Comichão, pele seca e, por vezes, inflamada. Eis os sinais mais comuns de pele atópica.

Se já ouviu esta expressão mas nunca percebeu muito bem do que se tratava, este artigo é para si.

«Falamos da pele de alguém que sofre de atopia, uma alteração geneticamente determinada que predispõe o indivíduo a reagir com intensidade excessiva aos estímulos ambientais e o torna mais suscetível a poder vir a sofrer de uma das várias doenças ditas alérgicas, como a dermatite atópica, a rinite alérgica e a asma brônquica», afirma a dermatologista Teresa Fiadeiro, que já observou crianças com este problema.

Como se manifesta?

Nas pessoas com pele atópica «há uma composição anormal das camadas superficiais da pele, com falta de determinado tipo de gorduras, o que torna a pele mais seca e a função de defesa e de barreira deficiente. Esta deficiência determina, também, uma maior sensibilidade e reatividade a agentes externos que ocasionam respostas inflamatórias», adianta a dermatologista.

Da atopia à patologia

A pele atópica está, portanto, «sujeita a sofrer períodos de inflamação, que se manifestam como lesões cutâneas que constituem o eczema (ou a dermatite) atópica. A dermatite atópica é «uma doença cutânea crónica, que alterna períodos em que a pele é apenas seca e sensível, com outros em que a pele está inflamada (vermelha, com escamas ou, pelo contrário, húmida), com lesões que, caracteristicamente, dão imensa comichão o «que constitui o grande drama desta doença», assinala Teresa Fiadeiro.

«De uma maneira geral, não há dermatite atópica sem haver prurido», acrescenta. As crianças com esta doença, em particular, coçam-se desesperadamente, o que acaba por ter repercussões na sua qualidade de vida. «Não conseguem dormir e passam a vida a coçar-se. Quando mais se coçam, mais inflama a pele... Depois, vão com sono para a escola e têm uma diminuição do rendimento escolar», defende Teresa Fiadeiro.

Quem afeta?

A dermatite atópica, «é a inflamação da pele mais frequente em crianças, o que não significa que não possa surgir em qualquer idade», diz-nos Teresa Fiadeiro.

Este incomodativo problema da epiderme aparece, geralmente, no primeiro ano de vida, diminuindo a incidência entre os sete e os dez anos.

De acordo com a dermatologista, «embora a dermatite atópica seja considerada uma doença crónica, a grande maioria dos doentes melhora com a idade e deixa de ter problemas na vida adulta, apesar de manterem sempre uma pele seca e mais reativa».

Por outro lado, «algumas pessoas que não tiveram quaisquer manifestações na infância, podem ter a doença mais tarde, já em idade adulta», salienta.

Como tratar?

Por norma, são os pediatras e os médicos de Medicina Geral e Familiar que vêem pela primeira vez os pacientes, fazem o diagnóstico e prescrevem o tratamento adequado. «Mas os casos mais complicados deverão ser orientados para o dermatologista», explica Teresa Fiadeiro.

«Se há uma dermatite ativa, são prescritos medicamentos de ação local, como, por exemplo, os cremes à base de cortisona, ainda que existam outras formas de tratamento», indica a dermatologista.

Simultaneamente, a partir do momento em que há o diagnóstico de dermatite atópica, é fundamental e imperioso hidratar a pele com «cremes hidratantes sem perfume e relativamente gordurosos, para tentar compensar a falha de substâncias gordas de que a pele sofre e ajudar a restaurar a barreira cutânea que se encontra deficitária», refere Teresa Fiadeiro. Sem esquecer que, mesmo fora das crises de agravamento, a pele continua a necessitar de cuidados diários de hidratação.

Como prevenir

No banho, use produtos de limpeza suaves e água não muito quente, para não piorar o prurido. E seque-se com ligeiros toques da toalha em vez de esfregá-la na pele (tem uma ação irritante).

Depois do banho, aplique sempre um creme emoliente e hidratante e repita a aplicação as vezes que forem necessárias. Há pessoas que têm de fazê-lo quatro a cinco vezes ao dia.

Prefira as roupas de algodão. A pele atópica tolera mal as fibras e as lãs.

E evite ares condicionados e ambientes com grande capacidade de acumulação de pó (alcatifas, peluches ou similares). Afaste também o fumo do ambiente familiar.

Corte as unhas às crianças para não fazerem feridas quando se coçam. Também não faça restrições alimentares às crianças sem necessidade.

 

«Existe uma grande discussão sobre os alimentos que agravam ou não os eczemas. Pode não haver necessidade de uma restrição tão grande na alimentação das crianças. Uma dieta infantil deve ser muito bem orientada», esclarece Teresa Fiadeiro.

Texto: Cláudia Pinto com Teresa Fiadeiro (dermatologista)

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