O primeiro contacto foi feito há dois anos mas só agora foi possível lançar Quimera, o prato decorativo que Alexandre Farto, o artista de rua mais conhecido como Vhils, desenvolveu para a Fábrica das Faianças Artísticas Bordallo Pinheiro. "Esta foi uma das parcerias difíceis. Há nomes que são muito mais difíceis de conseguir", admitiu em exclusivo ao Modern Life Nuno Barra, administrador do Grupo Visabeira, que detém a marca.

Limitada a 135 unidades, Quimera, a terceira peça da coleção WWB – World Wide Bordallianos, apenas disponível por subscrição, custa 3.900 €. "Esta é a peça comemorativa dos 135 anos da fundação da fábrica do Bordallo, que celebramos este ano", explica o executivo. Ainda antes de ser apresentada oficialmente, já tinham sido vendidos 20 exemplares do prato de parede que homenageia os funcionários da unidade fabril a colecionadores.

"A minha parte é muito pequena. O grosso é feito pelos trabalhadores da fábrica", sublinhou Alexandre Farto na intervenção que fez durante a apresentação da obra. "A ideia foi recriar um rosto feminino, anónimo. É um trabalho que traz um bocadinho do que é o meu universo para o do Bordallo. Trazer uma nova geração de artistas para esta área é muito importante e, para mim, é uma honra passar a fazer parte desta história", assume.

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Este prato de parede com 61 centímetros de diâmetro, que chega apenas às lojas na próxima segunda-feira, recupera a técnica secular de sobreposição de vidrados aplicada nas primeiras peças produzidas pela fábrica, combinando-as com o processo de gravação de superfícies em baixo relevo através da remoção parcial das camadas superficiais, de modo a criar composições através do contraste volumétrico, desenvolvido por Vhils no âmbito do seu projeto profissional "Scratching the surface". Para além de serem pintados à mão pelos artesãos da Bordallo Pinheiro, devido às inovadoras técnicas utilizadas, os novos pratos decorativos são peças únicas e irrepetíveis.

"A faiança é um material muito frágil e a intervenção do Alexandre obrigou-nos a preparar a peça de outra forma. O Bordallo também usava muito estes pratos mas ornamentava-os com a aplicação de figuras. Aqui, as dúvidas prendiam-se com o jato de areia usado, que é muito forte. Tivemos de pensar num modo de os fazer sem partir a peça. Houve aqui todo um processo de construção da estrutura para que os aguentasse", revela Nuno Barra.

Parte do vidrado artístico cerâmico dos novos pratos foi desbastado pelos jatos de areia. "Essa talvez tenha sido a parte mais difícil do desenvolvimento do processo", admite o administrador da fábrica, que promete voltar a surpreender o mercado muito em breve. "Já estamos a preparar as próximas coleções. Vamos ter uma novidade bombástica até ao fim do ano", confidencia Nuno Barra, sem, contudo, adiantar mais pormenores.

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