O inquérito nacional, divulgado no Dia Europeu do Antibiótico, aponta também que cerca de metade dos participantes refere que devolve na farmácia os antibióticos que sobram, mas 30% confessa que o guarda para uma próxima necessidade.

São os mais jovens (quase metade) que guardam mais antibióticos e os mais idosos que alegam entregar os que sobram na farmácia, refere o inquérito “Consumo de Antibióticos”, realizado pelo Centro de Estudos Aplicados da Universidade Católica para o Grupo de Infeção e Sepsis (GIS).

Consequentemente 16% dos inquiridos afirma ter antibióticos armazenados em casa, sobretudo homens (21%) e jovens (27%), enquanto 25% diz ter sempre um stock em casa.

Para o presidente do GIS, Paulo Mergulhão, guardar os antibióticos tem “duas consequências perversas”.

“Primeiro, a utilização desregulada de antimicrobianos e segundo é potencialmente inseguro para quem toma esse antibiótico porque o facto de nós usarmos determinado antibiótico para tratar uma infeção acarreta o risco de criarmos resistências nas bactérias que convivem connosco a esse mesmo antibiótico”, explicou.

O médico intensivista disse, a este propoósito, que pelo menos em infeções graves os médicos tendem “a tentar não usar a mesma classe de antimicrobianos duas vezes seguidas”.

Defendeu ainda que os antibióticos que sobram devem ser devolvidos na farmácia até por uma “questão ecológica”.

Segundo o estudo, apenas 36% da amostra identifica corretamente que os antibióticos tratam infeções provocadas por bactérias, 35% afirma não saber e os restantes referem que tratam infeções provocadas por vírus ou todo o tipo de infeções.

“São as mulheres e os mais jovens que melhor conhecimento demonstram sobre o consumo dos antibióticos. 39% das mulheres face a 33% dos homens identificou corretamente as infeções tratadas por antibióticos em contraste com apenas 24% dos mais idosos”, indica o estudo.

Três em cada quatro participantes estão cientes da presença de antibióticos em atividades para além da medicina humana, como na medicina veterinária e na agropecuária.

Dois terços afirma conhecer o conceito de resistência aos antimicrobianos, sem diferença entre homens e mulheres, mas com um muito maior desconhecimento nos idosos, com 44% a desconhecer este assunto.

A grande maioria (95%) dos que conhecem o conceito consideram este problema sério e 85% afirmma que é “um assunto extremamente relevante para a saúde pública”.

Já 93% identifica o consumo de antibióticos como estando relacionado com aparecimento da resistência aos antimicrobianos.

O estudo revela que 22% dos participantes conhece alguém que tenha tido uma infeção resistente aos antibióticos: 4% o próprio e 18% um familiar ou amigo, um número que surpreendeu Paulo Mergulhão, porque, afirmou, “salienta a dimensão do problema da resistência aos antimicrobianos”.

Apenas 16% acha possível obter antibióticos nas farmácias sem prescrição médica, sendo este número maior nos homens e nos mais jovens.

O inquérito, que decorreu entre 7 e 24 de setembro deste ano e que teve uma amostra de 1.178 pessoas com 15 ou mais anos, visou apresentar “um retrato inédito sobre os hábitos e comportamentos das famílias portuguesas face aos antibióticos, avaliando também a sua perceção sobre os riscos da sua incorreta utilização”.

“De uma forma geral, os inquiridos revelaram um comportamento muito razoável face aos antibióticos, não deixando de ser necessária atenção a alguns comportamentos de camadas mais envelhecidas da população”, adverte o estudo.

Esta análise sugere "um possível impacto positivo" de programas e campanhas nacionais, como a ‘Tome a Atitude Certa’, lançada há um ano e que visa a consciencialização para “a prática de comportamentos diferentes e mais conscientes na toma de antibióticos”.

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