Fátima Lopes recebeu no seu programa das tardes da TVI, 'A Tarde é Sua', Ana Loureiro - o rosto de uma história conturbada marcada por um divórcio, um cancro e as sérias dificuldades na criação de dois filhos. Foi na prostituição, profissão que defende acerrimamente, que a antiga auxiliar administrativa encontrou a luz ao fundo do túnel.

Há 12 anos, quando tinha 24, separou-se do ex-marido, viu-se desempregada e enfrentou grandes carências. "Nunca na minha vida julguei entrar na prostituição", começou por frisar.

"Um dia cheguei a casa e não tinha nem água, nem luz. Dava água com pão aos meus filhos. Os meus filhos não podiam pagar por eu não ter possibilidades. Se arranjasse um emprego, na altura o ordenado mínimo nacional eram 400 e poucos euros. Se arranjasse dois ia ganhar 800 e tal, só a minha renda são 500. Não recebo pensão de alimentos, o Estado nunca me ajudou, nem nunca forçou o meu ex-marido a pagá-la", relatou.

"Quando comecei [a prostituir-me] não era na rua. Tive a sorte de ir parar à melhor casa do país, a Michelle e assistentes, que entretanto fechou. Tudo o que aprendi foi lá", continuou, referindo-se àquela que foi uma das mais antigas casas de prostituição de Lisboa e que fechou as portas em 2017.

Questionada sobre como foi a "primeira vez" enquanto prostituta, Ana Loureiro não hesitou: "Foi horrível. Foi com um padre".

"Ele dizia o que era, todas as raparigas sabiam. O relacionamento que ele tinha connosco era: pagava uma hora, tomava banho connosco, que era obrigatório, mas nem nos tocava, depois íamos para o quarto, virava-nos de costas para ele na cama, nem olhava para nós, ficava a tocar-nos durante uma hora e só dizia: 'vá, tem calma, o senhor padre vai desculpar-te'", contou.

"Que horror. Estamos a falar de um homem que se calhar era pedófilo", reagiu Fátima Lopes.

"As duas primeiras semanas custa muito, esta é a realidade. Mas quando temos um objetivo e começamos a pagar contas, começamos a ver que tudo se está a organizar. Quando começamos a concretizar tudo o que não estava ao nosso alcance, daquela porta para fora, nós esquecemos. Quando estamos lá dentro somos uma personagem e quando saímos somos nós próprias", rematou.

Ana Loureiro abriu a sua própria casa de prostituição e é atualmente proprietária do Espaço Lisboa. Tem sido também uma das vozes mais ativas na luta pela legalização da atividade.

Veja a conversa aqui.

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