Uma equipa de investigadores do laboratório da universidade pública analisou a forma como os portugueses reagiram ao Covid-19 entre 12 e 15 de março, através das redes sociais e também das pesquisas 'online', tendo identificado “apropriações sociais positivas e negativas” ao longo daquele período.

Recomendações da DGS

A DGS acompanha a situação da expansão do novo coronavírus e recomenda:

  • Em Portugal, caso apresente sintomas de doença respiratória e tenha viajado de uma área afetada pelo novo coronavírus, as autoridades aconselham a que contacte a Saúde 24 (808 24 24 24). Caso se dirija a uma unidade de saúde deve informar de imediato o segurança ou o administrativo.
  • Evitar o contacto próximo com pessoas que sofram de infeções respiratórias agudas; evitar o contacto próximo com quem tem febre ou tosse;
  • Lavar frequentemente as mãos, especialmente após contacto direto com pessoas doentes, com detergente, sabão ou soluções à base de álcool;
  • Lavar as mãos sempre que se assoar, espirrar ou tossir;
  • Evitar o contacto direito com animais vivos em mercados de áreas afetadas por surtos;
  • Adotar medidas de etiqueta respiratória: tapar o nariz e boca quando espirrar ou tossir (com lenço de papel ou com o braço, nunca com as mãos; deitar o lenço de papel no lixo);
  • Evitar o consumo de produtos de animais crus, sobretudo carne e ovos;
  • Seguir as recomendações das autoridades de saúde do país onde se encontra.

No relatório, publicado hoje e a que a Lusa teve acesso, refere-se que, antes do anúncio de casos de infeção, houve “uma quase ausência de desinformação”.

Porém, depois, “seguiu-se um momento de forte propagação de desinformação via WhatsApp, maioritariamente assente em áudios”, registam os investigadores.

Num terceiro momento, verificou-se “a apropriação positiva das redes sociais, via grupos de Facebook, para troca de informação e organização de redes de apoio, etc.”, assinalam.

Durante o período em análise, “os meios de comunicação social tornaram-se numa fonte central para alimentar com informação os grupos de Facebook de apoio e partilha de vivências de isolamento social”, frisam.

“Os media destacaram-se, igualmente, através de um importante papel de dissuasão e combate à desinformação, através de processos de 'fact-checking' [verificação de factos], como no caso do ‘Polígrafo’/SIC ou do ‘Observador’, ou via análises de contexto e boas práticas, como no caso do ‘Diário de Notícias’”, exemplificam.

Tal não significa que todos os meios de comunicação social tenham ficado imunes à desinformação. Por exemplo, “alguns” tomaram como válida a informação, falsa, de que os “Hotéis de Cristiano Ronaldo” seriam usados para apoiar o combate à propagação do vírus.

O MediaLab aponta as “lições” a reter durante a pandemia: “a desinformação de saúde parece assentar na passagem de falsidades associadas à credibilidade que as profissões de saúde têm na sociedade portuguesa, nomeadamente a profissão médica”.

As mensagens realizadas por profissionais de saúde, reais ou falsos, “atingem dimensões de partilha virais porque, para o cidadão comum, uma mensagem partilhada no WhatsApp por um profissional de saúde assume o mesmo peso de autoridade do que aquele que ocorre numa consulta ou interação face a face”, comparam.

A segunda lição é que, “se no Facebook, Twitter e Instagram pode existir moderação, e a desinformação pode ser retirada pelas redes sociais e deixar de estar disponível, tal não ocorre no WhatsApp, devido à falta de moderação”, alertam.

Assim, “a melhor forma de contrariar a desinformação” é individual, “ter cautela e espírito crítico”, aconselham.

“Devemos manter uma distância mental das mensagens que recebemos. Se parámos de cumprimentar com apertos de mão e beijos quem conhecemos, porque haveremos de partilhar mensagens que nos chegam só porque vêm de pessoas conhecidas?”, questionam.

A utilização das redes sociais “tem consequências”, sobretudo em tempos de crise. E “passar mensagens que dizem que ‘tudo está descontrolado’, que ‘há mortos’, que ‘tudo vai fechar’ ou outras semelhantes nada ajuda: nem o próprio, nem ninguém”, avisam.

Por outro lado, as redes sociais têm tido também “apropriações positivas”, por exemplo servindo para partilhar “práticas informativas de entreajuda”.

Só as próximas semanas e meses poderão dizer que tendência prevalecerá, concluem os investigadores.

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