A iniciativa partiu da referida biblioteca desse concelho do distrito de Aveiro, onde, em setembro de 2019, foi criado um grupo de tricô que se reúne quinzenalmente para ocupar os tempos livres de cerca de 30 voluntárias com práticas manuais envolvendo diversos tipos de lã.

Esse grupo de voluntárias passou agora a dedicar-se à confeção de gorros e botins de tamanho XXS especificamente destinados ao Serviço de Neonatologia do Centro Hospitalar do Entre Douro e Vouga (CHEDV), que funciona no Hospital São Sebastião, na Feira.

Fátima Menezes é a diretora desse serviço e admite que já outras entidades vinham oferecendo esse tipo de vestuário ao CHEDV, como aconteceu por parte da Liga dos Amigos do Hospital da Feira, associações locais e até particulares, mas reconhece que o contributo do grupo de tricô da biblioteca garantirá à unidade um guarda-roupa mais farto e maior variedade de opções.

"Quando começámos a cuidar de bebés prematuros tivemos que improvisar e usámos roupa de bonecas para os vestir, porque nada mais lhes servia", recorda a pediatra.

Considerando que, atualmente, um em cada 10 bebés nasce prematuro e que o mercado do vestuário continua a não ter opções para esse público, Fátima Menezes defende: "O carinho com que estes grupos voluntários têm fabricado peças como gorros e carapins demonstra que, neste país, toda a sociedade civil se empenha no futuro destes bebés".

Paula Magalhães é a coordenadora do grupo de tricô da Biblioteca da Feira e conta que o grupo começou por dedicar-se apenas a projetos pessoais, até que, a certa altura, as voluntárias já tinham confecionado todas as peças de que precisavam e se impunha um desígnio novo para a primavera e o verão, quando fazer peças grandes em lã é "desconfortável porque aquece muito".

Foi então que surgiu a ideia de "trabalhar num projeto de caráter social". Replicando uma iniciativa semelhante promovida pela XXS - Associação Portuguesa de Apoio ao Bebé Prematuro e pela produtora alimentar Nestlé, o grupo contactou o CHEDV para verificar se seria oportuno doar este tipo de vestuário ao Serviço de Neonatologia e apurar os requisitos exigidos à roupa para nascidos antes dos nove meses de gestação.

"As lãs têm que ser hipoalergénicas e não podem ter pêlo. Como estes bebés estão mais vulneráveis a infeções, a roupa também tem de ser resistente a lavagens em altas temperaturas e por isso temos escolhido algodão do Egito", explica Paula Magalhães.

Inicialmente, esse material não estava disponível em Santa Maria da Feira, pelo que houve que solicitar abastecimento a um lojista local, após o que a Biblioteca custeou a primeira remessa de novelos em lã hipoalergénica e as restantes têm sido pagas pelas próprias voluntárias.

"Um novelo de 50 gramas custa três euros e dá para dois gorros e dois pares de botinhas", contabiliza a coordenadora do grupo.

As cores disponíveis são várias e "sempre em tons pastel, mais suaves", sendo que a principal dificuldade na concretização do trabalho é a reduzida dimensão das peças.

"É um desafio porque o fio é muito mais fino, as agulhas também e a roupinha é realmente muito pequenina, o que torna mais difícil manuseá-la", conclui Paula Magalhães.

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