A amoreira, a árvore (Morus) e não a silva (Rubus), é cultivada na Europa desde
a antiguidade, mas é como fornecimento
de alimento aos bichos-da-seda que e que esta árvore conhece uma forte expansão.

No século VI, um monge sírio rouba o bicho da seda aos chineses, escondendo alguns exemplares na sua bengala de cana, no ano 740 os sírios chegam à nossa Península onde aclimatam as amoreiras nos vales abrigados da Serra Nevada.


A seda dá fortuna aos árabes da idade média. A amoreira precisa de água e a nossa sorte é que, com barragens, rios e ribeiras um pouco por todo o país, temos essa água na superfície do nosso território nacional. As amoreiras são também cultivadas e selecionadas pelos seus frutos milénios, depois no oeste mediterrânico e no centro da China.

As variedades produtoras de frutos no clima de Portugal continental são a amoreira negra do médio oriente
(M. nigra), a amoreira branca da China (M. alba), a amoreira vermelha americana (M. rubra), as amoreiras plátano
(M. bombycis e M. multicaulis planifolia) e híbridos entre espécie branca e vermelha, a negra não produz híbridos.

Os nomes botânicos não estão relacionados com a cor dos frutos. Os frutos da amoreira negra são da cor de vinho tinto, os frutos da amoreira vermelha são negros e os da amoreira branca são cor de rosa, violeta, brancos ou vermelhos.
A amoreira negra com os frutos ácidos é comum entre nós e os seus frutos amadurecem pelo São João. Quero falar da amoreira branca (Morus alba L.) tanto pelo seu aspeto como pelos seus frutos açucarados, doces, crocantes e sumarentos, de maturidade precoce, juntamente com as ameixas, no final de abril.

A amoreira branca está perfeitamente adaptada ao nosso clima, as negras são para o Norte. Perde as suas folhas antes das tempestades outonais, a sua cultura é fácil, o crescimento rápido, a frutificação abundante. Esta grande árvore tem raízes poderosas incompatíveis com outras plantações.

Necessita de regas com alguma frequência no verão, no sul. A sua sombra é agradável. É uma árvore plantada ao longo das estradas e ainda se encontram alinhadas em Marrocos. Por essa razão, alguns fruticultores aconselham que sejam podados os ramos baixos para que a copa cresça só a partir de determinada altura.

Ao contrário das amoras negras, os frutos brancos não mancham. São facilmente colhidos quando estão maduros (as galinhas e as perdizes engordam). No pomar é necessário conduzi-lo sobre um tronco curto (não um ramo) e podar a parte superior anualmente, no inverno, de modo a deixar que fique com ramos baixos e seja fácil aplicar uma rede anti-pássaros. Deve-se colocar a rede prendendo-a em baixo, na árvore, de modo a que os frutos maduros fiquem por dentro e rapidamente possam ser utilizados em compota.

Veja na página seguinte: As utilizações da amora branca

A amoras brancas são frutos inesquecíveis. No Médio Oriente secam-se e são comidas como bombons doces.


No Paquistão vi utilizarem farinha de amora branca para adoçar o chá. No Irão faz-se um doce, o Tut, que significa amora branca. Nós misturamo-las com os primeiros morangos do jardim.

A Morus alba é citada em cerca de 300 publicações científicas anualmente. Segundo a Universidade de Peshawar estes frutos secos têm um elevado nível de micronutrientes raros indispensáveis à nossa saúde.

Na China, a planta é utilizada desde sempre para problemas cardiovasculares e hepáticos e a sua eficácia contra o colesterol é regularmente demonstrada. A mais bela coleção de amoreiras fruteiras enxertadas, composta por 34 variedades, está num pomar francês, do senhor Fréderic Cochet. Susanna Lyle escreve na sua enciclopédia dos frutos que a cultura da amoreira branca dá muita satisfação. E é, de facto, verdade!

Texto e foto: J. P. Brigand

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