Quando era criança ainda hesitou entre a Medicina e o bailado, mas quando entrou na faculdade não teve mais dúvidas: ser médica era definitivamente a sua vocação. Hoje, o seu consultório, no Campo Pequeno, enche-se todos os dias de pessoas ávidas de ganhar um novo sorriso. E quem a conhece fica definitivamente rendido à simpatia de Paula Sequeiros, uma das raras especialistas em estética do sorriso em Portugal.

É médica dentista ou estomatologista?
O termo dentista é um saco onde cabe muita coisa. Sou médica e escolhi a especialidade de estomatologia, embora na prática toda a gente nos chame dentistas.

Para ser estomatologista precisa de quantos anos?
Seis anos de curso de Medicina, dois anos de internato geral e quatro de especialidade. No total são 12 anos, enquanto na medicina dentária são cinco ou seis. 

Como foi o seu percurso profissional?
Quando terminei o curso de Medicina estive durante os dois anos do internato geral a par do que trabalhei em Cirurgia Plástica. Quando chegou a hora de escolher, tive de fazer uma opção: entre a cirurgia plástica em que demorava muitos anos a ser completamente independente e a estomatologia em que essa autonomia chegava mais depressa, optei pela segunda e até hoje não me arrependo.

Quando acabei a Estomatologia e como a Cirurgia foi sempre uma paixão fiz uma segunda especialidade, a Cirurgia Maxilo-Facial. Entretanto abri o meu consultório a Sanoral que já tem mais de 20 anos de atividade. Hoje, aos 51anos, sinto-me no auge da minha carreira com capacidade para trabalhar e aprender muito mais.

Onde fez a especialidade?
No Hospital Pulido Valente como base mas andei por vários hospitais. Aliás, durante todo o tempo da especialidade fazia urgências em São José com a equipa de Maxilo-Facial, onde voltei mais tarde para fazer a segunda especialidade, uma experiência que eu adorei.

E acabou por deixar o hospital porquê?
Tinha uma carga horária muito pesada. Nessa altura já tinha o consultório que acumulava com o hospital e com as urgências. Só aguentei esse ritmo porque era muito jovem e não tinha filhos, mas sempre tive a noção que a minha vida ia assentar em vários pilares: um deles era a profissão e a independência, mas outro tão ou mais importante, a família e ter tempo para mim.

Consegue mesmo ter tempo para si?
Consigo pois. Acho que ter tempo é um dos maiores luxos. Sempre gostei muito de dançar e de fazer ginástica e nos últimos dez anos faço ioga todos os dias.

Para além disso tenho tempo para organizar a minha casa, para o meu filho, para estar com uma amiga ou até para passear o cão!

Tudo porque abdicou do hospital.
Com certeza o tempo não estica! Deixei o hospital e nunca mais ocupei aquele horário.

O trabalho também pode trazer felicidade?
Claro que sim. Uma coisa muito importante é gostarmos do que fazemos e infelizmente muitas pessoas não gostam daquilo que fazem, por isso está tudo louco por chegar à reforma. Não pode ser, o trabalho é onde consumimos grande parte do nosso tempo, se não gostamos do que fazemos é uma cruz!

Ainda mais porque a esperança de vida aumentou…
Está mais que provado que já conseguimos prolongar a vida, agora só precisamos de lhe acrescentar qualidade, e o mais importante é ter regras: dormir bem, ter interesses, fazer exercício físico, não engordar e alimentar o espírito, ou seja alimentar as nossas relações quer sejam familiares ou de amizade. As forças que nos deitam abaixo são tantas que temos de fazer um esforço diário para não cair em situações tóxicas.

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Há alguma receita infalível para o anti envelhecimento?
Uma das coisas mais importantes para a pessoa se manter jovem é trabalhar ou fazer qualquer coisa em que se sinta útil e que goste de fazer.

Desde que saiu do hospital só trabalha de tarde?
Sim. Concentro todos os meus doentes nas cinco horas que passo no consultório à tarde e tenho as manhãs livres para fazer uma data de coisas que também são importantes. No entanto as minhas cinco horas de trabalho equivalem a dez da maioria das pessoas, porque, de facto, sou muito focalizada e por isso produtiva.

Valoriza muito o tempo?
Gosto que a minha vida seja um patchwork de atividades completamente distintas: tanto posso estar a fazer uma cirurgia de colocação de implantes ou uma mudança de sorriso, como posso estar no mercado a comprar fruta, a passear o cão ou a ir buscar o meu filho à escola.

Ajuda-o a estudar?
Ajudo-o o suficiente para não interferir com a sua autonomia. A escola dele é muito exigente, por exemplo, agora, estamos a estudar história e estou a aprender imenso.

Não teve medo quando deixou o hospital de se fechar demasiado no consultório?
Sabia que isso era um risco mas eu sempre fui a muitos congressos e, a partir daí, até porque não tinha de prestar contas a ninguém, passei a ir muito mais. Vou no mínimo três ou quatro vezes por ano lá fora. Foi nos Estados Unidos, há mais de 10 anos, que entrei em contacto com a técnica das facetas de cerâmica que são sem dúvida a minha coqueluche.

São próteses?
Não. Imagine uma espécie de lentes de contacto de cerâmica (um material que mimetiza perfeitamente o esmalte dos dentes) adesivadas aos dentes, e estão indicadas para pessoas que têm bons dentes mas que já não são tão bonitos. Ou porque mudaram de cor ou porque ganharam espaços entre eles. A maravilha desta técnica é desgastar pouco ou quase nada o dente.

A crise está a atrapalhar o seu trabalho?
Sou uma pessoa otimista por natureza mas com tanto ruído à volta é impossível não ter medo da crise. Hoje em dia continuo a trabalhar o mesmo ou mais e tenho ganho novos clientes para reabilitação ou mudanças de sorriso. Tenho notado também que muitas pessoas me procuram através do meu site que eu me esforcei por ser o mais explicativo possível. Apesar de ser um trabalho caro, é um sonho para a maioria das pessoas.

Qualquer pessoa pode sonhar com um novo sorriso?
Hoje em dia há tantas técnicas e tantas possibilidades que eu diria que sim. O nosso dever é estar a par dessas técnicas e ter consciência plena das nossas capacidades e limitações, saber o que podemos propor ao paciente e quando temos que delegar.

Na minha prática dedico bastante tempo ao diagnóstico e à apresentação do caso. Não começo absolutamente nada antes de explicar muito bem o que tenciono fazer, quanto custa, e a pessoa pode tomar a sua decisão antes de o processo começar. Ou até pode decidir fazer o tratamento base e deixar a reabilitação e a mudança para uma fase posterior.

Tem uma equipa exclusivamente feminina.
Sim é uma coincidência. A minha equipa é muito pequena, sou eu que acompanho todos os meus pacientes. Se eu tivesse optado por uma estrutura maior teria com certeza mais dores de cabeça e menos contacto com cada caso que resolvemos na clínica.

Está muito orgulhosa do seu trabalho?
Imensamente.  

Um bom programa para fazer com a família?
Passear, estarmos juntos e conversar, outra coisa que eu acho importantíssima e que as pessoas fazem cada vez menos. O meu marido é um excelente conversador e temos isso em comum para além do amor pelas viagens e do prazer em descobrir novos restaurantes.

Está sempre assim bonita?
Essa agora apanhou-me desprevenida! Obrigada. Tento estar bem comigo e com os outros, cuido-me, e penso que é isso que transparece.

Texto: Palmira Correia

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