Esta ideia foi partilhada, em declarações à agência Lusa, por Matthew Pacheco, de 19 anos, que partiu para Chengdu, na China, com o apoio da associação estudantil AIESEC, por Amélia Pinto Basto e Cátia Sousa, ambas de 23 anos, que partiram para a Roménia e Polónia, respetivamente, através do Serviço Voluntário Europeu.

Cátia afirmou que foram vários os fatores que a levaram a optar por esta experiência, mas o que completou o “leque de incentivos” foi a oportunidade de poder conhecer outras culturas e viver num país estrangeiro.

Amélia admitiu ser "louca por viagens", assumindo que esse foi "o primeiro e mais motivador" elemento que a levou a tomar a decisão de partir para a Roménia.

Segundo os jovens voluntários, a atividade permite grandes benefícios para as comunidades locais, mas também para o próprio voluntário, que, além de explorar novas culturas, consegue adquirir novas capacidades ou aprender novas línguas.

“A nível pessoal, sinto-me com uma capacidade enorme de ‘public speaking’, autonomia e, principalmente, muito mais paciente, sabendo ouvir e observar antes de agir”, afirmou Matthew.

O Serviço Voluntário Europeu contabilizou já 145 voluntários, em 2015, uma estabilização dos números que dispararam em 2013 (170 voluntários, contra 97 do ano anterior). A associação estudantil AIESEC contou com 250 estudantes no estrangeiro no ano de 2014.

A experiência de voluntariado dos três jovens teve incidência na área da educação com crianças e jovens. Matthew ensinou inglês na China, Amélia deu aulas sobre Portugal e fez animação clínica em quatro hospitais da Roménia e Cátia desenvolveu atividades para ocupar os tempos de lazer na Polónia.

Mas estes projetos acabaram por levar outros benefícios às crianças e jovens, disse Matthew.

Além do ensino do inglês, Matthew afirmou ter conseguido mostrar às crianças “a grande diversidade cultural mundial, o mundo colorido que os rodeia e convidá-los a partilhar as suas ideias, opiniões e sonhos, provando-lhes que todos os patamares da vida são alcançáveis, se estivermos dispostos a lutar por eles”.

Quanto às dificuldades encontradas, Matthew explicou que “fazer voluntariado no estrangeiro não é tão bonito como parece nas fotos que se partilha no Facebook”, apontando também as dificuldades na comunicação em línguas estrangeiras.

Para ele, uma das maiores dificuldades foi “a barreira do mandarim”, que o fez viver um dos momentos mais “desagradáveis” da vida, quando se viu sozinho e perdido durante cinco horas na chegada a Chengdu. Esse momento poderia ter sido evitado se o seu “nível de mandarim fosse um pouco além do ‘nihao’ (como está?) e do ‘xièxiè’ (obrigado)”.

Antes de embarcarem numa experiência no estrangeiro, os três jovens eram voluntários em Portugal, assim como, de acordo com o Conselho Para a Promoção do Voluntariado, mais de meio milhão da população. Cátia contou à Lusa que as diferenças entre as duas experiências são marcantes.

“Entre Portugal e a Polónia há diferenças marcantes. Deparei-me com crianças mais frustradas, que não lidavam bem com pessoas de países diferentes. Por outro lado, houve crianças que nos tratavam como se viéssemos de outro mundo”, contou.

Muitos voluntários partem para países que nunca visitaram. Amélia afirmou que da Roménia “não conhecia nada antes de ir, sem ser a história do Drácula, da qual, lá, aparentemente, ninguém gosta”. Mas, com o passar do tempo, Amélia aprendeu “a gostar, a adorar, a amar” a Roménia.

São poucos os voluntários que conseguem traduzir em palavras o quanto aprenderam durante esta experiência e a gratidão que sentem por tudo o que viveram.

“Para a China levei simplesmente uma mente aberta, boa disposição e 20 quilos de bagagem, mas trago algo muito mais especial: memórias para a vida”, afirmou Matthew, que recordou com “grande carinho” os mais de 200 alunos que o marcaram e a felicidade que foi perceber que todos gostam do “famoso ‘Dan Ta’, conhecido em Portugal como pastel de nata, introduzido na China por Macau”.

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