Dizemos aos mais pequenos que o sol nasce todos os dias, mas hoje não foi o caso em Aveiro.

O sol não se viu, e um denso manto de fumo acompanhado com um cheiro de mata queimada enchia o ar lá fora, lá dentro, as conversas, as fotos do facebook e as preocupações. Preocupações legítimas para quem tem que o respirar. E mais ainda para quem tem maior sensibilidade respiratória.

Os dados medidos de partículas atmosféricas confirmam o pior. Nas primeiras horas da manhã foram medidas concentrações acima de 400 µg.m-3, sendo que o limite diário de proteção da saúde humana é 50 µg.m-3.

Para além da matéria particulada em suspensão no ar, que sentimos mais diretamente, existem ainda concentrações elevadas de outros compostos, como o monóxido de carbono (CO), incolor e inodoro, geralmente em concentrações reduzidas no ar ambiente. Estas concentrações elevadas geram avisos imediatos pelas entidades responsáveis, neste caso a Agência Portuguesa do Ambiente, avisos esses que são dirigidos sobretudo aos grupos de risco, que incluem as crianças, os idosos e todas as pessoas com problemas respiratórios.

Alexandra Monteiro, investigadora do Departamento de Ambiente e Ordenamento e do Centro de Estudos do Ambiente e do Mar da Universidade de Aveiro
Alexandra Monteiro, investigadora do Departamento de Ambiente e Ordenamento e do Centro de Estudos do Ambiente e do Mar da Universidade de Aveiro créditos: Universidade de Aveiro

Os avisos dizem para evitar esforços físicos ao ar livre, e para permanecer em casa com as janelas fechadas, utilizando de preferência sistemas apropriados de circulação/refrigeração do ar.

Este último aspeto é particularmente importante no dia de hoje, já que os espaços interiores foram sendo contaminados pelo exterior. Mesmo sem terem deixado as janelas abertas (que sabem tão bem nestes dias quentes), é provável que todo o ar das casas e espaços confinados esteja, também ele, irrespirável.

Desta forma, não bastará estar dentro de um espaço destes para nos protegermos e sentirmos seguros. Para isso, o ideal será procurar espaços onde seja possível a circulação/refrigeração do ar, com sistemas de ar condicionado que possuam filtragem do ar. Aí sim, pode respirar (mais) fundo.

Se muitas vezes fomos sortudos pela nortada típica nesta cidade que nos impedia de assistirmos e respirarmos o fumo dos incêndios ocorridos no interior do país, hoje o vento de leste (que traz o calorzinho bom que tanto gostamos) não o permitiu. Por isto, se por acaso trabalha ou tem que viajar para norte ou para sul da nossa cidade, está com sorte e já não precisará de levar a máscara consigo. Na imagem de satélite desta manhã é bastante evidente que a pluma de fumo tem uma dispersão tão confinada e bem dirigida para a zona de Aveiro…

Um artigo de opinião de Alexandra Monteiro, investigadora do Departamento de Ambiente e Ordenamento e do Centro de Estudos do Ambiente e do Mar da Universidade de Aveiro.

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