O ensino à distância é uma alternativa possível no Ensino de Português no Estrangeiro (EPE) mas exige condições especiais e não substitui o ensino presencial, argumenta uma professora no Reino Unido. Alessandra Oliveira tem experiência nos dois tipos de ensino e é uma entusiasta do ensino à distância, todavia entende que este exige um grande acompanhamento e apoio dos pais. "É preciso um grande envolvimento dos pais e nem todos têm disponibilidade ou qualificações para isso", observa, em declarações à agência Lusa. Atualmente, esta alternativa é proposta em áreas ou escolas onde existe uma baixa concentração de crianças portuguesas, como é o caso dos alunos que está a acompanhar em Peterborough, no centro de Inglaterra. Os materiais e recursos pedagógicos são disponibilizados por computador, mas a docente tem também acesso a ferramentas interativas, como programas de vídeo para os alunos gravarem intervenções orais. Contudo, admite que "é complicado porque exige disciplina do aluno sem a supervisão do professor", que terá de ser feita pelos pais. Este sistema, vinca ainda, "é bom para apoio e consolidação [de alunos que já têm conhecimentos da língua] mas para fazer o percurso escolar todo não é viável". Colocada no Reino Unido desde 2006, Alessandra procurou no EPE uma "experiência diferente" mas também uma estabilidade que não tinha em Portugal, onde só conseguiu lugar por concurso em escolas diferentes e sem horários completos. Em Londres, trabalha em quatro escolas "a norte, sul, este e oeste" da cidade, e à sexta-feira dá aulas à distância, num total de 21 horas semanais (o horário completo varia entre as 20 e 22 horas semanais). Devido à redução do número de professores, a realidade do EPE é cada vez classes com maior número de alunos e de níveis diferentes, quando antes "tentava-se fazer uma distribuição homogénea". A situação está a angustiar os pais, a cuja maioria pensa faltarem capacidade para ensinarem os filhos em casa, e coloca em risco "o único elo com Portugal de crianças que já se consideram inglesas". Se o EPE acabar, teme que se assista a uma "rotura" em que os filhos de imigrantes portugueses "vão deixar de se identificar com a cultura portuguesa". Segundo o Sindicato dos Professores das Comunidades Lusíadas (SPCL), foram já dispensados 149 professores de português no estrangeiro desde junho de 2011, o que equivalerá a 15 mil alunos sem aulas.
2 de novembro de 2011

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