Os especialistas aconselham os pais a serem pacientes e flexíveis com os filhos adolescentes, sobretudo na fase inicial desta nova realidade marcada por um isolamento social sem precedentes que estamos a viver. Lidar com a rebeldia inerente nessa fase de desenvolvimento humano, quase sempre marcada por uma aversão às regras que os mais velhos lhes tentam impor, nem sempre é fácil mas entrar em rutura com eles só agrava (ainda mais) o problema.

Para além de os consciencializarem da sua corresponsabilidade na prevenção da covid-19, devem envolver os filhos nas iniciativas de alerta, reforçando a ideia de que a batalha só será vencida se todos se envolverem ativamente nela. Mas, ainda assim, com limites. "Para mitigar a ansiedade típica destas idades, os pais devem evitar passar o dia a falar no assunto e não devem dar credibilidade a notícias que não sejam de fonte oficial", aconselha Ana Cobos.

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De acordo com a presidente da Confederação de Organizações de Psicopedagogia e de Orientação de Espanha, os progenitores não conseguirão manter os filhos tranquilos ou terão maior dificuldade em fazê-lo se não tentarem manter uma normalidade aparente, por mais difícil que isso seja em muitas destas novas realidades sociais. "Se formos a correr para o supermercado como se o mundo estivesse a acabar ou se entrarmos em stresse sempre que os governos forem anunciando novas medidas, estaremos a gerar um crescendo de ansiedade que não resolve nada", alerta a especialista. "Ninguém nos preparou para esta situação", sublinha também a psicóloga espanhola Mercedes Bermejo.

"Confrontados, repentinamente, com esta onda de incertezas, de más notícias e de restrições, também nós estamos a ter dificuldade em adaptar-nos. Não é, por isso, de esperar que os adolescentes, com menos experiência de vida e obrigados a ficar em casa sem poderem estar com os amigos, se adaptem às novas exigências facilmente", refere a coordenadora da secção clínica do Colégio Oficial de Psicologia de Madrid, um dos mais reputados da Pensínsula Ibérica.

"Temos de pensar que os adultos somos nós e, enquanto modelo e referência para os nossos filhos, devemos ter uma capacidade de autocontrolo e de gestão das nossas emoções exemplar. Não lhes podemos exigir tranquilidade se nós próprios não conseguirmos manter a calma", adverte a especialista, que também exige firmeza aos pais nas regras que tiveram que impor para que os filhos permaneçam em casa neste período de isolamento e reclusão social.

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"Eles têm de perceber que essas ordens não são negociáveis", refere Mercedes Bermejo. "É importante que compreendam que é um sacrifício por uma causa maior que terá a recompensa de contribuir para o bem-estar comum", apela ainda Ana Cobos. "Os pais vão ter de ser mais flexíveis em relação a algumas das restrições familiares habituais, como a televisão, a internet e os jogos, tendo em conta a situação crítica que estamos a viver, mas também não lhes podem dar liberdade absoluta", refere a coordenadora da secção clínica do Colégio Oficial de Psicologia de Madrid. "E têm de lhes dar o exemplo", defende mesmo a psicóloga.

Para que se mentalizem que não estão de férias, os especialistas pedem aos pais que procurem manter os horários tradicionais. "Os períodos de sono e de vigília devem manter-se o mais aproximado possível dos habituais", recomenda Ana Cobos. "Faça um plano, escrito com clareza e com uma certa flexibilidade, que contemple um sistema de bonificação no cumprimento de regras e implique penalizações e consequências em caso de incumprimemento", sugere Mercedes Bermejo.

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