No estudo, que analisa 178 países e territórios, Portugal está na 28.ª posição do "Ecological Threat Report" (ETR), ameaçado sobretudo pela potencial subida de temperaturas e escassez de água.

Moçambique (171.ª posição) e Angola (169.ª posição) têm das pontuações 10 mais altas do ETR, que olha para fatores como risco de escassez ou de água, rápido crescimento populacional, instabilidade nas temperaturas e desastres naturais

Os autores da segunda edição do Relatório concluem que existe uma "relação cíclica entre a degradação ecológica e conflitos”, como terrorismo e guerra civil.

Onze dos 15 países com as piores pontuações de ETR atualmente estão classificados como estando em conflito, e os restantes quatro estão em grande risco de perturbação da paz.

"É um ciclo vicioso em que a degradação dos recursos leva ao conflito, e o conflito resultante leva a uma maior degradação dos recursos. Romper o ciclo requer melhorar a gestão de recursos ecológicos e a resiliência socioeconómica”, lê-se no documento do Institute for Economics and Peace (IEP).

O Afeganistão tem a pontuação geral mais alta no Relatório, o que reflete a vulnerabilidade do país, a qual poderá ser agravada pelas alterações climáticas.

O Brasil está no 40.º lugar do índice ETR, a Guiné Equatorial em 91.º, Guiné-Bissau em 105.º e Timor-Leste em 127.º. Guiné-Bissau e Cabo Verde são referidos no relatório, mas não estão na tabela.

A América do Norte e a Europa são as duas regiões com o nível médio mais baixo de ameaças ecológicas, enquanto o Sul da Ásia, África Subsaariana e o Médio Oriente e Norte de África são as regiões com o nível médio mais alto.

O IEP estima que, até 2050, 4,7 mil milhões de pessoas vão residir em países com ameaças ecológicas elevadas e extremas, os quais representam 48,7% da população total do mundo.

O relatório identifica três grupos de 30 países sob maior pressão ecológica, nomeadamente o corredor Sahel-Corno da África, entre Mauritânia e Somália, o corredor da África Austral, entre Angola a Madagáscar, e o corredor do Médio Oriente e Ásia Central, entre a Síria e Paquistão.

Destes, Angola está sobretudo exposta ao risco de escassez alimentar, enquanto Guiné Equatorial e Guiné-Bissau estão em perigo de sofrer de escassez de água.

O crescimento da subnutrição e insegurança alimentar é uma das principais ameaças identificadas, e que estão a reverter uma tendência de descida registada durante décadas.

Entre 2019 e 2020, a insegurança alimentar aumentou 30,4% em parte devido à pandemia covid-19, e estima-se que até 2050 aumente 43%, afetando 3,4 mil milhões de pessoas.

O relatório faz uma série de recomendações que o presidente-executivo e fundador do IEP, Steve Killelea, admitiu num encontro hoje com jornalistas que “não são fáceis de implementar”.

“Muitos destes problemas têm uma natureza sistémica e o que é necessário é uma mentalidade sistémica para tentar resolvê-los”, vincou, sugerindo uma maior interdisciplinariedade de organizações internacionais e não-governamentais para trabalhar em questões como apoio a refugiados, alimentação, segurança, planeamento familiar, desenvolvimento económico e saúde.

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