem diferentes estilos de design, adaptados a diferentes orçamentos. É que, em pleno século XXI, ainda são mortos milhões de animais todos os anos para a confeção de casacos de pele no mundo inteiro. Martas, esquilos, focas, chinchilas e raposas.

Só em França são abatidos 70 milhões de coelhos por ano para alimentar a indústria das peles. Para muitos designers de moda existem peles sintéticas que cumprem o mesmo fim estético, de conforto, de abrigo. Então porque continuamos a usar peles verdadeiras? A cada ano que passa, há cada vez mais marcas a adotarem politicas de fur-free, dizendo não às peles verdadeiras.

Em agosto de 2015, a Human Society of the United States publicou uma lista de marcas de moda que não vendem peles verdadeiras nas suas criações. A Asos, a United Colors of Benetton, a H&M, a Zara, a Lacoste e a Topshop são algumas delas. Nas marcas de luxo constam nomes de designers como Stella McCartney, Tommy Hilfiger, Ralph Lauren e Calvin Klein. A lista não se fica, contudo, por aqui.

Veja na página seguinte: O número de animais que se matam para fazer um casaco de peles

A única top model que cumpriu a promessa feita

Embora alguns designers de marcas de luxo tenham já uma nova consciência e se preocupem com o bem-estar dos animais, as marcas de moda rápida estão mais à frente e são assumidamente cruelty- free, usando esse statement nas suas campanhas. Algumas não usam de todo produtos animais, como a lã, a seda, a pele e a camurça, enquanto outros estão a dar os primeiros passos em direção ao seu uso controlado. No entanto, nem tudo é perfeito.

Desde a famosa campanha da PETA em 1994, em que cinco super modelos se despiram e declararam que preferiam andar nuas, do que vestir pele, que muito mudou. A campanha foi um triunfo, mas só Christy Turlington conseguiu manter a palavra. Além disso, designers como Diane von Furstenberg, Saint Laurent e Roberto Cavalli ainda usam peles verdadeiras nas suas coleções.

A batalha entre as fações de apoiantes contra as peles continua acesa e uma das razões em cima da mesa é que as peles falsas não são propriamente benéficas para o ambiente. Será que a solução é banir as peles, falsas ou não, do seu guarda-roupa ou seguir os seus valores e ética? O que também vale para qualquer designer.

O número de animais que se matam para fazer um casaco de peles

Para criar um casaco em pele, de tamanho médio, é necessário matar 100 chinchilas, 70 martas zibelinas, 30 coelhos, 17 techugos, 14 lontras, 11 linces e 9 castores. Existem várias maneiras de abater os animais. À paulada, estrangulados ou, entre outras técnicas para preservar a pele, eletrocutados com a introdução no anús de ferramentas que fritam os órgãos internos. Agora que já sabe, a opção é só sua!

Há cada vez uma maior necessidade de se mudar a maneira como as pessoas consomem moda, transformando o comprador impulsivo num consumidor consciente – aquele que tem em consideração as questões ecológicas, sociais e económicas no momento em que adquire uma peça. «Não é fácil ser um consumidor consciente num mundo como o de hoje», explicou ao portal UOL Patricia Saito, autora do site Costura Sustentável.

«Temos um modelo de produção que faz muito sucesso, o fast fashion, e nessa dinâmica, a produção de roupas (como o seu desperdício) acontecem a um ritmo muito acelerado», refere. Saber exatamente o que se precisa e conhecer bem o seu estilo pessoal é importante e conta muito quando se vai às compras.

«Ser um consumidor consciente de moda é conhecer o seu guarda-roupa, conhecer os valores de estilo que deseja seguir e comprar apenas se for estritamente necessário», diz também Patrícia Sant'Anna, diretora de pesquisa da empresa Tendere, Tendências e Soluções em Moda.

Texto: Margarida Figueiredo e Joana Brito

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