A prevalência da PDAH anda na ordem dos 3% a 5% da população infantil, sendo que, existem mais casos nos rapazes que nas raparigas.
Numa altura tão importante como a do início do ano lectivo, o regresso às aulas, ou o início para quem nunca foi, pode ser um dos tais momentos onde podem aparecer sinais de comportamentos fora do contexto habitual. Ora, como não queremos que por um lado a negligencia desenvolva ainda mais as dificuldades, e por outro que a falta de atenção promova outras, como a depressão pela desmotivação, por exemplo, é uma boa altura de ficarmos mais vigilantes acerca destas questões.
Durante o desenvolvimento infantil duma criança a interactividade e a exploração que ela faz com o mundo pode ter uma forma mais intensa numas alturas que noutras, mas geralmente ganham uma expressividade maior sempre que se desenvolve mais uma competência ou quando se dá a passagem para mais um estádio novo do desenvolvimento. É normal as crianças, pelos seus próprios pés vasculharem tudo, pegarem em tudo, de subirem a cadeiras, de treparem a móveis, de tocarem em quadros pendurados, etc. Faz sentido, portanto, com tantas coisas interessantes para fazerem e descobrirem, não haja razão nenhuma para ficarem quietos… Mas enquanto toda esta actividade é normal na maioria das crianças, noutras a actividade parece que se manifesta a uma velocidade louca, como se estivessem dentro dum mundo de caleidoscópios.
Para estas crianças, que têm uma Perturbação Deficitária da Atenção/Hiperactividade (PDAH, DSM, 1994), as imagens, os sons e os pensamentos parecem estar sempre a distrai-los, e têm uma grande dificuldade em se concentrarem numa tarefa ou objectivo. A prevalência da PDAH anda na ordem dos 3% a 5% da população infantil, sendo que, existem mais casos nos rapazes que nas raparigas. Têm como característica a presença de uma desatenção e uma hiperactividade que são invasoras, intrusivas e que estão muito presentes em casa e na escola.
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O Retrato Dinâmico da Criança Hiperactiva A primeira pergunta que se deve fazer é porque será que há crianças que escolhem a hiperactividade como via motora de expressão sintomática dum conflito? A primeira vez que se pode observar a uma grande agitação ou irrequietude motora em crianças hiperactivas é por volta dos 2 e os 3 anos quando já estão na idade capazes de usar bem o andar e o correr. É precisamente neste período do desenvolvimento infantil que decorrem processos psicológicos complexos como a “separação” inicial da mãe, onde a locomoção e o sentimento de constância de objecto consolida-se e completa-se.
Progressivamente vai-se construindo a capacidade de simbolização que vai permitir chegar às brincadeiras simbólicas, e ao pensamento complexo. Nesta fase, as necessidades emocionais da criança fazem-na reaproximar-se da mãe, encontrando-se com alguma autonomia psicológica adquirida mas ainda com uma dependência de reabastecimento emocional directo da mãe. Assim, a criança quando se reaproxima, reassegura-se do amor, do interesse e aprovação da mãe e pode-se novamente afastar.
O problema da criança irrequieta é que não adquiriu este sentimento de confiança básica nem conseguiu construir uma capacidade eficaz de simbolização, que permita representar mentalmente, de um modo calmante, a ausência ou a presença da mãe. Este tipo de crianças vão tendencialmente permanecer num estado de reaproximação/afastamento sem fim, enquanto não forem capazes de reduzir mentalmente as suas angústias e inseguranças. O que acontece é que nestas crianças os processos de individualização ficaram para trás em relação à dimensão motora dos processos de separação.
Na maioria das crianças hiperactivas a chamada separação psicológica acabou por ocorrer sempre à frente do tempo. É por isso que o processo de individualização revela-se insuficiente. Isto é, foram crianças que sofreram uma precipitação no processo separação/individuação, instalando-se assim quadros de ansiedades. Estas ansiedades, para além de se caracterizarem como deprimidas, são também caracterizadas como persecutórias na medida que uma criança que “foge” é porque se sente “perseguida”.
Trata-se evidentemente de uma perseguição interna derivada de como se foi constituindo e estruturando o seu self com os seus objectos internos. Será pois uma fuga manifestada num exterior sem fim, através de expressões motoras e cognitivas agitadas e irrequietas. A escolha do sintoma motor deriva assim de ser a via possível de alívio que a criança encontra para as suas ansiedades depressivas e persecutórias, na etapa que o conflito irrompeu. Uma consequência desta dinâmica consiste na insuficiente capacidade de simbolização e de abstracção, apesar da inteligência destas crianças ser normal.

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Os 3 Tipos de Hiperactividade
O tipo de PDAH menos comum engloba as crianças que são predominantemente hiperactivas, inquietas e agitadas, que têm tendência para interromperem constantemente as aulas, mas mantêm uma concentração minimamente adequada. O segundo tipo PDAH é caracterizado pelos problemas relacionados com a falta de atenção, onde as crianças distraem-se facilmente, são desorganizadas, mas não são hiperactivas. Este tipo de crianças apresentam várias formas de devaneios, esquecem-se de coisas, perdem coisas, adiam, atrasam-se nos compromissos, e costumam apresentar falhas ou erros nos trabalhos que lhes são pedidos.
O terceiro tipo de PDAH é a uma combinação dos dois tipos anteriores. Este terceiro tipo de PDAH é o mais frequente e é também a forma mais grave. São crianças que logo desde muito cedo apresentam sinais muito claros ao nível do seu temperamento. São bebes que dormem muito pouco ou por curtos intervalos de tempo, quando acordados requerem muita atenção, apresentam problemas de alimentação precisando de comer muitas vezes por breves períodos, tiveram uma fraca sucção durante as mamadas, choram durante as refeições, entre outros.
São, portanto, crianças difíceis de acalmar a sua irritabilidade, o seu choro, de lidarem com as suas cólicas, e não gostam muito de serem pegados ao colo. Para se auto-acalmarem preferem chuchar, tocarem-se na cabeça, etc. É frequente, os pais destas crianças, sentiram uma grande dificuldade em implementarem uma rotina diária, argumentando que são crianças muito irregulares e inconstantes.

