As glândulas paratiroides são, habitualmente, quatro e situam-se na face posterior ou lateral dos lobos tiroideus envolvidas pelo tecido gordo adjacente. Têm pequenas dimensões (5-6mm) e forma oblonga e achatada. A localização ectópica, ou seja, aberrante, é rara, podendo ser encontradas na tiroide, no mediastino superior e no tórax.

São chamadas de glândulas endócrinas porque segregam uma hormona designada de Hormona da Paratiroide (PTH) que tem como principal função a regulação do metabolismo do cálcio e do fósforo agindo sobre vários órgãos alvo, como o rim, o intestino e o osso, aumentando a reabsorção óssea e a absorção intestinal do cálcio.

As glândulas paratiroides podem ser sede de várias doenças, entre as quais o hiperparatiroidismo primário devido a tumor benigno (adenoma), em cerca de 80 a 85% dos casos.

Qual a prevalência do hiperparatiroidismo primário devido a um tumor benigno da glândula paratiroide?

O hiperparatiroidismo primário tem uma prevalência de 1 a 4 casos por mil habitantes/ano. É uma doença silenciosa, que em mais de 50% dos casos não provoca sintomas na fase inicial, e, portanto, o diagnóstico é, frequentemente, tardio. É duas a três vezes mais frequente no sexo feminino, com maior prevalência entre a quinta e sétima décadas de vida. Caracteriza-se pela produção excessiva de Hormona da Paratiroide, por uma ou mais glândulas, o que origina a subida do cálcio no sangue.

A apresentação clássica é referida pelos anglo-saxónicos como “bones, stones, abdominal moans and psychic groans”, ou seja, doença óssea, doença renal, alterações gastrointestinais e neuropsiquiátricas.

Quando deixada sem tratamento, o que pode acontecer?

Pode ocorrer alteração grave da função renal, formação de cálculos renais (“pedras nos rins”), perda da massa óssea com osteopenia/osteoporose, dores ósseas e possibilidade de fraturas ósseas múltiplas, fadiga e quadro neuropsiquiátrico que pode incluir depressão, perda de memória, alteração do sono, irritabilidade, confusão mental e demência.

Pode, ainda, desencadear alterações cardiovasculares e alterações do metabolismo da glucose (diminuição da tolerância à glicose oral e Diabetes Mellitus tipo 2).

Para evitar tais complicações, o diagnóstico precoce é fundamental?

O diagnóstico precoce do hiperparatiroidismo é determinante no evitamento das consequências renais, ósseas e mentais associadas ao não tratamento da doença.

Mesmo em contexto de pandemia, não hesite nem adie procurar um especialista se não obtiver solução para as suas queixas.

O diagnóstico laboratorial desta doença é feito essencialmente à custa da elevação dos valores do cálcio e da PTH no sangue. Para além de outros parâmetros analíticos, o cálcio na urina das 24 horas está frequentemente aumentado e os níveis de fósforo e de magnésio no sangue estão baixos.

Perante o diagnóstico laboratorial de hiperparatiroidismo e para localização da glândula afetada, deverá ser realizada ecografia do pescoço e cintigrafia das paratiroides com Tecnécio99-msestamibi. O objetivo destes exames é o de confirmar, o mais rigorosamente possível, a localização da glândula doente e estabelecer uma estratégia cirúrgica dirigida apenas a essa zona do pescoço.

Atualmente existem outros exames de imagem, como o Tomografia Computarizada cervico-toracica 4D e o sestamibi SPECT (single photon emission computed tomography), com alto poder de resolução de imagem e com maior capacidade de identificação da doença multiglandular.

Da avaliação da doença faz parte o estudo da função renal e do estado da massa óssea através de ecografia renal e osteodensitometria.

O tratamento cirúrgico é o mais adequado?

O tratamento curativo e definitivo do hiperparatiroidismo primário devido a tumor benigno é cirúrgico, ou seja, a remoção da glândula afetada designada por paratiroidectomia. A cirurgia é realizada através de pequena incisão no pescoço com 1.5 a 2cm, que permitirá uma cicatriz com excelente resultado cosmético.

Intra-operatoriamente é doseada a PTH no sangue de forma a comprovar a normalização do valor desta hormona após a resseção do adenoma. A exploração cirúrgica das restantes glândulas deverá continuar se este facto não se verificar.

Quais são as complicações possíveis do tratamento cirúrgico?

A cirurgia está associada a uma baixa taxa de complicações quando efetuada por um cirurgião experiente nesta área anatómica e nesta patologia. Os riscos associados dependem da localização do adenoma e podem incluir alterações da voz, edema ou “inchaço” na zona operada e descida transitória dos valores do cálcio no sangue.

Um artigo da médica Maria Olímpia Cid, especialista em Cirurgia da Tiroide e Paratiroide no Hospital CUF Tejo.

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