A publicação recente do relatório sobre a infecção em Portugal em 2017 revela o muito que ainda temos que percorrer. Foram detectados 1 068 novos casos em 2017, afectando sobretudo pessoas entre os 20 e 40 anos e registando-se também quatro crianças. Infelizmente, mais de metade das pessoas, na altura em que é diagnosticada, apresenta-se com infecção já avançada e um quinto já com o diagnóstico de SIDA. De salientar que mais de dois terços dos doentes são oriundos de Portugal, mesmo nos casos de SIDA. Por fim, a actualização dos dados relativamente à mortalidade já conta com 14 519 óbitos desde os anos oitenta, dos quais 261 em 2017. Relativamente a todos estes parâmetros, continuamos muito aquém da média da união europeia.

A desdramatização da SIDA, pela melhoria das condições do tratamento, levou a um grande desinvestimento na prevenção. O aumento nos últimos anos dos casos de doenças de transmissão sexual mostra a manutenção dos comportamentos de risco. Há que salientar ainda o uso frequente de drogas sintéticas que, tal como o álcool, aumenta a probabilidade de comportamentos de risco.

Apesar de já não ser uma sentença de morte, a infecção pelo HIV representa um sério risco de saúde e a necessidade/dependência de medicação para o resto da vida (a cura não é previsível a curto-médio prazo). A infecção continua a ser um estigma, o que conduz ao sofrimento psicológico de uma quantidade significativa das pessoas infectadas, conduzindo a isolamento social.

Tem que se conseguir passar a mensagem à população da necessidade de fazer o teste e evitar que só sejam identificados quando estão doentes. Iniciar a medicação quanto antes protege a pessoa infectada e a comunidade, pois uma pessoa infectada tratada e com o vírus controlado não tem risco de transmitir o vírus em relações sexuais não protegidas. 

Há que encarar a complexidade psicológica que leva muitas pessoas a terem comportamentos de risco, incluindo a utilização das novas drogas (e também das tradicionais heroína cocaína). É necessário encontrar formas de aconselhamento apoio para tentar a redução destes riscos. Fomentar a utilização do preservativo e, eventualmente, da PrEP são formas de tentar impedir a infecção. Há que conseguir também controlar o risco das doenças de transmissão sexual que podem facilitar a transmissão do HIV.

A informação/aconselhamento tem de ser difundida na comunidade, pelo que é preciso mudar o nosso sistema de base hospitalar de fornecimento destes cuidados, que é um entrave ao acesso da população aos mesmos.

Um artigo do médico Eugénio Teófilo, Infecciologista no Hospital dos Capuchos.

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