É uma etapa comum: quase todos os adolescentes querem mostrar independência, depois de tantos anos, teimosamente, agarrados à saia da mãe. Olham para a vida com outros olhos, sentem-se donos do mundo e tentam provar à família e, sobretudo aos amigos, que já não precisam de proteção, nem sequer de ajuda para tomar decisões sobre todos os assuntos que lhe dizem respeito. Em frente à escola chegam a evitar beijar os pais diante dos colegas - temem que a imagem de adolescente independente possa sair prejudicada.

Os mais inseguros sentem maior dificuldade em libertar-se. É normal. Precisam de apoio reforçado dos pais para dar os primeiros passos nessa tão ambicionada independência.  Nesta fase, é comum dizerem: "não preciso de ajuda de ninguém".  E se é verdade que, à frente dos outros procuram mostrar-se capazes de fazer tudo sozinhos, no silêncio do próprio quarto sabem (bem!) que não é assim. Ainda precisam, e muito,  de uma rede protetora que ampare as quedas.

Crianças e jovens com dificuldades de aprendizagem e de atenção podem, todavia, resistir ainda mais a ser ajudadas, na medida em que se sentem frustadas por não conseguirem acompanhar a matéria na escola. E rejeitam partilhar essa angustia. Mais tarde, essa barreira costuma transformar-se em repulsa em relação às aulas. Dir-se-á que há um misto de sentimentos difíceis de gerir: por um lado, sentem-se divididos, tendo em conta que querem ser independentes, mas, por outro, sabem que só com ajuda conseguirão vencer as dificuldades.

O facto de, por exemplo, não conseguirem, por si só, realizar os trabalhos de casa, pode provocar uma sensação de incapacidade e de falta de confiança.  E por isso, no dia seguinte, em muitos casos, preferem voltar à escola sem os ter feito, em vez de pedir ajuda a quem sabe. Sentem que ao reagir assim, ganham controlo sobre a situação, ainda que esta atitude possa representar o isolamento social. O que fazer nestes casos?

Nunca esqueça: ao não recorrer à sua ajuda, o jovem estará motivado a resistir a si. Ou seja, dito isto, quanto mais for contrariado, mais forte tenderá a ser a sua resistência.  Sabemos que não é fácil assistir a este isolamento, mas procure não discutir. Mostre que o respeita. Se for preciso, dê um passo atrás para, depois, dar dois à frente. Tente estabelecer pontes de diálogo, começando por o ouvir sobre os planos de vida e as suas expectativas em relação à escola. Encoraje-o a agir. Transmita-lhe confiança.

Porque não definirem em conjunto um plano de metas e responsabilidades a alcançar durante os períodos letivos? Pode ser um primeiro passo importante. Tente, também, que perceba quais as consequências se falhar os compromissos que assumiu. O que acontecerá se não cumprir o acordo? Esta estratégia pode ser do agrado do adolescente, na medida em que lhe confere a tão desejada independência, motivando-o, também, em simultâneo, a alcançar os resultados desejados.

Trabalhe com ele o reforço das habilidades de autodefesa. Faça-o entender que pedir ajuda não é sinal de fraqueza, mas de maturidade. Se, ainda assim,  continuar a não querer ser ajudado, experimente oferecer-lhe apoio de uma forma que corresponda às suas expectativas.  Por exemplo, em vez de propor estudar com ele matemática, porque não encontrar uma aplicação que permita ao menor trabalhar sozinho com igual sucesso? A estratégia pode resultar e, ao mesmo tempo, reforçar o sentimento de independência que tanto deseja.

Caso esta opção não provoque o efeito pretendido e a criança continuar a resistir à sua ajuda, experimente recorrer ao apoio dos colegas de escola mais velhos. Há menores que aceitam mais facilmente receber ajuda de alguém próximo da sua idade. Caso a instituição de ensino não tenha alunos mais velhos disponíveis, contacte outras instituições de ensino e terapeutas educacionais especializados. Há várias formas de resolver estes problemas e contribuir para uma vida escolar e social mais feliz.

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