Vivem nos bastidores do mundo da moda e é graças a eles que o glamour transparece nos desfiles ou nas produções fotográficas que deslumbram e fazem sonhar multidões, que muitas das vezes só veem o lado de glamour da coisa, sem noção das muitas horas de trabalho e do esforço e das provações que exigem. Fomos conhecer os profissionais que trabalham atrás dos holofotes e desvendamos as suas experiências e truques. Conheça o percurso de maquilhadores, bookers, fotógrafos, bloguers, trendsetters, consultores de moda e stylists, naquelas que são algumas das profissões da moda mais em voga:

- Maquilhador

Há 17 anos que Sandra Almeida vive rodeada de pincéis, sombras e batons. «O meu trabalho tem a vertente da moda nos desfiles e para o público, no Atelier Styling Project», revelou em tempos à Saber Viver. Apesar da formação em antropologia, a vida encaminhou-a «para trabalhar em lojas de roupa. Maquilhava os clientes quando tinham festas porque gostavam da minha maquilhagem e queriam igual», diz. Hoje, não sai de casa sem «base, corretor, pó, máscara de pestanas, blush e hidratante de lábios».

O seu conselho é «não desperdicem dinheiro em produtos que nunca usam. Mais vale ter o mínimo e saber que estão sempre bem». O seu kit básico de maquilhagem inclui «base para uniformizar o tom da pele e proteger, corretor de olheiras porque dá luminosidade, pó para fixar a base e deixar a maquilhagem impecável todo o dia, máscara de pestanas porque é um lifting que fazemos aos olhos, blush e hidratante de lábios, neutro ou com cor», revela.

- Booker

Maria Emília Romano, mais conhecida por Mi Romano, tem 53 anos e há 25 que trabalha como booker, fazendo «a ponte entre o modelo/agenciado e o cliente. Consiste em saber colocar a pessoa certa no trabalho certo», explica. «Há pessoas que cativam e outras não. E podem ser ambas bonitas. A pessoa que se destaca é a que cativa, independentemente de ser bonita ou não», conta. Maria não se esquece do seu «primeiro trabalho como modelo, em que vi o Tó Romano. Por coincidência ele estava também a fazer o seu primeiro trabalho como modelo. Foi há 35 anos!», confessa.

Como tornar-se modelo? «Para um bom equilíbrio é fundamental a formação académica, em paralelo com a carreira de modelo. No início esta atividade deve ser vista como um hobby, não uma profissão». Caso exista potencial para uma carreira internacional «vale a pena pensar nisso. Mas são exigidas medidas e proporções físicas pouco habituais nas mulheres portuguesas», adverte.

- Fotógrafo de moda

Mário Príncipe tem 40 anos e é fotógrafo de moda desde 2002. O seu trabalho consiste em «fotografar para revistas de moda, catálogos e campanhas de marcas». Nesta profissão, o que mais aprecia é «a técnica, disciplina e a capacidade de se transformar uma produção». Para ele, uma modelo «não necessita de ser bonita, apenas tem de ficar elegante». Já lhe aconteceu ter de fotografar uma Vespa para uma produção de moda.

«Como o estúdio fica no segundo andar, o proprietário não quis arriscar a subir com ela. Tivemos de levar o estúdio para a entrada do prédio e improvisar», recorda. Um conselho para ficar bem na fotografia? «Deve sentir-se sempre elegante e aproveitar o dia para ser mais vaidoso. Ajuda sempre a melhorar o aspeto na foto», assegura. Além disso, antes de participar numa sessão fotográfica, «deve ver revistas de moda e treinar algumas poses em frente ao espelho», recomenda.

Veja na página seguinte: O negócio dos bloguers e dos trendsetters

- Bloguer e/ou trendsetter

Aos 34 anos, José Cabral é conhecido por ser o autor do blogue O Alfaiate Lisboeta, projeto que iniciou em janeiro de 2009. «Surgiu da necessidade de ter um projeto pessoal e de um amigo me ter mostrado uma mão cheia de blogues onde os autores captavam pessoas e os seus estilos», recorda. Desde aí a sua vida mudou. «O blogue fez com que fosse lido por milhares de pessoas. Levou o meu trabalho a países onde não poderia imaginar que algum dia se haveria de publicar algo a meu respeito», reconhece.

«E despertou em mim um percurso mais empreendedor», assume José Cabral. Já lhe aconteceu fotografar Christian Louboutin em Nova Iorque e só depois em Lisboa, ao ler uma revista, perceber quem era o francês com quem tinha estado a falar sobre a Comporta. «Fotografo pessoas que me despertam a atenção e que, de alguma forma, me atraem. Podem parecer uma forma diferente de dizer a mesma coisa, mas são coisas bem distintas». Recentemente publicou «O Alfaiate Lisboeta», editado pela Oficina do Livro, um livro que reúne as suas melhores imagens.

- Consultor de imagem

Helena Antunes tem 40 anos e trabalha como consultora de imagem há oito. O seu trabalho consiste em «encontrar o estilo pessoal de cada cliente, as cores e as proporções do seu corpo para projetar, através da roupa, uma imagem de segurança, credibilidade e bom gosto». «O meu fetiche são os acessórios, malas, écharpes, colares e anéis, principalmente», confessa. Já lhe aconteceu ser contactada por um cliente que desejava surpreender a mulher.

«Como iam passar uma temporada numa capital fria europeia, decidiu dar-lhe um guarda-roupa completo adaptado ao clima da cidade, o que me obrigou a deslocações secretas a casa deles para saber que peças comprar», desvenda. Sobre o que vestir no emprego, Helena Antunes aconselha os modelos intemporais são essenciais. «Salvam-nos em quase todas as ocasiões. Depois é só juntar peças da estação para dar um toque atual», diz. E lembre-se que «nunca deve mostrar corpo em demasia no local de trabalho», aconselha ainda.

- Stytlist e produtor de moda

Pedro Crispim tem 36 anos e trabalha há cerca de uma década na área do styling, que envolve produção de imagem, desde televisão a publicidade, a produções para revistas ou desfiles de moda. «O meu trabalho consiste em valorizar as pessoas, dando-lhes ferramentas úteis e tendo como base os seus próprios objetivos e expetativas», refere. O stylist não sai de casa sem «o relógio e um qualquer shopping bag».

Curiosamente, já lhe aconteceu, aquando da limpeza do closet de uma cliente, encontrar revistas eróticas. «Fiquei tão atrapalhado que fingi que nem as vi. Mas a cliente, com a maior naturalidade do mundo, perguntou se as tinha encontrado», revela. E um conselho para causar boa impressão? «Deve apostar nos acessórios pois podem potencializar e acrescentar valor ao outfit em segundos», sublinha.

Texto: Sónia Ramalho com Helena Antunes (consultora de imagem), José Cabral (bloguer), Mi Romano (booker), Mário Princípe (fotógrafo), Pedro Crispim (stylist) e Sandra Almeida (maquilhadora)

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