Foi um dos mais reconhecidos e premiados arquitetos paisagistas portugueses. Criou os emblemáticos jardins da Fundação Calouste Gulbenkian e o jardim de Amália Rodrigues em Lisboa e bateu-se pela construção do corredor verde que liga o centro de Lisboa até ao pulmão da capital, o Parque Florestal de Monsanto. A Federação Internacional dos Arquitetos Paisagistas distinguiu-o com o prémio Sir Geoffrey Jellicoe. Gonçalo Ribeiro Telles, nascido a 25 de maio de 1922, morreu a 11 de novembro de 2020. Tinha 98 anos.

Descubra, de seguida, algumas das principais regras que o especialista sempre defendeu para a criação de um jardim (muito mais) sustentável e, sempre que possível, adote-as.

1. Aposte na sublimação do lugar, "tornando-o feliz e ameno", recomendava Gonçalo Ribeiro Telles.

2. Invista em lagos e charcos. "A presença da água, traduzida na sua serenidade estética, confere um movimento ritmado e uma dinâmica musical ao jardim", assegurava o arquiteto paisagista.

3. Arrisque em espécies que podem fazer a diferença, para sublimar "a pujança da natureza compreendida na sua diversidade biológica e no ritmo de vida", aconselhava o especialista.

4. Tire partido da luminosidade natural dos espaços. "O esplendor da luz é conseguido através do contraste entre a sombra e a claridade e da harmonia das cores", explicou, por mais do que uma vez, Gonçalo Ribeiro Telles.

5. Deixe-se influenciar pela geometria, apostando na "profundidade das perspetivas e o recorte dos sucessivos planos conseguindo valorizar distancias e formas", aconselhou.

6. Olhe à sua volta. "A integração na paisagem envolvente, sempre que esta seja ordenada e bela", como esclareceu inúmeras vezes Gonçalo Ribeiro Telles, deve ser sempre uma prioridade.

7. Não imponha uma visão que pode não ser a mais adequada. "Aceitar com base da conceção do jardim ou da paisagem a ordem natural da natureza liberta da aceção da sociedade humana" era outra das recomendações do arquiteto.

8. Valorize os aspetos culturais da paisagem. Tal implica "impor à ordem natural a ordem cultural que sublimará aquela em face do seu único utente, o homem", afirmou, um dia, o especialista.

9. Evite os excessos. Esta recomendação passa por "exaltar no jardim ou na paisagem a simplicidade no ordenamento das coisas, evitando a decoração pela decoração", alertou, inúmeras vezes, Gonçalo Ribeiro Telles.

10. Planeie e não tenha medo de recorrer a ajuda especializada. "Um jardim e uma paisagem são fruto de conceções e projetos e nunca de arranjos ou decorações, pelo que a sua grandeza e beleza resulta no que lhes é essencial na medida certa", afirmou também o arquiteto.

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