"Há 15 anos que vivo a mais de 300 quilómetros de distância da minha família. Do meu pai, da minha mãe, dos meus avós, dos meus tios e primos", foi assim que Isabel Silva começou por se dirigir aos seguidores através de um texto emotivo que partilhou no seu blogue.

"Sempre fui uma criança de afetos e hoje, como mulher, preciso desse alimento para o meu coração. Por outro lado, e é curioso até, habituei-me de tal forma a viver distante dos 'meus' que, muitas das vezes, só me lembro da falta que eles me fazem quando estamos juntos. Ganhei o hábito de estar sem, o que pode ser perigoso, se não estiver atenta aos sinais", desabafou.

Acrescentando de seguida: "Com o passar dos anos, reflito mais, silencio o que me rodeia para me escutar. E é aí que percebo que grande parte da ansiedade, irritação e melancolia que por vezes sentia — e ainda sinto — vem da saudade escondida dos meus pais. É por isso que agora a saudade já não se esconde. Agora já aprendi — porque senti na pele — que os laços têm de ser alimentados com a nossa presença".

Natural de Santa Maria de Lamas, a apresentadora da TVI mudou-se já há alguns anos para Lisboa. Longe dos ente queridos, Isabel Silva confessa que "as épocas festivas como o Natal e a Páscoa são importantes".

"Hoje é dia de Páscoa. Hoje seria o dia em que todos nos juntávamos em casa do avô Ramiro e da avó Cecília, que fez anos na sexta-feira, e esperávamos pela chegada do Compasso Pascal. Abríamos a porta, e, depois da benção, beijávamos a Cruz de Cristo. Depois da visita era hora de almoço, que durava o dia todo, com todos à mesa a fazer o que mais adoramos: comer com satisfação, conversar, rir e amar", partilha.

De seguida, destaca: "Ser feliz é tão simples, não é!? Há coisas tão simples e que, sem que percebamos, são tão valiosas. Só damos o real valor às coisas quando não as temos, ou quando não as podemos ter na altura que queremos. Como acontece hoje".

O texto prossegue com Isabel Silva a referir que já não vê a família há algum tempo, "muito antes do estado de emergência". "E a realidade é que este COVID-19 desafia as minhas emoções todos os dias. Cada vez mais, à medida que os dias vão passando. E é exatamente neste ponto que está o meu (e o teu) desafio: continuar a manter-me serena e positiva no isolamento", acrescenta.

A apresentadora recordou ainda a relação de cinco anos e meio que viveu e "onde foi muito feliz". "Mas, quando o amor e a paixão acabam, temos de ter em mente que o nosso propósito nesta vida é só um: aproveitá-la ao máximo, na sua verdadeira essência e plenitude", disse.

"Isso já não estava a acontecer e, por isso, tivemos a coragem de sair da nossa zona de conforto, de deixar a rotina de apego que tínhamos um com o outro. E seguimos a nossa jornada. Cada um com o seu caminho. Lembra-te sempre disto: partilhar só faz sentido quando estás profundamente alinhado contigo. Ou seja, quando sabes quem és, gostas de ti e sabes para onde queres ir", escreveu ainda.

Mas não ficou por aqui e lembrou ainda de um dia, após a separação, "ter chegado a casa e ter desatado a chorar sem razão aparente". "Tinha chegado do trabalho e, na verdade, não me apetecia sair de casa para estar com alguém. Queria mesmo estar em casa, mas não estava a suportar a ideia de estar ali sozinha. Não sabia estar sozinha naquele espaço que nunca foi meu, foi nosso, um espaço onde todas as rotinas que tinha eram feitas a dois", desabafou.

"Naquele dia, sentei-me num dos bancos da cozinha e chorei cheia de vontade e agonia. Senti um sufoco, um nó na garganta que parece que nunca vai passar. Sabes aquele momento em que já não tens mais lágrimas para deitar cá para fora, mas ainda assim, continuas a chorar? Foi exatamente nesse momento que tive vontade de pegar no telefone e pedir colo. A ele, talvez, ou a um amigo ou familiar. Mas não o fiz porque, na verdade, só estava perdida porque não ter uma rotina. Tudo era novo naquele momento", destacou.

Hoje, com "novas rotinas que hoje são a base para ultrapassar momentos desafiantes, tristes e traiçoeiros", Isabel Silva realça: "Gosto, verdadeiramente, de estar sozinha, e gosto verdadeiramente de viver em partilha, em comunidade. Sou feliz a 100% quando sinto que as minhas atitudes contribuem para um mundo melhor, mas para dar e estar com os outros, é preciso gostarmos do que temos cá dentro".

Para ler o texto na íntegra clique aqui.

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