"A Ordem dos Médicos condena veementemente todas as formas de agressão, muito em particular as que atentam contra quem dedica a sua vida a salvar a vida de todos nós, mesmo em condições muito difíceis como as que vivemos este ano", informa a Ordem dos Médicos (OM) em comunicado.

"A minha primeira palavra de solidariedade vai para a nossa colega, que viu a sua integridade e dignidade atingidas de uma maneira que não pode ser admitida de forma alguma numa democracia. O Estado tem de saber proteger todos os cidadãos, e de forma especial os profissionais que colocam a sua vida ao serviço dos outros", destaca o bastonário da Ordem dos Médicos, Miguel Guimarães.

"Não podemos também deixar de condenar que o assunto muito sério do aumento das agressões contra profissionais de saúde seja tratado ao sabor das notícias, com as autoridades competentes a ficarem-se pelos lamentos e a pouco ou nada fazerem para evitar que estas situações se repitam. Se não forem tomadas medidas exemplares contra quem agride, o sentimento de impunidade alastra e não beneficia ninguém", lamenta.

"Aproveito ainda este momento para insistir com a tutela no sentido de mudar a estratégia seguida na pandemia. Os médicos de família foram totalmente desviados para as áreas de doentes COVID, TraceCovid e app StayAway Covid e os seus doentes de sempre precisam deles. Não podemos continuar com uma estratégia que deixa tanta gente sem o apoio necessário e que também aumenta a conflitualidade", reforça o bastonário.

Sindicato também já reagiu

O Sindicato Independente dos Médicos (SIM) condenou hoje a agressão a mais uma médica e anunciou que vai pedir uma reunião urgente com o diretor nacional da PSP para o sensibilizar para a questão do “flagrante delito”.

Em declarações à agência Lusa, o secretário-geral do SIM, Roque da Cunha, manifestou a sua solidariedade com uma médica que foi agredida por uma utente numa unidade do Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) de Almada.

Segundo o SIM, a médica estava a fazer triagem para consultas não programadas (segundo o protocolo de segurança implementado em tempo de pandemia) quando foi “agredida verbal e fisicamente” por uma utente que exigia uma consulta no imediato para obter uma declaração de falta justificada para uma filha, o que nem sequer é “um motivo de urgência clínica”.

“Foi cometido um crime público mas, apesar de ter sido identificada pelos agentes da esquadra da PSP do Laranjeiro (Comando Distrital de Setúbal da PSP) a agressora não foi detida, mas apenas identificada... teria sido diferente se em vez de numa unidade de saúde tivesse sido num tribunal, ou se em vez de uma profissional de saúde tivesse sido uma senhora procuradora ou juíza”, refere o SIM em comunicado.

Roque da Cunha adiantou à Lusa que o SIM, “além de se solidarizar com a colega e lamentar a inação do Governo também nesta área”, vai hoje mesmo oficiar o diretor nacional da Polícia de Segurança Pública no sentido de “o sensibilizar em relação à questão do flagrante delito”.

“Ontem [quarta-feira] depois de identificada, a agressora, com testemunhas, não foi presente ao juiz porque alegadamente não teria sido em flagrante delito”, referiu.

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