A Associação Anti-Bullying com Crianças e Jovens (AABCJ) nasceu do projeto de doutoramento de um investigador da Universidade do Minho e professor de Educação Física, Paulo Costa, que defendeu que esta é uma temática que devia fazer parte dos planos curriculares e alertou para a sensibilização da importância da denúncia, quer por parte das vítimas, quer por parte dos colegas que assistam a episódios de ‘bulliyng'.

Em declarações aos jornalistas, à margem da apresentação da referida associação e na véspera do Dia Mundial de Combate ao ‘Bullying', Paulo Costa apontou que uma em cada três crianças, com idades entre os 13 e os 15 anos, são vítimas regulares daquela prática na escola, embora nem todas as vítimas tenham consciência de que o são e os agressores que são agressores.

"Além do objetivo de erradicar o ‘bullying' das escolas, queremos que as crianças, professores, auxiliares de educação percebam que tipo de comportamentos são estes e o que podem fazem, nomeadamente denunciar", explicou o professor.

Segundo o investigador, a AABCJ pretende "agir ao nível da sensibilização" isto porque, explicou, "muitas das vezes o agressor não percebe que está a agredir e a vítima não percebe que está a ser vítima de ‘bullying'", ou seja, de agressões intencionais, verbais ou físicas, feitas de maneira repetitiva.

A definição fácil do "estava a brincar"

Paulo Costa apontou uma "definição fácil" do conceito de ‘bullying': "Muitas vezes o agressor diz que estava a brincar e aí eu pergunto-lhe se a vítima também estava a brincar porque uma brincadeira pressupõe que ambos se estejam a divertir e de certeza que a vítima não estava a achar piada".

A associação irá funcionar como instituição de "apoio" a vítimas com psicólogos a trabalhar em regime voluntário e vai desenvolver várias ações como "peças de teatro, exposições, atividades diversas orientadas para o alerta e formas de prevenção deste tipo de comportamentos".

O professor deixou ainda uma sugestão: "A temática do ‘bullying' devia fazer parte dos planos curriculares e da formação dos professores para que as escolas também ouvissem o que as crianças têm a dizer sobre este assunto, uma vez que podem ser elementos pró-ativos".

A AABCJ "nasceu" do trabalho de investigação de Paulo Costa, iniciado em 2008.

"Tudo começou em 2008 ou 2009, quando fui confrontado com um caso de ‘bullying' numa das minhas aulas. Nas aulas de Educação Física há muitos episódios de humilhação ou de rejeição dos quais o professor é testemunha. Na altura, decidi dedicar a minha tese de doutoramento ao tema", explicou.

Para o professor, "a temática do ‘bullying' devia fazer parte dos planos curriculares e da formação dos professores para que as escolas também ouvissem o que as crianças têm a dizer sobre este assunto, uma vez que podem ser elementos pró-ativos".

Os resultados do trabalho de Paulo Costa, já apresentado, indicam que 37% das crianças e jovens auscultados foram vítimas de comportamentos agressivos e intimidatórios na escola e que não se verificam diferenças estaticamente significativas quanto ao género come exceção do ‘bullying' homofóbico que tem maior prevalência no sexo masculino.

Paulo Costa concluiu ainda que 75% das vítimas referiram não ter dito nada a ninguém.

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