Milhares de toneladas de plástico acabam, todos os dias, nos oceanos, onde um número infinito de espécies depois o consome, uma situação potencialmente perigosa para os animais e para os humanos, que depois os ingerem nos peixes e nos mariscos. Ingredientes como o polietileno, o polipropileno, o nylon, o ácido polilático, o polimetilmetacrilato e o tereftalato de polietileno (PET) ainda são, atualmente, passíveis de ser encontrados em vários produtos de marcas de cosmética e de dermocosmética.

Muito embora a União Europeia tenha traçado um plano para a eliminação progressiva das micropartículas de plástico que, devido ao seu tamanho minúsculo, são drenadas para os esgotos, acabando por afetar os lençóis freáticos e os ecossistemas dos rios e dos oceanos, a verdade é que ainda há, no território europeu, quem desrespeite as normas estabelecidas, tal como também sucede com alguns dos produtos de beleza, oriundos de diversas partes do mundo, que são comercializados na internet.

Tenha por isso em atenção, na hora de comprar os indispensáveis para uma rotina de beleza, a lista de ingredientes que os compõem. As referências veganas, orgânicas e naturais deverão estar, em princípio, livres desse tipo de substâncias. Em pleno século XXI, é inevitável não pensar no impacto que cada uma das ações do ser humano tem, diariamente, no meio ambiente. A todos os níveis. Damos-lhe conta de alguns gestos a incorporar na sua rotina de beleza de forma a reduzir a sua pegada ecológica.

1. Diga adeus aos discos desmaquilhantes de uso unitário

Embora muitas marcas garantam ser biodegradáveis, nem sempre cumprem essa máxima. Descartamos as toalhitas como se de papel higiénico se tratassem sem termos consciência dos danos que causam à natureza. A alternativa é investir em discos e toalhas desmaquilhantes reutilizáveis, feitos em algodão e laváveis na máquina. Se tiver algum talento para a costura até pode fazê-los em casa.

Existem, na internet, inúmeros tutoriais que lhe podem dar uma ajuda para os confecionar. Se não tem muito jeito de mãos, pode adquiri-los facilmente. Existem no mercado opções fabricadas a partir de pequenas fibras antibacterianas que absorvem a sujidade e os resíduos de maquilhagem apenas com água, que duram até quatro anos e suportam mais de um milhar de lavagens.

2. Dê prioridade às fórmulas sólidas

A ausência de embalagens fez destes produtos uma das melhores opções para reduzir o desperdício que se gera com as rotinas estéticas. Os produtores e os promotores das referências nuas, como muitos as designam, reconhecem-lhes uma série de vantagens. Para além de se economizar na embalagem, são mais fáceis de usar porque tendem a não desperdiçar produtos e ainda evitam as aborrecidas restrições das bagagens de cabine nas viagens de avião.

As empresas que operam neste mercado começaram por incluir o champô sólido nas suas gamas, como foi o caso da portuguesa Castelbel, mas essa oferta tem-se vindo a diversificar. Muitas companhias alargaram-na ao gel de banho, aos hidratantes corporais e até aos produtos de nutrição da pele faciais com texturas únicas e com fragrâncias agradáveis, muito mais ecológicas e amigas do meio ambiente, como inúmeros agentes do setor o reconhecem.

3. Deixe de usar desodorizantes em spray

Embora as restrições ao desenvolvimento deste tipo de produtos tenham aumentado nos últimos anos, este formato, privilegiado por muitos, continua a ser o mais prejudicial para a atmosfera. Também o uso de algumas substâncias controversas veio pôr em destaque as suas opções químicas que, nalguns casos, podem afetar a pele sensível das axilas.

As alternativas mais respeitadoras para com o meio ambiente e para com o próprio corpo são as com fórmulas que evitam perfumes, alumínio e/ou álcool e não interferem com o processo de transpiração, favorecendo um processo de eliminação natural ao combater a proliferação de bactérias com óleos essenciais que incluem propriedades antimicrobianas.

4. Aposte numa higiene dentária mais sustentável

De acordo com as estimativas avançadas por vários estudos científicos nos últimos anos, usamos, ao longo da nossa vida, mais de 300 escovas de dentes, o equivalente a cerca de cinco quilos de plástico por pessoa. Existem alternativas? Sim! As opções ecológicas feitas com cabo de bambu e cerdas de nylon com elevada taxa de biodegradação são uma delas. Ao descartá-las, é recomendável remover as cerdas com pinças e depositá-las no recipiente amarelo.

Embora ainda existam limitações no que respeita aos dentes sensíveis, já existem muitas opções no mercado, tal como também sucede com as pastas dentífricas com ingredientes de origem natural. As de bambu destacam-se pelas propriedades de limpeza. As de hortelã pela ação refrescante. As de aloé vera protegem as gengivas. A opção vegana alternativa à seda do fio dental são as fibras vegetais, como o carvão de bambu, reforçadas com fios de poliéster e revestidas com alguns óleos essenciais.

5. Invista em recipientes que podem ser reutilizados

O costureiro francês Thierry Mugler foi, em 1992, o pioneiro no mercado da cosmética de luxo da era moderna a retomar uma tradição que remonta ao século XVIII, ao possibilitar aos seus clientes voltar a encher os frascos das suas fragrâncias do perfume original. Desde então, muitas marcas adotaram o mesmo sistema e, hoje, é possível fazê-lo com os mais diversos produtos, desde a maquilhagem aos produtos para cabelo, corpo ou rosto. A Benâmor é uma das que o permite.

6. Prefira cosméticos com fórmulas biodegradáveis

Segundo informações difundidas pelos laboratórios dermatológicos Avène, cerca de 75% dos corais do planeta estão ameaçados pela atividade humana e, entre 25% a 50% das espécies marinhas, vivem em recifes. Esta constatação levou muitas empresas do setor a tomarem medidas e a desenvolverem protetores solares que não interfiram prejudicialmente com o ecossistema marinho.

Para isso, baseiam-se em fórmulas biodegradáveis que não deixam resíduos e que apostam em ingredientes essenciais. Muitas, como a Isdin, têm vindo a incorporar nos seus produtos um pequeno número de filtros solúveis em água altamente eficazes, deixando de lado aditivos desnecessários, microesferas plásticas, parabenos, perfumes, conservantes e até silicones prejudiciais.

7. Recicle sempre que essa possibilidade exista

Aplicar as regras da reciclagem a todos os gestos quotidianos, incluindo os cosméticos e os dermocosméticos e os produtos de beleza e higiene, é absolutamente essencial. Muitas empresas recorrem já a embalagens fabricadas com material reciclado que são, por sua vez, facilmente recicláveis. Há outros agentes deste setor que limitam a utilização de papel nos recipientes que vendem, incluindo essas informações nas próprias caixas.

As garrafas são, geralmente, feitas de plástico, pelo que podem ir diretamente para o ecoponto amarelo para poderem vir a ser reaproveitadas. Os frascos da maioria dos perfumes, de vidro, vão para o ecoponto verde. Se o fizer, com este simples gesto, vai ajudar a reduzir as emissões de dióxido de carbono e o consumo de energia, evitar a exploração excessiva de recursos naturais e ajudar a criar cidades mais sustentáveis.