“Não temos ainda sinalização de menores não acompanhados, mas queremos exatamente é prevenir que as crianças estejam desprotegidas e, portanto, a nossa preocupação total é essa: garantir que temos um sistema de acompanhamento e de proteção das crianças e também de identificação de famílias que estejam disponíveis para acolher crianças de uma forma acompanhada e controlada”, afirmou.

A ministra Ana Mendes Godinho falava hoje aos jornalistas à margem de uma reunião de ministros do Emprego e Assuntos Sociais da União Europeia.

O objetivo da reunião foi o de abordar as respostas que cada um dos países está a dar para responder à situação vivida pelos refugiados da Ucrânia após a invasão pela Rússia.

Ana Mendes Godinho disse que deu conta do que tem sido feito em Portugal, “nomeadamente em termos de criação de condições para que as pessoas fiquem desde logo integradas mal cheguem” ao país.

Referindo que o objetivo das medidas é que todos os ucranianos que fogem da guerra e escolham Portugal como destino fiquem imediatamente “com toda a situação regularizada”, incluindo “inscrição automática na segurança social e no sistema de saúde”, a ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social destacou também o programa lançado pelo Governo “para acompanhamento total de crianças não acompanhadas, um problema transversal com que todos os países se estão a confrontar”.

“Em Portugal lançámos este programa precisamente para garantir que há um registo e acompanhamento de todas as crianças, para garantir a sua proteção e o acolhimento”, disse, estimando que, entre os ucranianos que já chegaram a Portugal, cerca de 20% sejam crianças, “o que não significa menores não acompanhados”.

Nesse sentido, prosseguiu, Portugal lançou “não só uma plataforma ‘online’, como está a preparar uma linha telefónica”, para “estar disponível para todas as dúvidas que surjam e para ir sempre acompanhando a situação”.

Ana Mendes Godinho adiantou que, além de se ter reunido com os ministros dos “países da linha da frente que estão a receber mais refugiados”, Roménia e Polónia, para “saber como ajudar mais” e articular questões como as das caravanas humanitárias, partilhou com todos os seus homólogos “o programa lançado em Portugal para a disponibilização de ofertas de emprego por parte das empresas”.

“Neste momento temos mais de 22 mil ofertas de emprego já carregadas em cerca de uma semana, e começaram já hoje os cursos de português para os refugiados ucranianos que já se registaram em Portugal. Hoje já estão a decorrer sessões precisamente para a aprendizagem e partilha de português e já houve contratos de trabalho celebrados na semana passada”, indicou.

Assumindo não ter “números atualizados” sobre os contratos já celebrados, adiantou que as ofertas de emprego são sobretudo nas áreas tecnológica, do turismo, da construção civil, da indústria e do setor social.

“Sei que o primeiro contrato celebrado foi precisamente no setor social”, concluiu.

Portugal concedeu até hoje 7.225 pedidos de proteção temporária a pessoas vindas da Ucrânia em consequência da situação de guerra, revelou à Lusa o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF).

A Rússia lançou a 24 de fevereiro uma ofensiva militar na Ucrânia, com forças terrestres e bombardeamento de alvos em várias cidades, um ataque que foi condenado pela generalidade da comunidade internacional.

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