Yonara Mateus tem o Certificate of Proficiency in English da Cambridge University e tem experiência enquanto Personal Tutor, tendo sido professora em contexto escolar. Atualmente é CEO fundadora do The English Affair (TEA), onde desde o início se inclui no corpo docente.

Quem é a Yonara Mateus, empreendedora?

A Yonara empreendedora tem muito da Yonara pessoa. É, acima de tudo, uma sonhadora que se fez fazedora. O sonho é essencial, mas não acredito num mundo só de sonhadores, porque é importante concretizar, transformar os sonhos em planos e os planos em acções.

Eu tenho uma visão muito prática da vida e penso que a verdadeira missão de um empreendedor é resolver problemas, encontrar soluções. Claro, gerando valor - e não apenas dinheiro - para si e para os outros. E é isso que tento fazer todos os dias.

Quais os desafios que encontra enquanto empreendedora, tanto em Angola como em Portugal?

Felizmente sinto-me em casa tanto em Angola como em Portugal, por isso conheço bem o melhor e o pior de ambos os países. Os desafios nos dois mercados são diferentes, apesar das inevitáveis semelhanças culturais. A principal barreira que sinto é comum em ambos os contextos: a burocracia institucional. Em Portugal houve uma evolução grande nos últimos anos, mas ainda há um caminho a percorrer. Continua a ser difícil comunicar com entidades-chave para nós, como as Finanças e a Segurança Social. A informação é parca ou confusa, a legislação não é conhecida por todos ou é de difícil interpretação, e acabamos muitas vezes por incorrer em infracções que nem sequer entendemos.

E se em Portugal é assim, em Angola o estado das coisas é ainda mais embrionário. Apenas agora se começa a ganhar a consciência, ao nível da Administração Pública, de que há novas formas de negócio e que é preciso criar novos enquadramentos para as acomodar e apoiar. Os outros desafios são internos, fazem parte do negócio e, por isso, são mais fáceis de controlar quando ganhamos competências de gestão, mas os externos... Enquanto não existir um ecossistema sustentado e consistente que apoie micro, pequenos e médios empresários a criar valor, empreender será sempre uma dor, quase um castigo.

O The English Affair (TEA) tem uma abordagem muito particular face a outras instituições. Em que consiste o vosso conceito?

O TEA surgiu como uma resposta rebelde aos sistemas tradicionais de aprendizagem, que estão, em grande parte, desactualizados ou desfasados da realidade da maioria das pessoas que procura o inglês para comunicar. Nós não nos posicionamos como uma escola e sim como uma experiência de aprendizagem.

Acreditamos que aprendemos melhor se quebrarmos as barreiras burocráticas e hierárquicas que normalmente existem no conceito tradicional de “escola”, “professor” e “sala de aula”. Na verdade, as aprendizagens mais relevantes acontecem fora da sala de aula, e portanto para nós o chá foi a “desculpa perfeita” para sairmos desse contexto.

As nossas sessões acontecem geralmente em espaços sociais como cafés e casas de chá, e por isso defendemos que é possível aprendermos inglês enquanto tomamos um chá. Visto de fora, parece apenas um encontro de amigos, mas há todo um planeamento e controlo por trás para que as coisas fluam de forma simples e, acima de tudo, humanizada.

A nossa metodologia é centrada na pessoa - nas suas necessidades, objectivos e interesses - e é baseada em três pilares fundamentais: individualização, contextos naturais e processos informais. Focamo-nos na simplicidade (“descomplicação”), para que todas as pessoas possam realmente desfrutar da aprendizagem do inglês como uma experiência positiva.

Quais são os ingredientes de um professor de inglês da vossa equipa, a CommuniTEA?

Os nossos professores são especiais. Não só por serem os nossos, mas porque de facto têm que ter um perfil diferente. Eu chamo-os de rebeldes. Têm que ser mais ousados e estar dispostos a correr riscos em termos pedagógicos, o que não é nada fácil. Apesar de não descurarmos as competências mais formais, como o domínio elevado da língua, a formação académica relevante e a experiência profissional em ensino, o que procuramos num professor vai para além disso.

Ao longo dos anos tenho-me apercebido que há professores que são excelentes em sala, mas não resultam no TEA porque lhes falta flexibilidade e capacidade de adaptação, algo fundamental para nós. A empatia, a criatividade e a improvisação são essenciais no trabalho que fazemos, porque muitas vezes trazemos um plano de sessão que naquele dia específico e para aquela pessoa específica, não irá resultar, e é necessário ajustar ali, naquele momento.

Há professores que não conseguem fazer isso. Por vezes, quanto mais experiência este tiver em contextos tradicionais, menos facilidade tem em se ajustar a novas formas de ensino. Para nós, é essencial que o professor goste tanto aprender como gosta de ensinar. Portanto, ser um life long learner é a chave para um professor fazer sentido na CommuniTEA.

5 dicas para quem quer iniciar a aprendizagem de inglês na idade adulta:

Com a evolução científica, cada vez vivemos mais tempo. Isso pode ser uma bênção ou uma maldição mas é algo com o qual temos que viver, e uma das consequências é que temos que adaptar a nossa perspectiva de aprendizagem na idade adulta. Na verdade, este processo deixa de ser uma excepção e começa a ser a regra, e se há algo que o diferencia da aprendizagem na criança é a procura de significado/propósito naquilo que aprendemos. As cinco dicas que penso serem mais relevantes para alguém que procura aprender inglês depois dos 24 anos são muito centradas nisso:

  1. Pense no seu propósito de aprender inglês. Pergunte a si mesmo: “Para que preciso eu do Inglês? O que é que eu vou fazer com esta aprendizagem?” e tudo fará mais sentido;
  2. Faça uma autoanálise da pessoa que é (personalidade, gostos/interesses, ideologias, disponibilidade horária e financeira, etc.) e procure um método de aprendizagem que se ajuste a si e não o contrário;
  3. Se optar por um professor em vez da autoaprendizagem, exija dele o mesmo grau de comprometimento e dedicação que exigir a si próprio. Nem mais nem menos;
  4. Nós sabemos que o famoso homework ou TPC é difícil de conciliar com as outras coisas que já tem para fazer, mas aprender uma língua não se faz só com as aulas. Inclua o inglês na sua rotina diária o máximo que puder: tente pensar em inglês no trânsito, faça a lista de compras em inglês, oiça músicas e podcasts em inglês enquanto faz outras tarefas, etc;
  5. Arranje um companheiro para esta jornada. No passado falávamos de penpals/penfriends, mas ainda é possível trazer esse conceito para a atualidade. Encontre alguém com quem possa falar ou escrever em inglês e pratique na vida real. Se a pessoa for nativa ainda melhor.

Saiba mais sobre Mulheres à Obra aqui.

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