As grávidas portuguesas devem consumir um suplemento de iodo, recomendam os autores de um estudo que indica que 70 por cento das grávidas têm carência deste elemento, o que pode provocar atrasos no desenvolvimento dos bebés em gestação.

Os investigadores do Grupo de Estudos da Tiróide da Sociedade Portuguesa de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo querem agora envolver a Direcção-Geral da Saúde (DGS) numa iniciativa conjunta que permita "avançar para a suplementação de grávidas por rotina e com rigor para evitar consequências significativamente desfavoráveis para a saúde pública".

Em declarações à Lusa, o coordenador do Grupo, João Jácome de Castro, explicou que ainda existiem várias alternativas para os obstretas avançarem com esta medida: suplementos de iodo ou complexos multivitamínicos que contenham iodo.

No entanto, em Portugal não há à venda produtos apenas contendo iodo e a prescrição de complexos com várias vitaminas costuma ser evitada para não haver um consumo excessivo de alguns componentes, nomeadamente de vitamina A, durante a gravidez.

Face a este cenário, Jácome Castro sublinhou a importância da colaboração com a DGS para uma solução que inverta os resultados "preocupantes" do estudo, segundo o qual apenas 30 por cento das grávidas têm valores considerados satisfatórios pela Organização Mundial de Saúde. Das mulheres observadas, 20 por cento tinha índices muito baixos e metade deficiências ligeiras.

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Para o coordenador da investigação, Edward Limbert, a suplementação deveria começar preferencialmente quando as mulheres estão a planear engravidar.

A deficiente ingestão de iodo pode levar ao hipotiroidismo e a um aumento da hormona hipofisária, que estimula a tiróide (TSH) na tentativa de compensar a diminuição. Estas alterações podem aumentar a tiróide (bócio) e, se o hipotiroidismo ocorrer durante o desenvolvimento pré-natal ou na infância, pode levar a atrasos mentais e de crescimento.

As carências de iodo durante a gravidez podem, assim, estar na origem de alterações cognitivas nas crianças, já que o desenvolvimento harmonioso do sistema nervoso está em grande parte dependente das hormonas da tiróide, que são de origem exclusivamente materna nos primeiros meses da gestação.

Depois de concluída a observação das grávidas, os investigadores estão a estudar os valores nas crianças dos sete aos 12 anos e os primeiros dados, recolhidos em escolas no distrito de Lisboa, revelaram que "a situação não é tão preocupante", adiantou Edward Limbert.

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Dados mais conclusivos serão apenas conhecidos no final do ano quando o estudo estiver completo em 50 por cento, estando prevista a sua finalização no final de 2009.

A investigação avalia a eliminação do iodo pela urina, o que permite inferir a ingestão.

Em caso de novo registo de carências, os investigadores colocam a hipótese de recomendar também uma suplementação de crianças "em todo o país ou nas regiões geográficas mais deficitárias".

"O método mais fácil seria através de sal iodado", afirmou Jácome Castro, recordando que a venda obrigatória deste produto já aconteceu em algumas regiões do País até 1996.

O iodo é um elemento que existe em pouca quantidade na natureza e que o organismo necessita para produzir as hormonas da tiróide, pelo que a sua quantidade na alimentação condiciona o funcionamento e as doenças relacionadas com aquela glândula.

04 de Julho de 2008

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