Apesar da crise, não passamos sem as nossas fragrâncias
favoritas e demonstramo-lo investindo nelas grande
parte do orçamento reservado ao cuidado pessoal.

Um
dado curioso é que, em 2010, as vendas de perfumes alcançaram
mais de cinco mil milhões de dólares nos Estados Unidos da América, segundo
números oficiais revelados pelo Euromonitor.

Para além disso, de acordo
com um estudo publicado no New York Times, em 2008,
apenas 15% das
norte-americanas não usam perfume. Por cá, pode dizer-se que o amor às fragrâncias é semelhante.
Segundo dados divulgados pela Marktest, em
2007, o número de consumidores de águas-de-colónia
ou perfumantes registou um aumento anual desde 2001.
O estudo do Euromonitor, levado a cabo em 2009, confirma
a tendência. «Apesar da recessão económica, o setor
dos perfumes em Portugal continua muito dinâmico», asseguram os autores do inquérito.

Pura ciência

Até há bem pouco tempo, atribuíamos aos aromas
valores etéreos e pouco definidos. Faziam
sentir-nos vagamente melhor, deixavam-nos
mais românticas, nostálgicas ou hiperativas
consoante a fragrância, mas não existia nenhuma
base científica que sustentasse tão
voláteis sentimentos.

Tudo mudou há poucos
anos, quando vários estudos comprovaram que,
perante determinadas situações em concreto,
o sistema olfativo é capaz de enviar mensagens
ao cérebro mais rapidamente do que a visão e,
portanto, as reações de resposta são também
mais rápidas. Para além disso, as mesmas
investigações indicam que alguns aromas provocam
o despertar de certas zonas no cérebro,
ativando-as de forma involuntária mesmo
quando não temos a perceção consciente
de que estamos a cheirar algo.

Pura magia

Na realidade, cada aroma pode conduzir-nos a
diversos estados de consciência. Quantas vezes
entrámos num lugar onde nunca estivemos
e bastou detetarmos um simples aroma para
sermos transportados para um momento passado
da nossa vida e sentirmo-nos invadidos por
um mundo mágico de recordações, alegres ou
tristes, sem a menor intervenção consciente da
nossa parte? A que cheira uma chávena de café?
Simplesmente a café ou à casa da tia Leonor?

Porque somos invadidos por uma sensação de
vitalidade cada vez que sentimos o cheiro da relva
recém-cortada? Como é que certas pessoas
nos caem no goto (ou não) de forma tão imediata?
Qual o aroma do ódio, da infidelidade, do fracasso... e do amor? Por trás de um determinado
perfume escondem-se sensações que não só
invadem o nosso nariz mas todo o nosso ser.

Caçadoras de tendências

Precisamos de cheirar os outros e que nos
cheirem. Não para dissimular os eflúvios naturais
como faziam com os seus lenços perfumados
as classes privilegiadas nos séculos
XVII e XVIII mas pelo simples e maravilhoso
ato individual e coletivo de sentir o efeito
inebriante do perfume, a sua carícia, a sua
perfeita companhia.

Adoramos a sintonia delicada do jasmim ou
da violeta, a intensidade da rosa da Bulgária,
a profundidade do cedro, a doçura do sândalo
ou da gardénia, a espiritualidade do incenso
ou da mirra... E, desde há alguns anos, adoramos
sobretudo fragrâncias exclusivas e únicas
que não se deixam catalogar sob óbvios
rótulos sexuais.

Tornámo-nos caçadoras de
tendências inspiradas em gurus perfumistas
que não frequentam os grandes canais de
distribuição e somos viciadas em fragrâncias
cada vez mais apuradas, delicadas e inspiradas
em misturas do passado mas atualizadas
com notas de vanguarda que não estão ao
alcance de todos. Se é apaixonada pelo universo
das fragrâncias descubra
ou releia «O perfume»,
de Patrick Süskind. Entenderá
um pouco melhor porque
os aromas se podem
tornar numa obsessão.

Texto: Fernanda Soares

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