Cinco meses após a morte da filha mais nova, Sara Carreira, que perdeu a vida num trágico acidente de viação, aos 21 anos, Tony Carreira dá a primeira entrevista onde fala sobre a dor que desde dezembro vive no seu coração. O cantor esteve à conversa com Manuel Luís Goucha, tendo sido a mesma transmitida esta segunda-feira, dia 17, depois do 'Jornal das 8'.

"Deixa-me começar por dizer, querido Tony, obrigada", foi desta forma que Goucha deu início à entrevista.

O cantor retribuiu o agradecimento e realçou a importância que o apresentador teve no seu processo de luto.

"Se alguém realmente me apoiou muito neste deserto foste tu, outras pessoas também, claro, mas tu foste muito especial nisto", começou por referir.

Seguiram-se as pesadas palavras nas quais Tony Carreira admite não encontrar agora sentido para que a sua vida continue.

"Estou a tentar encontrar um sentido, mas é muito complicado responder a essa pergunta. É evidente que tenho mais dois filhos, e eles percebem quando o meu discurso é tão apático quanto este. Eles percebem que é a dor que está a falar, porque é claro que a vida tem de ter sentido, tenho mais dois rapazes e tenho de me agarrar a eles...", diz.

"Já não conto, porque já deixei de pensar em mim no fundo, mas espero através da associação da minha filha encontrar sentido. Espero encontrar sentido através dos meus filhos, estou à espera de respostas, estou á espera de tentar perceber o porquê da vida ser tão injusta", confessa, sem medo de assumir o quanto sofreu e ainda está a sofrer.

"Quando a minha filha partiu foi.... uma violência extrema. Morri por dentro, ainda estou a tentar encontra alguma vida cá dentro. Não tenho problema em dizer que bebi mais do que devia, andei ali uns tempos... parecia um zombie", admite.

"Depois veio alguma violência, fui injusto com pessoas que amo muito, fui agressivo com o mundo inteiro. Revoltei-me contra o mundo inteiro, neste momento estou à procura de, através de alguma fé, a fé que me resta, encontrar algumas respostas", realça.

Hoje, Tony garante que se tenta agarrar "à vida depois da morte". Na esperança de voltar a reencontrar-se com a filha, o músico quer agora tornar-se uma pessoa ainda melhor.

Tony sofre com a dor, as saudades e a falta que a filha lhe faz.

"Há duas certezas que eu tenho, uma delas é que nunca mais volto a ver a minha filha e a outra certeza é que nunca mais serei o mesmo", lamenta.

"A única coisa que me pode realmente ajudar-me é agarrar-me à associação da minha filha - Associação Sara Carreira -, fazer o bem e acreditar que o caminho que me resta cá não será assim tão longo", diz, admitindo que gostava de morrer cedo.

"Se chegar aos 100 anos será um grande castigo", atira, garantindo contudo que "jamais" seria capaz de terminar com a própria vida.

"A Sara era luz, era alegria, era a minha princesa, era a mulher da minha vida como eu disse muitas vezes", conta Tony, que todos os dias vai ao cemitério conversar com a filha.

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