“Temos de voltar a atenção para as crianças. Não tem havido tempo para isso”, lamentou, em declarações à agência Lusa a propósito do debate que o parlamento realiza na sexta-feira, por iniciativa do Bloco de Esquerda.

Para o ex-ministro de António Guterres, o alargamento da escolaridade obrigatória para 12 anos, ou até aos 18 anos de idade, trouxe questões novas que “não estão a ser devidamente equacionadas”, mas são de “uma importância enorme” para o país. “Não valorizamos, como devíamos, o ensino profissional e há cada vez mais alunos a escolher essa via (40% - 60%)”, critica.

Assim, torna-se necessário pensar que rede é preciso ter, que oferta de escolas e equipamentos (laboratórios, oficinas) e que formação de professores, explicou. “Continuamos com 70% da população adulta com, no máximo, o 9.º ano. São os pais e os avós das nossas crianças”, sublinhou.

É neste sentido que defende um programa de envolvimento das famílias e comunidades: “As autarquias podem fazer isso”.

Para o ex-presidente do Conselho Nacional de Educação (CNE), uma aposta em projetos inovadores traria visibilidade aos mesmos e provaria que é possível atingir objetivos em contextos distintos. “Há maneiras de fazer estas coisas, podemos aprender mais com outros”, atestou, considerando que os debates se centram muito nos mesmos temas: “Temos um discurso público monolítico, basta ver a televisão. Só se fala da Caixa [Geral de Depósitos]”.

Centrar o debate no aluno e no ambiente familiar é a proposta de Júlio Pedrosa, que merece a atenção dos encarregados de educação. “As famílias ainda são muito pouco ouvidas, discute-se muito as profissões, as redes, [mas] pouco as famílias. Essa aproximação devia ser alvo de uma aposta séria”, disse à Lusa o presidente da Confederação Nacional das Associações de Pais (CONFAP), Jorge Ascensão.

Jorge Ascensão considera fundamental, as escolas ouvirem “aqueles que têm lá dentro” e as respetivas famílias. “Penso que estamos de acordo de que precisamos de uma escola pública para todos, a questão é saber se os que lá estão compreendem a escola que lhes é dada”, declarou.

De acordo com Jorge Ascensão, ainda há muito trabalho a fazer para recentrar a atenção nas crianças e nos jovens, nas suas expectativas e interesses. “A evolução só vai acontecer quando as próprias escolas ouvirem aqueles que têm lá dentro e as famílias”, reiterou.

A Escola Pública será tema em debate no plenário do parlamento, pedido pelo Bloco de Esquerda e marcado para sexta-feira.

O estado em que se encontram os estabelecimentos de ensino, os recursos humanos e a democracia dentro das escolas são temas a abordar neste debate.

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