Atualmente, em Portugal e no Serviço Nacional de Saúde (SNS), só o Hospital Curry Cabral, em Lisboa, dispõe de um robot cirúrgico, mas esta realidade é diferente em outros países europeus que dispõem, em alguns casos, e dois ou mais robots por hospital.

Em declarações à agência Lusa, a diretora da Unidade Autónoma de Gestão (UAG) de Cirurgia do Centro Hospitalar Universitário São João (CHUSJ) contou que a aquisição deste robot é “um sonho antigo”, porque pode “em muito beneficiar quer o trabalho do cirurgião quer a vida dos utentes”.

“Para o cirurgião é bom em termos ergonómicos. O cirurgião está numa consola e vai controlando os movimentos do braço do robot. Para o doente, vai ser possível realizar cirurgias mais complexas e com maior radicalidade. Também permite uma maior recuperação pós-operatória, menores perdas hemáticas e menos tempo de internamento”, descreveu Elisabete Barbosa.

Em causa está um equipamento que elimina algumas das dificuldades que os cirurgiões têm, nomeadamente no que se refere aos graus de rotação.

Ou seja, um pulso humano, ao manipular instrumentos, consegue atingir determinados graus de rotação, enquanto o braço de um robot tem maior liberdade.

Salvaguardando que “é sempre o cirurgião quem comanda a máquina”, a diretora da UAG de Cirurgia do CHUSJ explicou que o recurso a um robot cirúrgico permitirá ao cirurgião “melhor acesso a alguns locais anatómicos”.

No Hospital de São João o arranque da cirurgia robótica está programado para 2023, começando pela urologia, ginecologia e cirurgia geral.

À Lusa, Elisabete Barbosa deu o exemplo de uma cirurgia que tem como objetivo tratar um tumor na próstata: “O robot tem melhor acesso a essas zonas, podendo potenciar uma melhor excisão dos gânglios metastizados”, exemplificou.

Outra das vantagens deste equipamento passa por eliminar o trémulo do cirurgião porque, como apontou a responsável, “mesmo um cirurgião muito seguro e experiente às vezes pode tremer”.

Elisabete Barbosa também frisou a importância de mais um centro hospitalar da rede do SNS poder realizar cirurgia robótica, uma vez que este recurso existe em alguns hospitais do setor privado, ao qual, por razões económicas, nem todas as pessoas têm acesso.

“Há anos que queríamos iniciar a cirurgia robótica que já está validada para várias áreas. É algo em que Portugal deve investir. Enquanto aqui, nos congressos, ainda discutimos as vantagens da cirurgia laparoscópica convencional [através de pequenas incisões e com o cirurgião a manipular os instrumentos] face às vantagens da cirurgia aberta, em qualquer congresso internacional, eles comparam a cirurgia robótica com a laparoscópica”, referiu Elisabete Barbosa.

A compra deste robot cirúrgico foi adjudicada na quinta-feira na reunião do conselho de administração do CHUSJ.

A instalação do equipamento obrigará a obras de adaptação nos blocos operatórios do hospital, algo que a diretora da UAG de Cirurgia garante que “não será muito difícil, nem entrave”.

Quanto à formação de profissionais, Elisabete Barbosa explicou que foram escolhidas equipas de dois cirurgiões com “muita experiência em laparoscopia para que a aprendizagem seja mais célere”.

“E quando esses cirurgiões estiverem certificados, dão formação a outros cirurgiões. A existência de um robot vai levar a mais procura, mas o que desejamos é que todos os hospitais da escala do São João consigam adquirir um robot. É isso que faz sentido a nível nacional”, concluiu.

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