Nas parasitoses intestinais, os parasitas mais comuns são do grupo dos helmintos nematodes, com principal destaque para o Ascaris Lumbricoides, o Trichuris Trichiura e os Ancilostomas.

O Ascaris Lumbricoides tem maior prevalência em indivíduos malnutridos residentes em países com condições de saneamento básico precárias. A infeção ocorre por ingestão de vegetais ou fruta contaminada que não foi cuidadosamente lavada, descascada ou cozida. Os ovos infeciosos são ingeridos e as larvas iniciam um processo de migração, desde o intestino até aos pulmões. A obstrução intestinal alta é a complicação mais frequente. A migração dos vermes adultos através da parede intestinal pode provocar colecistite, pancreatite ou peritonite.

O Trichuris Trichiura é o terceiro parasita mais comum, sendo frequente em países com clima tropical e baixas condições sanitárias. Em infeções ligeiras o doente é geralmente assintomático. Nas infeções graves (sobretudo nas crianças) os sintomas mais frequentes são diarreia, desconforto abdominal e disenteria. Enquanto o parasita Ascaris Lumbricoides  habita o intestino delgado, o Trichuris Trichiura desenvolve-se no intestino grosso.

A Ancilostomose é uma parasitose intestinal, com quadro clínico predominantemente gastrointestinal, provocada pelos nematodes da família Ancylostomidae: Ancylostoma duodenale ou Necator americanus. A contaminação ocorre pelo contato direto da pele dos pés com o solo contaminado ou por ingestão acidental da larva presente no ambiente através de mãos contaminadas. Antes do verme chegar ao intestino os sintomas são leves. No local de penetração do verme na pele pode surgir uma erupção cutânea pruriginosa, seguida de febre, tosse, dor abdominal, perda de apetite e diarreia. As infeções crónicas graves podem causar perda de sangue e anemia que às vezes é grave o suficiente para causar fadiga e, ocasionalmente, insuficiência cardíaca.

O teste de pesquisa destes parasitas é realizado a partir de uma simples recolha de fezes em recipiente próprio, o que poderá ser feito com facilidade em casa pelo doente, sendo entregue posteriormente no laboratório. O único requisito adicional é a exigência de se recolher três amostras de fezes, idealmente em dias alternados.

Em determinados casos é possível visualizar diretamente os parasitas nas fezes, o que facilita o diagnóstico. Nos restantes, é necessário apoio laboratorial. A observação ao microscópio de diferentes preparados de fezes permite a deteção dos ovos, quistos ou de parasitas. Com frequência, este tipo de exame tem de ser repetido em diferentes períodos de tempo, porque os parasitas apresentam ciclos de vida diversos e intermitentes.

Uma vez identificado o parasita que está na origem da infeção, o tratamento é simples e regra geral eficaz, conseguindo-se a eliminação do parasita na grande maioria dos casos clínicos.

Um artigo do médico Germano de Sousa, especialista em Patologia Clínica.

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