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Como Identificar os Sinais
As crianças com hiperactividade são caracterizadas por expressarem muita dificuldade em ficarem quietas, planificarem acções, prestarem atenção ao que se passa à volta, parecendo que estão distraídas quando alguém fala com elas.
Vêem as suas dificuldades transformadas em frustrações, têm irritações e os que as rodeiam manifestam algum desassossego. São crianças que, por consequência, estão muito mais expostas a situações de perigo e acidentes tornando-se crianças difíceis de lidar, exigindo muita atenção e preocupação. A impulsividade parece ser a responsável por não pensarem antes de fazerem algo, o que os torna bastante imaturos quando ao lado do seus pares.
Quanto mais identificados forem os sinais abaixo descritos, mais probabilidades existem de se estar perante um problema de hiperactividade:
• A criança nunca está sossegada, está sempre agitada
• Sempre que a criança está sozinha, aparecem logo disparates
• É malcriada e faz cenas em publico
• Na escola, é turbulenta e tem problemas de concentração
• Parece que não tem consciência do perigo e tem comportamentos de risco
• A criança não consegue estar com a sua atenção focalizada sobre uma matéria ou tarefa específica mais do que alguns minutos
• É hiperemotiva
• Não presta atenção ao pormenor
• Comete erros de irreflexão
• Comete erros por desatenção
• Distrai-se facilmente
• Interrompe tarefas por acontecimentos menores
• É incapaz de se manter sentado quando deveria estar
• Torce-se e balança-se na cadeira
• Tem dificuldade de esperar antes de responder
• Tem grande tendência em interromper os outros
• Tem dificuldade em se interessar por actividades calmas
• Tem fraca tolerância à frustração • Tem acessos de cólera • Manifesta autoritarismo
• Tem forte variação do humor
• Desmotiva-se facilmente Veja na próxima página: Como Devem os Pais Lidar com a Hiperactividade


Como Devem os Pais Lidar com a Hiperactividade
Uma criança hiperactiva, acima de tudo, tem o desejo e a necessidade de se sentir segura e amada. Como tal, o papel dos pais é primordial. É importante que desde a mais tenra idade que se comece a incutir princípios de vida regulares, uma educação centrada no amor e afecto, na consistência, na coerência, numa forma contentora onde os pais dão aos seus filhos as ferramentas necessárias para combater o stress e as suas angustias. À parte disto, é preciso saber lidar com as adversidades do quotidiano para não desanimar em demasia. É preciso seleccionar aquilo que é interdito com aquilo que será uma batalha impossível para ambas as partes. É necessário ter em atenção as atitudes tomadas com aquilo que se combinou fazer, etc. A responsabilização ajuda sempre. Como as crianças estão sempre atentas para poderem explorar os erros dos pais, neste caso específico é “obrigatório” ter atitudes coerentes e consistentes no tempo que essencialmente transmitam segurança. Quanto mais contentores os pais conseguirem ser mais margem de manobra terão para passarem a educação desejada.
As crianças precisam de sentir que aquilo que os pais sugerem e dizem para fazer tem enquadramento, tem uma razão de ser e traz bem-estar. É necessário explorar a assertividade com a família, exprimir-se firmemente, explicar brevemente a razão da interdição. Para isso, a recusa de qualquer coisa tem de ser considerada como o fim da discussão, não como o início e abertura duma interminável negociação. Os pais não devem justificar tudo o que decidem sob pena de serem contestados e de estarem a abrir um precedente de argumentação sob o que é próprio ou não para os filhos.
O “truque” para os pais está em conseguir encontrar o equilíbrio entre a relação educativa e pedagógica que se pretende ter com os filhos e como eles assimilam e aplicam essa informação. Quando os limites estiverem bem definidos, mostre-se compreensivo com o seu filho, escute-o e procure interessar-se pelas actividades dele. Confie no seu filho a responsabilidade de certas tarefas, porque isso irá desenvolver as competências ligadas ao saber fazer e de se exprimir com imaginação e sabedoria. Felicite o seu filho sempre que ele ficar contente com os sucessos e encoraje-o a lidar com a frustração quando as coisas correrem mal.
O Tratamento
O tratamento da hiperactividade necessita de tempo, de uma psicoterapia consistente e de longa duração. O pano de fundo, de facto, é sempre uma montagem de redes contentoras das ansiedades à volta dessas crianças, isto é, tem de ser montada uma malha que ligue a família, a escola e a própria criança. Estas três redes têm de estar interligadas e têm de se influenciar. Em qualquer das redes o elo de confiança tem de estar bem desenvolvido sob pena de qualquer medida ser ineficaz.
A partir daqui, o estabelecimento dessa confiança, os diálogos empáticos dos pais e um terapeuta ajudarão a modular a relação pais-filho com o objectivo de a tornar menos inquieta, afectivamente mais rica e mais organizadora. Estas características são essenciais mas para haver o equilíbrio desejado não podem tornar-se em intrusivas ou manipuladoras. A finalidade do tratamento consiste em permitir um desenvolvimento normal, mas se não há dúvida que os resultados a curto prazo dos tratamentos são favoráveis e muito interessantes, a longo prazo os resultados dependerão muito dos pais e da manutenção das estratégias anteriormente desenhadas.

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