O projeto foi lançado pelo programa Contratos Locais de Desenvolvimento Social Mais (CLDS+) de Peso da Régua, apoiado por este município do distrito de Vila Real, e foi também impulsionado por um pai preocupado com as dificuldades escolares dos seus filhos e de outros alunos.

“As crianças não andavam lá muito bem em termos de escola e isto veio reforçar o seu saber”, afirmou hoje à agência Lusa António Pinto, pai de quatro crianças.

É também, na sua opinião, “uma ótima ajuda” para as famílias que não possuem condições para pagar explicações aos meninos.

“Acho que as pessoas deviam aproveitar mais porque isto raramente se vê. Aqui não se cobra dinheiro”, frisou.

Agora, três vezes por semana, ao final da tarde, os jovens alunos juntam-se às técnicas do CLDS+, a quem até já chamam professoras, para fazer os trabalhos de casa e tirar dúvidas sobre a matéria.

“É uma maneira de fazerem os deveres que em casa não fazem. Acho que é uma iniciativa boa para as crianças se juntarem, ciganas e não ciganas, brancas ou pretas”, salientou Paula Soares Diogo, outra mãe de duas meninas.

O Centro de Recursos está instalado num dos bairros sociais da cidade, as Alagoas, que acolhe uma comunidade cigana, mas está de portas abertas para todos os alunos dos 1.º e 2.º ciclos da Régua.

Carina, Ana Margarida, Ana Rita, Jaír, Isaac e Nuno são alguns dos meninos que num destes dias se juntaram para este apoio informal, que vai mais além do que a ajuda escolar. O espaço acolhe cerca de 20 crianças com idades entre os 06 e os 15 anos, mas nem todas vêm todos os dias.

Ana Mendes, coordenadora do CLDS+, afirmou que o Centro pressupõe que se trabalhem “os pais, as famílias e, em simultâneo, também os seus filhos”.

“Neste local o que nós tentamos fazer é uma reaproximação de laços que possam estar não tão fortalecidos com a instituição escolar e, ao mesmo tempo, pretende-se também ir moldando e trabalhando algumas atitudes e comportamentos destes meninos”, acrescentou.

Carina, de 10 anos e aluna do 5.º ano, faz os trabalhos de matemática, a disciplina a que diz ter mais dificuldades. “Elas ajudam-me e assim consigo aprender melhor”, salientou.

Também Isaac, 10 anos, está a fazer exercícios de matemática para o 4.º ano e reconhece ter dificuldades com a tabuada dos nove.

Ana Rita, 12 anos, traz deveres de português do 6.º ano. Tem que fazer uma notícia e aproveita para contar a história da festa de Halloween que fizerem no Centro, com direito a máscaras e bolos.

Jaír, nove anos, diz que a disciplina a que tem mais dificuldades é o português e que o que lhe custa mais é escrever.

Filipa Pereira é uma das “professoras” que abraçou este projeto e apontou como principais dificuldades destes alunos a matemática e o português. “Ou fazem os trabalhos connosco ou então não fazem”, sublinhou.

Mas a estes meninos faltam também, na sua opinião, “as regras”. É também aí que incide o trabalho, no incutir o respeito, no não levantar a voz ou dar respostas de forma negativa ou até no dar um beijo à chegada à sala.

Segundo os pais, os resultados já são visíveis. “Já se nota bastante. Alguns não sabiam dizer muitas palavras e agora já leem ”, sublinhou António Pinto.

Também Paula Soares Diogo referiu que a filha já está a fazer os trabalhos de casa, o que acredita que a está a ajudar a ultrapassar as dificuldades sentidas na matemática e na leitura.

“É isto que nos faz chegar ao fim e dizer que vale a pena”, concluiu Filipa Pereira.

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