O Hospital Prof. Doutor Fernando Fonseca, mais conhecido por Hospital Amadora-Sintra, está com problemas no fornecimento de oxigénio. Segundo a assessoria da unidade, estão a ocorrer "transferências de doentes ventilados não invasivos, ou seja, doentes que não estão entubados, que tem uma máscara de oxigénio, que recebem o oxigénio através de botijas, 20 destes vão para o hospital de Santa Maria" em Lisboa.

No total são 48 o número de pacientes infetados com o coronavírus SARS-CoV-2 que estão a ser transferidos para várias unidades hospitalares da Grande Lisboa e Setúbal.

"Não está em causa a disponibilidade de oxigénio ou o colapso da rede, mas sim a dificuldade da estrutura existente em manter a pressão", lê-se num comunicado do hospital emitido esta noite. "É preciso aliviar o consumo de oxigénio para estabilizar a rede e repor a normalidade", refere a nota também partilhada no Facebook.

Pelo menos seis doentes não ventilados vão ser transportados para o hospital de campanha instalado na cidade universitária na capital. Outros cinco doentes estáveis vão ser transferidos para o hospital de retaguarda das Forças Armadas, também em Lisboa. Os restantes 17 doentes serão transferidos para os hospitais Egas Moniz e São Francisco Xavier em Lisboa e Hospital de São Bernardo em Setúbal.

Rui Santos, enfermeiro diretor no Amadora-Sintra, em declarações aos jornalistas não afastou a hipótese da transferência de mais doentes para outras unidades hospitalares. "Estamos a avaliar o impacto da transferência destes doentes na estabilização da rede", disse.

"Quer os doentes que estamos a transferir, quer os que estão cá [no hospital] estão estáveis", garantiu.

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Doentes não estão em risco

De acordo com fonte hospitalar, o problema no fornecimento de oxigénio reside numa sobrecarga nas tubagens que fornecem oxigenoterapia aos doentes. No entanto, Diana Ralha, assessora do Hospital Amaradora-Sintra, confirmou à agência de notícias Lusa que "não houve colapso na rede de oxigénio do Hospital Fernando da Fonseca (Amadora-Sintra)".

"Houve uma flutuação do débito de oxigénio", referiu. "Os nossos[dois] tanques têm imenso oxigénio. Não está em causa e nunca esteve em causa a vida dos doentes, porque assim que foram reportadas as flutuações no débito do oxigénio, estes doentes iniciarem ventilação através de botijas, de cilindros de oxigénio que nós temos muitos, estamos muito bem fornecidos", sublinhou a assessora.

O hospital Amadora-Sintra tinha esta terça-feira 363 doentes internados com COVID-19, 33 deles em unidade de cuidados intensivos (UCI), sendo que nas últimas 72 horas houve um reforço de mais 90 camas para responder à procura de doentes com a infeção pelo vírus SARS-CoV-2.

"O nosso plano de contingência, no pior cenário, previa 120 doentes com COVID-19", sublinhou a assessora da unidade.

Este hospital é um dos que está sob maior pressão por causa da pandemia e já tinha transferido doentes para o Algarve na última semana.

Situação expectável, diz bastonária

Ana Rita Cavaco, bastonária da Ordem dos Enfermeiros, afirmou à TVI que esta situação já era expectável. "Na semana passada, a Ordem alertou que havia dificuldades no fornecimento de oxigénio e que, devido aos doentes internados que temos em excesso, há uma grande pressão sobre o consumo de oxigénio, sobretudo naqueles que estão a fazer oxigénio de alto débito", explicou.

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"Temos muita gente que, por não ter lugar em cuidados intensivos, estão com a chamada ventilação não invasiva e, portanto, são consumidores de muito oxigénio. Tivemos acesso a e-mails de empresas fornecedoras de garrafas de oxigénio, independentemente do sistema de oxigénio dos hospitais, que diziam já não ter capacidade para satisfazer todas as encomendas dos hospitais de Lisboa", acrescentou. "Sim, os doentes correm risco de vida", frisou Ana Rita Cavaco.

Basílio Horta, presidente da Câmara de Sintra, revelou em declarações à TVI que o diretor do hospital o contactou de imediato assim que foram detetadas falhas no fornecimento de oxigénio. "Neste momento, mais do que apurar responsabilidades sobre o que aconteceu, o importante é resolver este problema em segurança", comentou o autarca.

Rede de oxigénio nova

No passado dia 21 de janeiro, o Hospital Professor Doutor Fernando Fonseca (Amadora-Sintra) informou que instalou uma nova rede de oxigénio na Torre da Amadora para reforçar a já existente, face ao elevado consumo devido à pandemia de COVID-19.

Numa nota divulgada na rede social Facebook, o hospital adiantou que reforçou a rede de gases medicinais que serve esta unidade, designadamente as áreas das enfermarias, serviços de urgência, unidades de cuidados intensivos, entre outras.

A pandemia de COVID-19 provocou, pelo menos, 2.140.687 mortos resultantes de mais de 99,6 milhões de casos de infeção em todo o mundo, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

Em Portugal, morreram 11.012 pessoas dos 653.878 casos de infeção confirmados, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro de 2019, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

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