Celebra-se no dia 14 de novembro o Dia Mundial da Diabetes. Para assinalar esta data, a Associação de Jovens Diabéticos de Portugal (AJDP) preparou uma campanha nomeada #garradoacucar #somosoquequeremosser.

Na sequência do tema, a AJDP organizou um evento que vai decorrer este sábado, dia 10, em Santarém, na Casa do Campino, contando com palestras, atividades lúdicas e partilha de testemunhos de pessoas com diabetes e atividades lúdicas.

Uma iniciativa que conta com a participação do jovem ator da série ‘Massa Fresca’, da TVI, Miguel Ruivo.

Depois de ter sido diagnosticado com diabetes tipo 1 há oito anos, quando tinha apenas dez, Miguel dá agora a cara por uma campanha sobre a doença. Algo que, para si, faz todo o sentido, uma vez que sente que é um exemplo.

Em conversa com o Fama ao Minuto, o ator, de 18 anos, falou abertamente sobre esta condição, destacando a responsabilidade acrescida para levar um vida normal. Sem deixar que interfira no seu dia-a-dia, acaba por ter até uma vida muito ativa. Aliás, é um amante de desporto e pratica jiu jitsu já há alguns anos.

A maior mudança que a doença trouxe foi fazer de si uma pessoa “mais responsável”, “adaptando-se à situação em que estava inserido”.

Notícias ao Minuto

[Miguel Ruivo]© Cedido por AJDP

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Recordando o momento em que foi diagnosticado com diabetes, Miguel contou que “até foi fácil” lidar com a situação e “não reagiu mal”, uma vez que ainda era “muito novo” e “não tinha bem noção”. “Simplesmente fazia as coisas e cuidava de mim”, acrescenta.

A fase “mais difícil” foi na adolescência, quando tinha 15-16 anos. “É aquela idade em que queremos fazer tudo sem nos preocupar-nos com nada e eu sentia sempre alguma coisa por trás de mim que tinha que me preocupar. Não podia mesmo pôr de lado. Foi uma fase menos boa, mas não foi má. Até aprendi com isso”, explica.

Sobre as rotinas, Miguel Ruivo diz que se “controla à volta daquilo que faz”. “Há uma parte do ano em que treino muito [por causa das competições da arte marcial jiu jitsu]. Guio-me à volta daquilo que preciso de fazer para ter uma melhor performance. Tento sempre fazer as coisas de maneira a que me beneficie mais para aquilo que faço na altura. Seja jiu jitsu ou surf. Tento fazer o melhor com a minha doença para que aquilo que gosto de fazer seja mais bem feito, agradável para mim”, exemplifica, frisando que não deixa que a doença interfira naquilo que gosta.

Ao longo destes anos já houve momentos em que a dificuldade apertou, como por exemplo nos treinos. Mas, garante, “faz tudo parte”. “Por acaso em campeonatos não porque sei o que fazer para que quando chegue à hora não tenha nenhum problema. Faço o máximo para que isso não aconteça. Mas inevitavelmente às vezes acontece e é uma coisa que tenho de lidar. Às vezes é um bocado difícil, mas não posso fazer nada. Tenho que lidar com isso, controlar-me e ir outra vez”, partilha, salientando que “há fases boas e menos boas”.

Representação: A doença interferiu com o trabalho?

Além dos estudos, pois está a acabar o secundário, e do desporto, Miguel tem contado ainda com algumas participações na ficção portuguesa, como em ‘Massa Fresca’ (2016), ‘Mar Salgado’ (2015) e ‘Sol de inverno’ (2013/2014).

Sobre o facto da doença interferir, ou não, com o trabalho no mundo da representação, Miguel volta a afirmar: “Tive que ser mais responsável”. “Para cada coisa que faça tenho que tratar de mim de maneira diferente”, continua, referindo de novo que “não pode deixar que a doença interfira no seu trabalho e tenta sempre tratar-se da melhor maneira para que isso não aconteça”. Por mais que não consiga evitar certas situações, até agora nunca aconteceu nada de grave. “Antes dos projetos conto sempre à produção para toda a gente ter conhecimento e eles também lidam bem com isso. Até agora correu tudo bem”, disse.

As artes e os estudos

Há dois anos afastado dos pequenos ecrãs, uma vez que a última participação foi na série juvenil e atualmente não está a fazer nada ligado à representação, o jovem assegura que não colocou de lado o mundo das artes. No entanto, neste momento a prioridade são os estudos. Depois de acabar o secundário, quer entrar na universidade para seguir uma área diferente, mas que ainda não está totalmente escolhida.

“No meio disto tudo vão aparecendo oportunidades, vou tentando ir com elas, agarrar essas oportunidades, mas não é uma coisa em que penso todos os dias nem fico muito triste se não aparecerem. Não é um objetivo de vida. Quero estudar e depois logo se vê, mais tarde talvez irei estudar qualquer coisa relacionado com a representação, mas ainda não sei. Cada dia a seu tempo e vamos ver o que acontece”, explica.

Mesmo que não esteja determinado a seguir a área da representação, quem sabe não faça formações paralelas durante a universidade. “Mas nada que me ocupe o tempo todo porque quero focar-me mais na faculdade”, frisa, deixando ainda no ar a possibilidade de estudar a arte quando concluir o ensino superior.

Apesar de não estar focado numa carreira de ator, as experiências que teve até aqui fez com que percebesse que entrar no mundo da televisão “não é difícil”. “É preciso alguma sorte”, afirma. No entanto, depois de estar inserido num projeto, é necessário "trabalhar" nele. “Quem está dentro sabe quem trabalha mais e quem trabalha menos. Todas as pessoas têm muita noção disso”, alerta, dando o seu exemplo: “Quando entrei na ‘Massa Fresca’ já treinava muito e fazia muito desporto, mas naquele tempo decidi parar com o desporto porque gosto de fazer as coisas bem e fazer as duas era fazer as duas mal. Decidi focar-me no projeto e acho que correu bem”.

Para si, conciliar a representação com os estudos “é difícil, mas não é impossível”. “Dá mais trabalho porque é como se nós tivéssemos mais algumas disciplinas porque temos que estudar os textos e vamos gravar para longe algumas cenas no exterior. Temos que ser mais responsáveis, mais uma vez”, remata.

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