As mudanças hormonais que ocorrem na mulher quando entra na menopausa fazem com que a gordura se acumule em zonas tipicamente masculinas, levando a silhueta a perder, pouco a pouco, as suas linhas femininas.

Nos últimos anos, a cirurgia estética aperfeiçoou técnicas de lipoaspiração que ajudam a resolver o problema.

Durante a menopausa produz-se uma alteração muito importante na distribuição da gordura corporal devido à descida dos níveis de estrogénio. «As alterações hormonais antes e durante a menopausa, com diminuição ou irregularidade de secreção das hormonas femininas pelos ovários, contribuem para a acumulação de gordura e para tornar a pele mais fina, seca e menos elástica. Todas estas alterações prejudicam os resultados que se obtêm com a lipoaspiração tradicional», explica António Cardoso Tavares, cirurgião plástico na Clínica de Todos-os-Santos, em Lisboa.

Para além disso, a figura feminina deforma-se e começa a acumular gordura nas mesmas zonas que os homens, nomeadamente nos flancos, no abdómen, no interior dos braços, nas costas e no contorno da axila. Com a lipoaspiração tradicional, muitas dessas zonas não ficam bem trabalhadas porque é muito difícil mover a gordura e a pele acaba por ficar descaída e com irregularidades.

António Cardoso Tavares defende que, optando por uma lipoaspiração superficial nesses locais, consegue-se esculpir a silhueta com um resultado uniforme e duradouro. «Para tentar colmatar este problema e a dificuldade das técnicas clássicas conseguirem resultados óptimos, nos casos de irregularidades cutâneas, foram propostas variantes técnicas à lipoaspiração, que pretendem provocar uma maior retracção da pele».

«A lipoescultura (que realiza uma aspiração muito superficial) e a lipoaspiração ultra-sónica (em que a cânula emissora de ultrasons) liquidifica as células adiposas e remove a gordura por aspiração e aspersão. Esta última pode provocar queimaduras, pelo que muitos cirurgiões a abandonaram. A lipoaspiração superficial é utilizada pela maioria dos médicos em localizações mais seleccionadas», acrescenta ainda.

4.000 ciclos por minuto

«A vibrolipoaspiração é uma técnica de lipoaspiração em que a cânula vibra a cerca 4.000 ciclos/minuto em virtude de estar inserida num punho vibratório. Isto alivia muito o trabalho do médico, que não tem que fazer força manual para desfazer a gordura como acontece na lipoaspiração tradicional», explica António Cardoso Tavares.

«Basta mover suavemente a cânula e deixar que a vibração emitida pela máquina liberte as células de gordura, facilitando a sua aspiração», sublinha. Já a cânula utilizada na vibrolipoaspiração «é de menor diâmetro que as convencionais, o que torna a intervenção menos invasiva e mais precisa».

Para além disso, de acordo com António Cardoso Tavares, «por norma, a vibrolipoaspiração é associada à técnica tumescente, em que se injectam os tecidos com soro e medicamentos vasoconstritores para diminuir a hemorragia e facilitar a destruição das células de gordura». A conjugação destes procedimentos permite aspirar mais gordura, em locais de difícil acesso, esculpindo a silhueta e evitando irregularidades.


Veja na página seguinte: Os traumatismos que podem advir

Os traumatismos consequentes são menores. A paciente não fica com tantas nódoas negras e a recuperação é mais rápida.

Quanto aos resultados expectáveis, o cirurgião apela ao realismo das pacientes.

«As quantidades de gordura a aspirar dependem das zonas necessitadas e são sempre condicionadas ao estado geral da doente. Estatisticamente, sabemos que, em pessoas saudáveis, aspirar quantidades superiores a quatro litros, provoca um aumento das complicações graves».

Que preparação
é necessária?

Como estamos a falar de mulheres maduras que já entraram na menopausa, há que descartar qualquer risco cirúrgico. Os exames prévios devem incluir testes de coagulação, de glicémia e níveis de transaminases. Também é necessário fazer uma radiografia do tórax e um electrocardiograma.

No caso de se tratar de uma lipoaspiração ampla (mais de 3 litros de gordura aspirada) ou se a paciente apresentar um hematócrito baixo (percentagem de glóbulos vermelhos no volume total de sangue), pode ser necessário fazer uma autotransfusão após a intervenção, para repor o sangue e os fluidos que se tenham perdido devido à lipoaspiração. Por isso, preventivamente, extrai-se um concentrado de glóbulos vermelhos à paciente duas semanas antes da operação.

Resultados

No fim do primeiro mês, a inflamação diminui e pode começar a apreciar-se a redução de volume e a retracção da pele. Aos dois meses, os resultados da lipoaspiração evidenciam--se perfeitamente numa figura mais estilizada e proporcionada, com linhas femininas muito definidas.

A partir daí, se quiser manter as formas, o truque é não engordar. Tem que seguir uma dieta equilibrada, rica em legumes e frutas e praticar actividade fisica duas ou três vezes por semana.

Nos casos em que exista flacidez (o que sucede, frequentemente, depois dos 40, ou após múltiplas gravidezes), a vibrolipoaspiração, tal como a lipoaspiração, pode ser complementada por técnicas cirúrgicas de excisão, como a miniabdominoplastia (excisão do excesso de pele na barriga), a ritidectomia (lifting) da face interna das coxas ou a braquioplastia (excisão do excesso de pele nos braços). Tratam-se, contudo, de técnicas que deixam cicatrizes visíveis, pelo que devem ser bem ponderadas.

Texto: Ana Prista

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