“Temos recebido relatos de situações que comprovam que as crianças e jovens estão a ser afetados por esta guerra. O chavão de que a guerra nos afeta a todos é verdadeiro”, disse à Lusa Tiago Pereira, membro da direção da Ordem dos Psicólogos Portugueses (OPP).

A informação é corroborada pelos diretores escolares que reconhecem novamente nos estudantes sintomas que já tinham surgido durante a pandemia de covid-19: Há alunos que manifestam sinais de maior irritabilidade, ansiedade e outros que vão mesmo à procura de ajuda, contou à Lusa Manuel Pereira, presidente da Associação Nacional de Dirigentes Escolares (ANDE).

O psicólogo Tiago Pereira explicou que existe um grau de preocupação que é normal e que ligeiras alterações identificadas nas crianças e jovens mostram apenas que “são sensíveis à situação que estão a viver, que estão dispostos a lutar por um mundo melhor e que estão disponíveis para os outros”.

A situação torna-se preocupante quando afeta o bem-estar, ou seja, "se deixam de dormir durante vários dias, se há alterações de apetite ou de comportamento, se têm dificuldade em concentrar-se ou se se recusam a realizar atividades que antes davam prazer", exemplificou.

Nas escolas, começaram novas ações para tentar minimizar os impactos do conflito junto de quem vive a muitos milhares de quilómetros, mas mantêm a proximidade através das redes sociais ou dos media.

“Os miúdos têm acesso a imagens muito violentas e, de uma forma silenciosa ou não, acabam por influenciar os seus comportamentos, quer tenham 4 ou 5 anos ou sejam adolescentes de 14 e 15. Por isso, estamos a dar apoio aos nossos alunos, porque nem sempre lhes é explicado o que está a acontecer”, contou Manuel Pereira, que é também diretor do agrupamento de escolas General Serpa Pinto, em Cinfães.

A informação foi corroborada pelo presidente da Associação Nacional de Agrupamentos e Escolas Publicas (ANDAEP), Filinto Lima, que também lamentou as “imagens horrorosas que, a toda a hora, são transmitidas pelas televisões e que mexem com os alunos e adultos”.

Tiago Pereira chamou ainda a atenção para o impacto das redes sociais: “Há muita informação que está descontextualizada e há imagens muito violentas”, exemplificou, apelando aos encarregados de educação para que tenham uma atenção redobrada com o uso das redes sociais.

A Ordem dos Psicólogos tem no seu 'site' um documento sobre como “Conversar sobre a Guerra”, que dá dicas aos pais e educadores e defende que os adultos devem estar disponíveis para escutar as preocupações e responder às questões dos mais novos.

No entanto, lembra Tiago Pereira, as abordagens variam consoante a idade das crianças e se os mais pequenos não mostrarem interesse, então não há necessidade de falar na guerra.

Entretanto, nas escolas, professores e psicólogos desdobram-se em ações. “As escolas estão hoje muito mais bem preparadas do que estavam há 10 anos, mas tendo em conta estes dois acontecimentos – a pandemia e agora a guerra – todos os recursos são poucos”, disse Tiago Pereira, referindo-se à presença de psicólogos nos agrupamentos.

A Ordem dos Psicólogos criou um programa com três curtas sessões - o “Guia de Apoio à Intervenção Psicológica Breve com Crianças — Vamos falar sobre guerra e como fazer a paz” - que podem ser desenvolvidas em sala de aula, durante as quais se incentivam conversas com as crianças a partir dos 8 anos.

“A guerra afecta-nos a todos” é um outro documento da OPP que aborda o problema sem olhar a idades, dando apoio também aos mais velhos.

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