Mara é dona de uma voz inconfundível. A aventura pela música começou há 15 anos quando participou na 'Operação Triunfo', depois de ter sido inscrita por uma amiga.

Para trás deixou a Madeira, os amigos, a família e uma profissão estável para seguir o sonho e fazer "aquilo para que nasceu".

Entretanto, trabalhou durante anos como back vocal de artistas como Dengaz e Agir.

Recentemente, e depois de muita insistência do namorado, decidiu apostar numa carreira a solo e começar a produzir as suas próprias músicas.

Lançou recentemente a canção ‘Fado Moço’. Ao ouvi-la é impossível não nos lembrarmos de António Variações…

Já me disseram isso. Recebi uma mensagem do meu melhor amigo que dizia: ‘tens noção que estás a modernizar o Variações’. Não, não tenho… É interessante que me digam isso. Acho que é mais giro que aconteça assim, sem uma pessoa estar a forçar essa ideia. Para mim é um grande elogio. Não foi pensado com esse sentido, estou simplesmente a tentar ser eu. Essa é uma missão bem difícil hoje em dia, tentarmos ser genuínos.

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Foi difícil encontrar o seu caminho num mundo onde já existe tanta coisa?

Não é difícil tu encontrares, eu assumo a minha voz, é a minha identidade, tudo o que construo à volta disso são influências minhas e coisas de que eu gosto. Quando digo que quero ser fiel a mim mesma é não ceder ao que as pessoas acham que eu deveria fazer.

Então trabalha à base de instinto?

Sim [começa a rir-se]. Faço mesmo o que gosto. Componho a música e depois quando estou em estúdio há uma também uma influência das pessoas que estão a trabalhar comigo. Os músicos têm de se adaptar aos produtores.

Quando me dizem que está na hora de parar, eu digo que está na hora de conseguir atingir as coisas

“Se não te aceitam não sejas refém”, canta em ‘Faço Moço’. Inspirou-se em experiências pessoais?

Foi inspirado na minha própria vida, sim. É quando as pessoas acham que não deves continuar e parar, que já tentaste muitas vezes, e eu acho que não, que não tentei o suficiente. Às vezes pensamos muito na opinião do outro e ela é importante em algumas circunstâncias, como é óbvio, mas não podemos ser reféns, não podem ditar a tua vida. Só eu é que sei o que quero fazer.

Quando diz “pessoas” refere-se a quem especificamente?

Refiro-me à indústria, a coisas normais. Quando me dizem que está na hora de parar, eu digo que está na hora de conseguir atingir as coisas. O meu processo foi um bocado mais demorado, mas não invalida que não o vá conseguir, é só uma questão de tempo e perseverança.

O início da sua carreira foi com a ‘Operação Triunfo’ depois de uma amiga a inscrever. Porque é que a Mara não se inscreveu?

Porque eu na altura dava aulas a crianças de expressão musical e dramática, não era o que queria fazer, sempre quis seguir a música, mas vivia na Madeira e sair da Madeira é quase como mudar de país, quem é das ilhas sabe isso.

Pensava muito nisso mas não tinha coragem: primeira achava que não ia ser escolhida, achava que não tinha perfil para o programa. Foi graças à minha amiga que entrei e que fiquei cá a viver, já lá vão 15 anos.

Porque é que não se lançou por ‘conta própria’ ao fim do programa?

Comecei a trabalhar com covers e trabalhei muito nesse ano e no seguinte. Nem pensava nisso, não tinha essa maturidade. Queria viver da música, mas nunca tinha feito uma música na vida, só cantava músicas dos outros e sabia que queria fazer aquilo.

Não forcei nada, achei mesmo que ia ter que vivenciar muita coisa antes de perceber que tinha qualquer coisa para dizer às pessoas. Se calhar deixei passar muitos anos, mas na realidade só agora é que me achei capaz de fazer o que estou a fazer.

E mesmo a trabalhar com músicos não surgia a ideia de que também conseguiria construir uma carreira a solo?

Pensava, mas não sabia o que queria. Andava em vários projetos e adorava tudo: reggae, hip hop, pop… Nunca invejei a carreira dos outros.

Até hoje, os melhores momentos que vivi na minha vida foi com o Dengaz

Deve ter sido uma aventura e tanto trabalhar com artistas como o Dengaz.

Até hoje, os melhores momentos que vivi na minha vida foi com o Dengaz. Trabalhamos muitos anos juntos e passamos por momentos muito importantes para ele e para a equipa. Agora é tentar chegar lá num projeto a solo.

E após anos de indecisão, como é que definiria o seu estilo musical?

Não definiria…

Quero que daqui a uns anos possam dizer: ‘olha, isto soa a Mara’

Então se alguém falar da Mara o que pode dizer?

A Mara é aquela miúda que faz música com raiz portuguesa e que não se limita a um género musical. Tudo o resto vive das minhas influências, que são muitas, e que eu quero vivenciá-las na mesma, mas tenho um elo de ligação, que é a minha voz.

Deixo isso para o público e para as pessoas que estão a ouvir. Acho que é bom serem elas a catalogarem-nos. Quero que daqui a uns anos possam dizer: ‘olha, isto soa a Mara’.

E porquê agora lançar originais?

