Os sinais e sintomas mais comuns da paralisia de Bell são:

  • fraqueza dos músculos de um dos lados da face
  • paralisia da pálpebra superior com limitação do pestanejo (o olho não pisca ou pisca menos)
  • dificuldade, ou mesmo impossibilidade, em fechar o olho, levando a maior exposição e secura, desconforto e lesões na córnea
  • incapacidade de franzir a testa com queda da sobrancelha 
  • desvio da boca para o lado contrário da paralisia (boca torta) com dificuldade em falar, em engolir, e no reter a saliva (babar) 

Todas estas alterações na aparência, na expressão de emoções e também em funções básicas como falar, sorrir ou engolir têm grandes repercussões na vida das pessoas. Mas essas alterações podem revestir-se de um contorno mais grave com repercussão, por vezes incapacitante, no globo ocular, podendo ir desde o simples desconforto até à perda de visão.

“O olho é o que mais me incomoda”

O nervo facial controla os movimentos da face e os músculos responsáveis pelo pestanejo e pelo encerramento, reflexo e voluntário, das pálpebras.

As pálpebras, além de participarem na expressão de emoções e serem das estruturas mais importantes para a estética global da face, têm a função fundamental de proteger o olho - por exemplo, das poeiras e de corpos estranhos. Têm também a função de manter húmida a sua superfície, nomeadamente a córnea.

Com a abolição do pestanejo e do encerramento da pálpebra, a córnea fica exposta e seca. Ao secar vai originar visão turva e grande desconforto com ardor ou mesmo dor.

A secura mantida é grave e levará ao aparecimento de lesões da córnea  – queratites, ulceras, entre outras – que deixarão cicatrizes que podem levar à perda de visão.

A observação por um oftalmologista aos primeiros sinais de paralisia facial é muito importante, visando avaliar a superfície do olho e adoptar medidas de protecção, assegurando, desta forma, a protecção da córnea e a boa saúde visual.

Medidas de proteção a adoptar de imediato:

  • Lubrificação abundante com lágrimas artificiais a instilar várias vezes por dia (de preferência sem conservantes)
  • Lubrificantes em gel ou vaselinas com vitamina A durante a noite, para os casos mais graves
  • Oclusão nocturna do olho afectado enquanto não houver encerramento completo. 
  • Pode ocluir-se também durante o dia em casos de grande desconforto ou de períodos prolongados de fixação (computadores, dispositivos electrónicos, televisão, leitura).

Nos casos mais graves de paralisia podem adoptar-se medidas cirúrgicas:

  • Aplicação de pesos na pálpebra superior que permitem o seu encerramento parcial 
  • Indução de ptose palpebral (queda da pálpebra superior) com injecção de toxina botulínica A
  • Encerramento cirúrgico da fenda palpebral lateral – tarsorrafia parcial

Nos casos de paralisia facial de longa duração, com grande laxidão dos tecidos, pode-se verificar “queda” da pálpebra inferior – ectrópion.

Actualmente nas paralisias faciais crónicas consegue-se obter bons resultados na recuperação ocular, através de de uma série de terapêuticas médicas e cirúrgicas:

  • Electro-estimulação
  • Correcção de retracção palpebral e lifting da sobrancelha
  • Lifting do terço médio da face para correção de ectrópion (pálpebra virada para fora) e lagophthalmos (pálpebra inferior que descai e se afasta do olho formando “um lago”.)
  • Transferências musculares
  • Reconstrução nervosa

A avaliação precoce por médicos especialistas em unidades multidisciplinares e a instituição precoce de medidas preventivas e terapêuticas é fundamental para a recuperação e prevenção de sequelas e comorbilidades.

Um artigo da médica Eunice Guerra, Oftalmologista na Unidade de Paralisia Facial do Hospital CUF Tejo.

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