A Associação de Pais e Amigos de Crianças com Cancro vai construir, no Porto, a terceira Casa Acreditar, onde as famílias podem ficar instaladas gratuitamente, durante os tratamentos da doença dos filhos.

 

Em declarações à agência Lusa, a propósito da comemoração dos 20 anos da instituição, a diretora da Acreditar, Margarida Cruz, avançou que foi assinado, na sexta-feira, o contrato para o início da Casa Acreditar do Porto, um investimento de cerca de 1,5 milhões de euros.

 

Já existem Casas Acreditar em Lisboa e em Coimbra, que foram o segundo lar, no ano passado, para 190 crianças e famílias, que, devido à distância ou por “condicionantes físicas, sociais ou económicas”, não puderam ir para a sua casa entre os ciclos de quimioterapia ou durante os tratamentos em regime ambulatório.

 

As famílias ficam ali instaladas gratuitamente, cuidando da manutenção e arrumação dos espaços que ocupam, e contam com a ajuda dos voluntários que diariamente estão disponíveis para as auxiliar.

 

No ano passado, a Casa Acreditar de Lisboa recebeu 71 famílias oriundas de vários pontos do país, principalmente dos Açores (37%), mas também de Angola, Cabo Verde e São Tomé.

 

Destas crianças, 35% tinham entre 10 e 15 anos e 26,7%, entre um e seis anos, segundo o Relatório de Atividades de 2013 da Acreditar.

 

À Casa de Coimbra chegaram 119 famílias de crianças com cancro, mas também com outras patologias, como transplantes hepáticos, cardiopatias, surdos profundos com implante coclear, entre outras doenças.

 

A maior parte (41,2%) das crianças acolhidas nesta casa tinha entre um e seis anos, enquanto 26,1% tinham entre 10 e 15 anos e 14,3% entre 16 e 18 anos.

No relatório, são publicados alguns testemunhos de pais que passaram pelas Casas Acreditar, que as descrevem como um “porto seguro” que as acompanha durante esta fase das suas vidas.

 

“A Casa Acreditar foi muito importante para mim e para o meu filho e continua a ser importante. Espero que permaneça por muitos anos, porque assim sentimo-nos em casa e acolhidos por alguém que se preocupa connosco”, refere um testemunho de uma família.

 

Um estudo realizado na Casa Acreditar de Coimbra a 33 pais de crianças com cancro, no âmbito de um projeto de investigação da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra, caracterizou as famílias que ali têm ficado instaladas.

 

Dos 33 participantes, 24 (72,7%) eram mulheres, indica o estudo, adiantando que os cuidadores tinham idades entre os 23 e 57 anos, correspondendo a média de idades a 38,88 anos.

 

Em relação ao estado civil, 69,7% dos participantes eram casados, sendo que os restantes se encontravam em união de facto (15,2%), solteiros (9,1%), divorciados (3,0%) ou viúvos (3,0%).

 

A maioria (57,6%) estava empregada, 15,2% desempregados e 27,3%, noutra situação não especificada.

 

Segundo o estudo, publicado no Relatório de Atividades, 54,5% dos participantes pertenciam a um nível socioeconómico baixo, 36,4% a um nível médio e os restantes 9,1%, a um nível alto.

 

As famílias permaneceram na Casa Acreditar de Coimbra entre quatro dias (no mínimo) e 705 dias (no máximo), sendo de 132 dias a média do número de dias de permanência.

 

Por SAPO Crescer