As crianças disléxicas sentem-se perdidas no mundo das letras, das palavras e das frases.
Na sua cabeça, só as imagens fazem sentido. Um método que chegou a Portugal vem abrir um caminho para o domínio da leitura e da escrita.
Se uma imagem vale mais do que mil palavras, o universo mental de uma criança disléxica é infinitamente mais rico do que o de qualquer outra.
Mas isso conta pouco quando chega a hora de aprender a ler e a escrever. Pelo contrário, essa riqueza visual faz com que seja para ela muito mais difícil dominar todas as matérias escolares que exijam decifrar símbolos.
Pôr letras em vez de sons, ter palavras em vez das coisas que representam, seguir uma sequência frásica com princípio, meio e fim e com o seu ritmo próprio são tudo missões difíceis para alguém que não pensa através da linguagem.
Ana Vasconcelos, pedopsiquiatra com vasta experiência no acompanhamento de crianças disléxicas, descreve-as como tendo «um pensamento muito concreto e uma percepção visual que lhes faz chegar ao cérebro tudo a três dimensões.
A dislexia é definida como uma perturbação específica da aprendizagem da leitura e da escrita, presente em crianças com um índice de inteligência médio ou acima da média e em contexto familiar e escolar apropriado para uma aprendizagem sem dificuldades.
Calcula-se que cerca de 10 a 15% das crianças seja afectada por esta perturbação, mas nem todos os casos serão diagnosticados.
Os disléxicos sempre foram classificadas de pouco inteligentes, preguiçosos e maus alunos. Com a auto-estima em baixo, torna-se ainda mais difícil aprender e está criado o cenário para o insucesso escolar.
É preciso apoio específico para ajudar estas crianças e, muitas vezes, também acompanhamento psicológico, precisamente devido a todos os problemas que vêm associados à dislexia. Saiba mais sobre o Método Davis na próxima página

O Método Davis é uma nova abordagem ao problema. Na opinião de Ana Vasconcelos, é o método que vem de encontro à forma de pensar destas crianças, ao seu processamento cognitivo não verbal. Daí o seu sucesso. «Davis descobriu a receita!», considera.
«Olhar para uma palavra, um conjunto de letras, sem nada que o ligue ao real, e ir automaticamente buscar o conceito correspondente a esse símbolo parece fácil, mas é complicado para uma pessoa que pensa por imagens», explica Rita Alambre, especialista em Educação Especial e Reabilitação e directora-geral da Fundação Renascer.
Aí, acompanha crianças com perturbações do desenvolvimento e da aprendizagem, entre as quais a dislexia, através do Método Davis.
«A forma convencional de apoiar estas crianças é centrada na consciência fonológica, ou seja, no treino da associação entre sons e fonemas. O Método Davis é bastante mais abrangente e não pretende apenas que as crianças automatizem a leitura. É como uma caixa de ferramentas que lhes damos e que as ajuda a ultrapassar as suas dificuldades», explica Rita.
O Método Davis ensina-lhes a encontrar imagens para essas palavras, a encontrar assim o seu sentido. As crianças moldam em plasticina imagens que possam corresponder às palavras difíceis.
«Por exemplo, o conceito “para”: um miúdo desenhou um avião e uma cidade. Disse-lhe que não era suficiente e ele fez o percurso do avião até chegar à cidade, com uma seta. Depois moldou em plasticina a palavra “para”». Assim, pôde visualizar o conceito.
Texto de Ana Esteves
Revista Pais & Filhos
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