A “principal preocupação” da CIM da região de Coimbra é o combate ao insucesso e abandono escolares e a criação de condições para o sucesso escolar, particularmente nas regiões mais atingidas pelo despovoamento, que também são as mais penalizados por aquele fenómeno, afirmou João Ataíde.

“Os territórios de baixa densidade e mais envelhecidos são os mais afetados” pelo insucesso e abandono escolares e isso implica “repensar o modelo de oferta educativa”, sustentou o presidente da CIM, que falava hoje na sessão de abertura do colóquio ‘Empreendedorismo e criatividade na Região de Coimbra’.

É necessário criar um modelo de oferta educativa que, “adequando infraestruturas e recursos humanos”, melhore a aprendizagem e previna o abandono escolar, sustentou ainda o também presidente da Câmara da Figueira da Foz.

“Não escondemos nem esquecemos que problemas como a desertificação ou a queda da taxa de natalidade contribuem para a destruição silenciosa e sistemática do nosso capital humano”, alertou.

Reflexão urgente

A globalização da economia, a permanente inovação tecnológica, a facilidade de acesso à informação e a “hibridização das culturas” impõem uma “reflexão urgente” e que não se pode “confinar aos gabinetes do Ministério da Educação”, disse João Ataíde.

“Incluo nessa tarefa a análise e consequente adaptação/alteração” dos conteúdos programáticos, sublinhou.

A Região de Coimbra, que agrupa 19 municípios e é a maior do país, aposta “fortemente” na educação, assegurou João Ataíde, considerando que “a iliteracia é a grande inimiga” da região, mas que a CIM está empenhada em a combater, envolvendo “as famílias e, naturalmente, as escolas”. “Não há territórios condenados”, defendeu, durante a mesma sessão do colóquio, destinado a professores, a presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro (CCDRC), Ana Abrunhosa.

“Todos os territórios”, no litoral ou no interior, “têm valor” e o seu futuro depende do talento, da inovação e da criatividade, designadamente para explorar os seus recursos endógenos, disse Ana Abrunhosa, defendendo a necessidade de “qualificar o que já existe” e de incentivar os investidores a investirem em novas áreas de atividade.

O segredo do sucesso está na criatividade, na inovação e no trabalho em rede, considerou a presidente da CCDRC, defendendo “uma ação concertada entre todos” e não “focada só na figura do empreendedor”.

“Quantas vezes, nós, professores, matamos a criatividade dos alunos dentro da sala de aula”, porque, por exemplo, “é preciso cumprir o programa”, questionou Ana Abrunhosa.

O empreendedorismo exige criatividade e o abandono do conservadorismo, da tradição, que ainda há na sala de aula, mas sem que isso signifique o fim de algumas regras, sublinhou a presidente da CCDRC.

Promovido pela CIM da Região de Coimbra, em parceria com seis centros de formação de professores, o colóquio, que conta com a participação de mais de uma centena de professores, decorre hoje e no sábado nas instalações do Instituto Superior de Contabilidade e Administração de Coimbra (ISCAC)/Coimbra Business School, em Bencanta, Coimbra.

O encontro, destinado essencialmente a docentes do ensino básico e secundário/profissional e estudantes e profissionais da área da educação, centra-se nos “desafios e oportunidades hoje colocados à escola, enquanto promotora de competências associadas ao empreendedorismo e criatividade, e na sua importância para o desenvolvimento de sociedades mais justas, dinâmicas e preparadas para o futuro”.

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