No ano passado foram realizados nos hospitais portugueses mais de mil transplantes. O número representa mais 8,2% em relação a 2008. De acordo com a Sociedade Portuguesa de Transplantação (SPT)  também o número e dadores por milhão de habitantes teve um crescimento de 64%, de 20 para 31.

"Este aumento permitiu, no ano passado, a realização de, por exemplo,  595 transplantes renais, que ajudaram a diminuir a lista de espera em 7% pelo segundo ano consecutivo", conforme revela a SPT em comunicado citado pelo Correio da Manhã.

A SPT revelou ainda a intenção de criar um dia Nacional do Transplante a 20 de Julho como forma de simbolizar o dia em que foi feito e Portugal pelo Prof. Linhares Furtado o primeiro transplante em Portugal no ano de 1969.

O professor Linhares Furtado afirmou ao CM sentir-se lisonjeado pela gentileza " dos seus colegas" por escolherem esse dia para assinalar os Transplantes.

"Foi um grande passo. Foi um transplante renal. Infelizmente, ocorreram  complicações e mais tarde o doente voltou a ter de fazer hemodiálise. E só se voltaram a fazer transplantes em 1980 porque houve uma alteração à lei que permitiu a recolha em cadáveres aumentando a oferta para ajudar outros doentes", recorda o Prof. Linhares.

Quarenta anos volvidos, a SPT assinala assim este dia com uma sessão comemorativa na FIL para incentivar a assinatura da petição. Para a assinar pode aceder a www.spt.pt/peticao/

Fernando Macário (Presidente da Sociedade Portuguesa de Transplantação): 

A História da Transplantação em Portugal conta já com três décadas de actividade contínua, desde que os primeiros transplantes com rim de cadáver, em Lisboa e Coimbra, em 1980, abriram caminho a uma actividade contínua e sistematizada. Já em 1969, Linhares Furtado tinha tido sucesso na realização de um transplante renal, num acto que não teve continuidade, talvez por incompreensão duma sociedade pouco preparada para a modernidade e ousadia daquele visionário.

Nestes 30 anos, a transplantação em Portugal teve um trajecto notável. Ao rim sucederam-se outros órgãos: fígado, coração, pâncreas, intestino, pulmão, córnea, medula, osso. O número de transplantes efectuados teve um crescimento significativo, com crescente maturidade técnica e resultados clínicos que colocam Portugal na vanguarda da transplantação mundial.

Um sucesso que se deve a diversos factores: desde logo a ousadia, capacidade de liderança e organização dos responsáveis pelas diversas Unidades de Transplantação, com o apoio da tutela e administrações das instituições em que se inserem, ou, quando necessário, vencendo as contrariedades e incompreensões; o trabalho incansável dos muitos profissionais de saúde, matéria-prima de valor incalculável; uma legislação favorável, que permite a Portugal ser um exemplo a seguir na colheita em cadáver – com destaque para a extraordinária organização implementada na coordenação da colheita de órgãos, nos últimos anos.
 
Mas ainda há muito a fazer: as condições de trabalho em algumas unidades de transplantação podem, e devem, ser melhoradas; é preciso captar para a transplantação jovens profissionais incentivando-os com melhores condições de trabalho, estabilidade e carreira atractiva; as barreiras éticas em algumas áreas devem ser melhor definidas e discutidas pelos profissionais envolvidos; as tomadas de decisão e legislação devem ser efectuadas com clara auscultação dos profissionais; deve ser feito um esforço de organização da colheita de dados para monitorização efectiva da qualidade clínica da transplantação em Portugal e, nesse ponto, os registos da Sociedade Portuguesa de Transplantação deverão ser olhados como uma fonte de informação fundamental.

Considerando que se torna fundamental dar maior visibilidade à actividade da transplantação em Portugal, de forma a permitir uma melhor compreensão da doação de órgãos em vida e no cadáver, a Sociedade Portuguesa de Transplantação e os abaixo assinados, propõem a criação de um Dia Nacional do Transplante. Este será um passo importante para dar a conhecer esta actividade, que dá vida e qualidade de vida a tantos doentes em Portugal.

2010-07-19

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