Porque fui muito forçada pelo meu namorado há uns anos [ri-se]. Durante anos disse-me que tinha muita coisa para fazer, para dizer. Eu respondia que não era capaz e que estava bem, estava a viver coisas incríveis com o Dengaz, não sentia essa urgência até ao dia em que comecei a sentir. Precisava de mostrar a minha personalidade. Ao fim de tantos anos conseguiram convencer-me a ir a estúdio. Passados alguns dias escrevi as músicas todas. Ainda hoje não sei como é que me saíram algumas músicas…

E a família já ouviu as músicas?

Sim, recebem logo as maquetes. Já têm 50 versões de cada música, são sempre os primeiros a ouvir.

Suponho que se sintam orgulhosos.

Sentem-se. Sabem que têm sido anos difíceis, mas ficam satisfeitos de perceber que realmente começam a ouvir a Mara.

O seu pai já a ouve na coluna de música que sempre o acompanha?

Ele já ouve! Na Madeira tenho tido um apoio espetacular das rádios de lá. Ele ouve várias vezes ao dia e diz-me: ‘passaste às 7h, às 9h, ao 12h’. Já se sente feliz de ligar a rádio e de poder ouvir a filha.

Sempre a apoiaram ou aconselhavam-na a ter um plano B?

Sempre foram plano B [ri-se às gargalhadas]. Diziam que tinha de estudar, licenciar-me, que a música não era vida para ninguém porque não dava dinheiro e tinham razão nessas coisas todas. Fiz tudo o que esperavam de mim, mas depois quando participei na ‘Operação Triunfo’ sabia que ia ser uma questão de tempo.

Tenho a certeza absoluta que faço o que nasci para fazer. É óbvio que como pais queriam uma vida um bocadinho mais fácil para mim, mas também querem que os filhos sejam felizes. Há coisas que não são assim tão boas neste mundo, mas há outras que compensam a 200%.

O meio é difícil e competitivo, quem vier dizer o contrário é mentira

Quais foram as coisas “não assim tão boas”?

O meio é difícil e competitivo, quem vier dizer o contrário é mentira. A indústria da música não é muito justa, há muitos fatores que pesam para conseguires atingir alguns patamares. Tens de perceber que te vai dar luta.

Depois trabalhas num meio com exposição a um público que pode opinar e dizer o que quer sobre ti. Às vezes dizem que por sermos artistas temos de estar habituados. Não, eu não tenho que estar habituada a isto. Se começas a dar ouvidos, ficas num impasse e não andas.

As minhas redes sociais não vão ser uma mentira, uma vida que eu não tenho

E sente a necessidade de se expor nas redes sociais para aumentar o seu público?

Para mim há coisas que são pessoais. Não tenho de mostrar a minha vida toda para as pessoas gostarem de mim. Acho que consigo chegar às pessoas sem ter que me mostrar publicamente. Tenho seguidores que me mandam mensagens e que falam comigo e tento sempre falar com eles, ter tempo para lhes responder. Não tento pôr coisas só para encher o Instagram. As minhas redes sociais não vão ser uma mentira, uma vida que eu não tenho.

Não estava era à espera dos comentários de que já conhecia as pessoas, que estava feita com o programa

Mas quando participou no ‘The Voice’ teve uma exposição maior. Aliás, numa entrevista confessou que lhe trouxe um “hating" do qual não estava à espera.

O programa é espetacular. Adoro, espero lá voltar e ser mentora um dia, é uma coisa que gostava muito de fazer, sinto uma necessidade de ajudar outras pessoas.

Não estava era à espera dos comentários de que já conhecia as pessoas, que estava feita com o programa. Além disso estava numa altura muito vulnerável: tínhamos acabado uma tour com o Dengaz, estava sem trabalho esse ano e inscrevi-me para não estar parada. Na altura fiquei muito triste porque o foco não era aquilo, mas ainda bem que aconteceu porque apercebi-me que é impossível agradar a toda a gente.

Gostava de fazer duetos?

Tenho uma lista. Há vozes para mim em Portugal que são incríveis como a Carminho, a Ana Moura ou o António Zambujo. Já morria feliz. Depois há a nova geração. Acho que também vou descobrir novos artistas.

Quando é que o álbum fica pronto?

Está mesmo a ser terminado. Estamos apontar que saia no início do próximo ano para que possa começar a dar concertos.

Está nervosa com os concertos?

Muito ansiosa. Quando fui ao ‘The Voice’ estava nervosa, mas mal comecei a cantar pensei: ‘isto agora sou eu, é a minha voz, a minha música, eu é que sei como cantá-la e isso desapareceu’. Isso deu-me segurança. Estou sim ansiosa porque nunca dei um concerto com músicas minhas.

Não tenho paciência para pessoas que fingem ser uma coisa que não são ou que elogiam muito

O que é preciso para ser amigo da Mara?

Precisam de ser pessoas simples, sem grandes truques ou 'peneiras'. Não tenho paciência para pessoas que fingem ser uma coisa que não são ou que elogiam muito.

O que a tira do sério?

Quando me tentam passar um atestado de burrice.

O que é que diria à Mara quando veio para o continente?

Isto não é bem o que tu pensas, mas continua. Não tenhas medo, nem duvides se és capaz. Só temos de confiar em nós próprios, cada um faz o seu caminho.

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