A decisão surgiu após a publicação de uma investigação realizada por uma ONG brasileira chamada Repórter Brasil, fundada principalmente por jornalistas, em parceria com a norte-americana Mighty Earth.

Nessa investigação, a Repórter Brasil acusa as empresas JBS, Marfrig e Minerva, três grupos brasileiros especializados em carnes, de participarem na desflorestação em certas regiões do país. A ONG sustenta que determinados produtos ligados à desflorestação são encontrados nos supermercados europeus, na forma de carne seca, carne enlatada ou carne ‘in natura’.

“O facto de a Mighty Earth compartilhar os resultados da investigação antes da publicação com as empresas diretamente implicadas deu lugar às declarações de hoje” por parte dos grupos de distribuição, afirmou a organização em comunicado.

A JBS, maior produtora de carne do mundo, disse em comunicado que pratica uma política de tolerância zero “para a desflorestação ilegal, trabalho forçado e uso indevido de territórios indígenas ou áreas protegidas”.

A companhia explicou que montou um sistema de “controlo por satélite de seus fornecedores” há 10 anos.

Segundo a JBS, até ao momento não é possível “controlar os fornecedores dos fornecedores da mesma forma”, mas o grupo afirma ter investido numa nova plataforma para obter até 2025 “uma cadeia de suprimentos sem o menor vestígio de desflorestação ilegal”.

O Carrefour retirou de suas lojas na Bélgica o ‘jerked beef’ (um tipo de carne seca) da Jack Link’s das suas prateleiras. A Jack Link’s tem uma ‘joint venture’ com a JBS para produção de ‘jerked beef’ para exportações para Europa e Estados Unidos da América, de acordo com Nico Muzi, diretor da Mighty Earth Europe.

De acordo com a Mighty Earth, a rede de supermercados belga Delhaize comprometeu-se em “remover todos os produtos Jack Link’s das suas prateleiras”.

A ONG também destaca as iniciativas de várias outras grandes cadeias de distribuição, como Lidl e Albert Heijn nos Países Baixos, ou Sainsbury’s e Princes no Reino Unido, para evitar a venda de carne bovina brasileira cujos produtores estão ligados a ações de desflorestação.

Em causa está um esquema conhecido como “lavagem de gado”.

Neste esquema, o gado criado em áreas desflorestadas é transferido para uma fazenda regularizada e depois vendido para o abate. Dessa forma, a origem dele é “mascarada”.

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