Nas consultas pode-se constatar que as queixas do paciente são exactamente as mesmas: dores acentuadamente temporais, por vezes irradiando lateralmente. Desde moderadas a graves, pulsáteis e que agravam com a actividade física, astenia e alimentação.

Nas fases mais intensas podem mesmo surgir náuseas, vómitos, aversão à luz e ao barulho. As crises podem ter a duração de apenas algumas horas ou ir até dois dias, incapacitando a pessoa para a sua vida social, familiar e profissional, devido ao mal-estar generalizado.

Mas, o diagnóstico, prognóstico e terapia entre as duas medicinas são completamente diferentes! Muito embora existam divergências nos métodos terapêuticos, utilizando mesmo uma linguagem diferente, existem, no entanto, semelhanças em ambas as medicinas (MTC e Medicina convencional).

Por exemplo, são vários os conceitos idênticos, principalmente na área de prevenção, sendo esta a tónica da MTC (prevenção - respeitando sempre o corpo como um todo).

Os factores preventivos a ter em consideração são:
- Evitar o stress e o cansaço extremo
- Dormir o suficiente para o organismo recuperar
- Praticar exercício preferencialmente ao ar livre
- Realizar massagens e optar por uma vida tranquila
- Evitar ingerir toxinas, tais como o álcool, café, etc.

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Intervenção da Medicina Alopática
Na Medicina Convencional ainda existem algumas dúvidas sobre qual a melhor forma de intervenção e tratamento desta angustiante patologia, atribuindo as causas a alguns factores de ordem hormonal, genética, stress e mesmo consequência da toma de alguns medicamentos, nomeadamente antidepressivos.

Para além disso, não está fora de hipótese o facto de ser o hipotálamo o responsável pelas enxaquecas crónicas, devido a uma disfunção das suas hormonas. Unidos os três factores: emocional, físico e alimentar, e havendo uma certa apetência para esta patologia, que afecta entre 10 a 15% dos portugueses, seguramente a qualquer momento desencadear-se-á uma crise.

A Medicina Convencional debate-se ainda com várias dúvidas sobre o tratamento das enxaquecas e considera que a cirurgia poderia ser a solução para a sua cura, removendo alguns músculos da fronte e pescoço. Esta intervenção poderia reduzir as dores ou mesmo eliminá-las.

Existe ainda o risco dos pacientes que sofrem frequentes e intensas crises de enxaquecas poderem vir a ter um AVC (Acidente Vascular Cerebral), sendo as mulheres o grupo mais exposto.

Intervenção da medicina tradicional chinesa
A definição de "enxaqueca" na Medicina Tradicional Chinesa não existe, sendo o seu diagnóstico único, assim como as terapias aplicadas, e a Acupunctura o principal método terapêutico utilizado, mas não o único.

Também se podem utilizar ventosas, fitoterapia chinesa, qiqong, tuina. Pode-se também aconselhar a prática do yoga, do relaxamento, do shiatsu, entre outras, afim de relaxar e aliviar as tensões do pescoço.

Tendo em conta sempre os três factores fundamentais: emoção, físico e alimentação e, em função do diagnóstico efectuado, assim se opta pela terapia mais indicada.

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A patologia
Após a anamnese concluída, podemos atribuir os sintomas a alguns factores disfuncionais nos diversos órgãos, tais como a hiperactividade do Yang no fígado, provocando assim "vento" na cabeça.

Esta patologia é a consequência de uma alimentação incorrecta, como atrás é referido, mas também o factor emocional é importante, uma vez que ao fígado estão ligados a ira, a raiva, a fúria, a revolta e o stress, o que vai provocar calor e dominar este órgão.

Sendo a vesícula biliar a víscera do fígado, e pelo facto de estarem intimamente ligados, esta também vai ser afectada pelo calor do mesmo, criando um quadro de humidade/calor na vesícula biliar, e isso dá-se exactamente numa parte do seu meridiano, situado lateralmente à cabeça, onde se situa a dor.

Também o vazio de Yin do rim e o vazio de Qi (energia) do B/P (Baço/Pâncreas) podem ser o motivo para o aparecimento daquela patologia, sendo o princípio muito idêntico ao do fígado, mas só após o diagnóstico se pode decidir quais os protocolos a aplicar e respectivas terapias.

Está comprovado que, a maioria dos pacientes com esta enfermidade, tratados pelos métodos tradicionais da Medicina Chinesa obtêm resultados óptimos e a sua cura acontece em 80% dos casos tratados, e os restantes 20% sentem-se melhor, na sua maioria, com as crises mais espaçadas e mais suaves.

Esta poderá ser considerada uma das enfermidades, em que a Medicina Tradicional Chinesa, melhores resultados obtém.

Fotografia: ©Yuri Arcurs - Fotolia.com
Agradecimentos: Gracinda Figueira, licenciada em Medicina Tradicional Chinesa pela Universidade de Nanquim; GreenMed

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